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Seis curiosidades que tornam o feito da Islândia ainda maior

A Islândia é a grande sensação das Eliminatórias na Europa. Os escandinavos nem de longe eram lembrados como favoritos a uma vaga na Copa do Mundo, mas alimentarão suas esperanças até novembro. Os islandeses terminaram com a segunda colocação do Grupo E e se juntam a outras sete seleções para a disputa da repescagem no continente – Croácia, Suécia, Romênia, Portugal, Grécia, Ucrânia e França são as outras.

Única equipe na etapa final do qualificatório que poderá estrear no Mundial, a Islândia se vale de uma geração promissora que lançou há dois anos. Dez jogadores que hoje integram a equipe principal disputaram o Campeonato Europeu Sub-21, sediado na Dinamarca. Entre eles, vários nomes que hoje ocupam papel de destaque nas grandes ligas europeias, como Gylfi Sigurdsson, Aron Gunnarson, Kolbeinn Sigthorsson e Alfred Finnbogason. Todos com 25 anos ou menos, prometendo mais um ciclo de Copa forte ao país.

Porém, por mais que o técnico Lars Lagerbäck seja tarimbado e o elenco tenha vários talentos à disposição, ver a Islândia entre as melhores seleções da Europa é um tanto quanto exótico. Ainda mais quando se analisa o país sob certos pontos de vista. Separamos seis curiosidades sobre os escandinavos, veja só:

– Um país com a população de Taubaté

Até hoje, a dona do posto era a Eslovênia. Porém, o país balcânico se transforma em um formigueiro quando seus dois milhões de habitantes são comparados com a quantidade de islandeses. Apenas 320 mil pessoas habitam a nação escandinava, uma população comparável à da cidade de Taubaté, no interior de São Paulo. Já imaginou um esquadrão taubateano (cujo principal time da cidade sequer consegue se estabilizar na segundona paulista) disputando a Copa do Mundo? É mais ou menos o que vai acontecer se os islandeses se classificarem ao Mundial. Apesar da limitação, apenas dois jogadores do atual elenco nasceram fora do território: ambos suecos, que se mudaram ainda jovens à ilha.

– Time ‘Pote 6’ no sorteio das Eliminatórias

A definição das chaves nas Eliminatórias europeias respeitou o Ranking da Fifa. As seleções foram divididas em seis estratos diferentes, nos quais os mais bem classificados não poderiam se cruzar. E, nesta separação, os islandeses compuseram o último grupo de países, por ser a 121ª colocada no ranking. Uma condição pouco honrosa ao lado de San Marino, Andorra, Luxemburgo e Liechtenstein. Mesmo cotada como saco de pancadas, a equipe provou sua força ao bater quatro dos cinco adversários no Grupo E da competição.

– O extremo climático no final do ano

Quem for sorteado para o duelo com a Islândia já sabe que terá vida duríssima em Reykjavík. Não apenas pelo potencial dos nórdicos jogando em casa, mas também pelas condições climáticas que o inverno próximo ao Ártico pode impor. A média de temperatura mínima da capital em novembro é de – 0,5 °C, enquanto a máxima não passa de 4,1 °C. E é bom os visitantes torcerem para que o frio não seja tão rigoroso, já que a cidade chegou a registrar até – 15,1 °C nesta época do ano.

– Meio século até derrotar uma campeã do mundo

A primeira partida oficial da seleção islandesa aconteceu em 1946, uma derrota para a Dinamarca. E a torcida precisou esperar 58 anos até ver a seleção bater pela primeira vez um campeão do mundo. A vítima foi a Itália, em amistoso disputado em Laugardalsvöllur. Preparando-se para conquistar a Copa de 2006, a Azzurra foi superada por 2 a 0, com gols de Gylfi Einarsson e Eidur Gudjohnsen. Foi a estreia de Marcello Lippi no comando dos italianos.

– Um cartel de vitórias bem limitado

Se um país sonha em conquistar a Copa do Mundo, ele precisa estar preparado para vencer todos os seus jogos nos mata-matas. Contudo, só uma vez em toda a sua história a Islândia conseguiu registrar ao menos quatro vitórias consecutivas. Foi em 2000, entre três compromissos pelo Campeonato Nórdico e um amistoso. Finlândia, Malta, Ilhas Faroe e Suécia foram as vítimas, em um grupo no qual só os auriazuis merecem algum respeito.

– Gudjohnsen continua jogando

O jogador mais condecorado da história do futebol islandês está longe de ser um craque. Muito pelo contrário. Eidur Gudjohnsen sempre foi mais conhecido pelos lances toscos do que por grandes jogadas. Ainda assim, conseguiu enganar em alguns grandes clubes da Europa, como Barcelona, PSV, Chelsea, Tottenham e Monaco. Diante da falta de material humano, o atacante de 35 anos mantém seu lugar cativo na equipe nacional, mesmo sendo reserva do Club Brugge. Mas, para sorte dos islandeses, hoje ele só tem espaço para esquentar o banco da seleção.

Veja a festa dos islandeses na comemoração pela vaga na repescagem:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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