Repescagem europeia: análise dos confrontos
Portugal x Suécia
Com Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimovic voando, um dos dois ficará de fora da Copa
Jogo de ida: 15 de novembro, em Lisboa; jogo de volta: 19 de novembro, em Solna
O confronto mais esperado das Eliminatórias tem dois grandes protagonistas: Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores do mundo e da sua geração, contra Zlatan Ibrahimovic, com seus gols espetaculares e inteligência em campo. Os dois vivem momentos fantásticos na carreira a ponto de serem considerados grandes candidatos a receber a Bola de Ouro. Ambos vivem situação parecida na seleção: não têm ao seu lado jogadores do mesmo nível técnico, são os capitães dos times e precisam conduzir o time e estão loucos para conseguir levar seus países a uma grande conquista, algo que nenhum dos dois conseguiu na carreira.
O confronto terá muitos aspectos, mas será impossível escapar da comparação. Ibrahimovic é acusado de não decidir em momentos importantes, como na Liga dos Campeões, que nunca conseguiu vencer. Cristiano Ronaldo passou perto de conquistar a Eurocopa de 2004 por Portugal, chegou à semifinal da Copa de 2006, mas caiu em 2010 com um time que jogava feio e no qual o camisa 7 era só um talento isolado. Em 2012, Cristiano Ronaldo levou Portugal a uma batalha com a Espanha na Eurocopa, perdendo só nos pênaltis. Ficar fora de uma Copa jogada no Brasil, onde se fala português e há tantas raízes lusitanas, será um fracasso. Por isso, é de Cristiano a maior responsabilidade no jogo. Mas o confronto promete equilíbrio.
Onde o Portugal pode se dar bem
A defesa sueca tem uma saída de bola complicada. Os defensores cometem muitas falhas, que André Schürrle, da Alemanha, soube aproveitar bem no confronto entre as duas seleções em Solna. Só ele marcou três vezes. Se a saída de bola da Suécia errar, o time tem Cristiano Ronaldo, mas além dele, Nani, dois jogadores muito rápidos, e João Moutinho, um meia de passe excelente. Sem falar que Cristiano Ronaldo é um perigo a qualquer distância. Pode ser fatal.
Onde a Suécia pode se dar bem
O meio-campo de Portugal não é muito marcador. O time varia entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, mas com jogadores como Miguel Veloso e Raul Meireles na contenção. João Moutinho é ofensivo e tem baixa capacidade de recuperar a bola. A Suécia pode explorar o setor com seus volantes e meias, que têm bom passe: Rasmus Elm, Svensson, Kim Kallstrom e até os jogadores de lado de campo, Larsson e Kakaniklic, além de Ibrahimovic, que muitas vezes joga como meia, atrás do centroavante Elmander.
Palpite
Portugal passa, com boas atuações de Cristiano Ronaldo. Vence o primeiro jogo em casa com muito sofrimento, e empata fora de casa.
França x Ucrânia
Depois de campanhas dignas na repescagem, França e Ucrânia fazem um dos confrontos mais parelhos
Jogo de ida: 15 de novembro, em Kiev; jogo de volta: 19 de novembro, em Saint-Denis
Por muito pouco a Ucrânia não garantiu sua vaga para a Copa de forma direta. Mesmo com o massacre sobre San Marino na última rodada da fase de grupos das Eliminatórias, os ucranianos ficaram com o segundo lugar, porque, empurrada pela torcida, a Inglaterra venceu a Polônia em Wembley e terminou com um ponto a mais na chave. A campanha da Ucrânia foi muito boa, com seis vitórias e apenas uma derrota em dez jogos. No entanto, os pontos desperdiçados na derrota contra Montenegro pela quarta rodada fizeram falta, e agora o desafio para conseguir sua vaga para o Mundial é duro.
A França caiu em uma chave que contava com a Espanha, e, portanto, seria uma tarefa muito difícil terminar na primeira colocação e com a vaga direta. E foi justamente em um confronto com os atuais campeões do mundo que os Bleus perderam sua única partida e viram a Roja tomar a ponta do grupo para não mais largar. O confronto entre Ucrânia e França é, portanto, um embate de duas equipes que, por suas campanhas, poderiam muito bem já estar classificadas de maneira direta. São seleções que viram a vaga escapar-lhes por pouco, em grupos em que não eram favoritas. Isso certamente se torna um ingrediente a mais para que tenhamos duas grandes partidas entre ucranianos e franceses.
Onde a Ucrânia pode se dar bem
Com uma defesa composta majoritariamente por jogadores de Dnipro e Shakhtar Donetsk, a Ucrânia provou a importância do entrosamento em setores específicos, e o resultado disso foi é que o time foi pouco vazado – quatro gols sofridos, um a mais que a Espanha, que teve melhor desempenho neste aspecto nas Eliminatórias Europeias. E é na consistência defensiva ucraniana que se encontra o grande trunfo da equipe de Mykhaylo Fomenko. Especialmente se considerarmos o ataque francês não muito eficiente, que marcou 15 gols em oito partidas. Se a escolha for por uma formação defensiva e que aproveita os contra-ataques, Andriy Yarmolenko é o cara a ser acionado no ataque nas oportunidades que a seleção do leste europeu tiver de ir ao gol. Presente nas dez partidas da Ucrânia nas Eliminatórias, o atacante fez quatro gols e serviu seus companheiros em quatro oportunidades que terminaram com a rede balançando.
Onde a França pode se dar bem
Se por um lado a eficiência defensiva é o maior trunfo da Ucrânia, ela pode ser também uma verdadeira armadilha para os comandados de Mykhaylo Fomenko. Os ucranianos não enfrentaram em seu grupo nenhum adversário com tantos talentos individuais quanto tem a França. Embora isso tenha rendido 15 gols em oito jogos, a fase recente dos principais jogadores ofensivos franceses deixa o torcedor confiante. Enquanto Franck Ribéry tem sido um dos protagonistas do Bayern de Munique já há algumas temporadas e carregou a seleção nas costas em várias partidas, Karim Benzema tem respondido às críticas recentes no Real Madrid com uma sequência fantástica. Em suas três últimas partidas por La Liga, o atacante marcou quatro gols e deu três assistências. Olivier Giroud, em 11 rodadas na Premier League, já soma cinco gols e quatro passes para tentos. Pelo mesmo torneio, Loïc Rémy tem se destacado no Newcastle e já tem sete gols em nove jogos. Opções para o ataque não faltam para Didier Deschamps.
Palpite
A Ucrânia deverá oferecer certa resistência jogando em casa e pode conseguir um empate ou até mesmo uma vitória magra. Porém, decidindo no Stade de France, a tendência é de que a França se sobressaia e se classifique.
Grécia x Romênia
Time encardido nos últimos anos, a Grécia defende o favoritismo contra uma Romênia que quer reviver o passado
Jogo de ida: 15 de novembro, em Pireu; Jogo de volta: 19 de novembro, em Bucareste
Nenhuma outra seleção europeia na repescagem teve campanha melhor que a dos gregos. É verdade que o nível de sua chave não era dos mais altos, mas o Navio Pirata somou 25 pontos em 30 possíveis, derrotado apenas pela Bósnia e atrás dos balcânicos no saldo de gols. Um desempenho bastante contrastante com o da Romênia, que saiu de uma disputa acirrada com Hungria e Turquia pela segunda colocação do Grupo D – liderado com sobras pela Holanda.
A campanha na fase anterior das Eliminatórias, contudo, significa pouco rumo ao Mundial. A Grécia possui algum favoritismo no duelo, nada suficiente para dar certeza aos seus torcedores. A Romênia não está em um nível tão abaixo assim e tem a vantagem de decidir em casa. Promessa de emoções fortes para os dois jogos.
Onde a Grécia pode se dar bem
São mais de dez anos com os mesmos preceitos. Otto Rehhagel não é mais o técnico, mas a cartilha que serviu para a conquista da Euro 2004 continua sendo seguida – inclusive com a permanência de Giorgos Karagounis e Kostas Katsouranis, veteranos daquela época. A Grécia possui um time fortíssimo na defesa e espera apenas uma oportunidade, para ir lá e brocar. A campanha nas Eliminatórias reflete bem isso. Foram somente quatro gols sofridos, mas também apenas 12 marcados, sendo que em nenhum jogo o time balançou as redes mais de duas vezes. Ainda assim, os jogadores em melhor fase se concentram no ataque: Giorgos Samaras, Dimitris Salpingidis e Kostas Mitroglou. Em casa, os gregos ainda são empurrados pela pressão das arquibancadas e não perdem um jogo oficial há mais de cinco anos.
Onde a Romênia pode se dar bem
Esqueça o time talentoso que foi a três Copas do Mundo entre 1990 e 1998. A equipe atual da Romênia é esforçada e só, sem um Hagi que possa fazer a diferença. Tanto é que o jogador mais técnico à disposição do técnico Victor Piturca é Vlad Chiriches, pilar da defesa. Problema maior é que o capitão, com o nariz fraturado, está descartado dos jogos decisivos. Sem ele, os romenos precisarão se agarrar ao entrosamento da zaga, quase toda baseada no futebol local. Já no setor ofensivo, Gabriel Torje e Ciprian Marica são nomes tarimbados nas grandes ligas europeias, mas sem causar grandes suspiros. Apostar em lançamentos longos e nos chutes de fora da área, duas virtudes do time, pode ajudar a quebrar a defesa grega. Foi assim que a Romênia venceu o último confronto entre as duas seleções, disputado em 2011.
Palpite
A Grécia arma o caldeirão em Pireu e intimida os romenos, vencendo por aquele 1 a 0 sofrido, em um gol achado. Em Bucareste, o Navio Pirata monta a retranca, arranca o empate e comemora a classificação ao Mundial.
Islândia x Croácia
Grande zebra das Eliminatórias, a Islândia tenta superar a tradição da Croácia para se tornar o país menos populoso a disputar uma Copa
Jogo de ida: 15 de novembro, em Reykjavik; Jogo de volta: 19 de novembro, em Zagreb
A grande surpresa da repescagem contra uma das seleções mais experientes. A Islândia foi a sensação da fase de grupos ao conseguir uma guinada marcante na reta final e ficar com a segunda vaga do Grupo E, o mesmo da Suíça. Uma trajetória oposta à da Croácia, que perdeu fôlego em seus últimos jogos e viu a Bélgica sobrar no Grupo A – fato que culminou na troca no comando técnico, com a chegada do antigo ídolo Niko Kovac.
A esses momentos contrastantes é que a Islândia se apega para conquistar a classificação inédita. O clima do país no outono, que prometia ser um trunfo, não deve afetar tanto os adversários no jogo de ida. Então, a intenção é que a situação seja resolvida pela bola nos pés, não pelo peso da camisa, onde a Croácia leva ampla vantagem.
Onde a Islândia pode se dar bem
O elenco islandês foi moldado nas categorias de base. Dos 23 convocados, dez estavam no time que participou do Europeu Sub-21 de 2011, até hoje a principal aparição do país em uma competição internacional. E isso, além de trazer as expectativas de uma evolução duradoura, reflete em entrosamento na equipe principal. A linha de frente conta com vários jogadores que combinam talento e porte físico, como Gylfi Sigurdsson, Johann Gudmundsson, Kolbeinn Sigthorsson e Alfred Finnbogason. Com tantos bons nomes, o ataque foi a fortaleza do técnico Lars Lagerbäck nas Eliminatórias, rendendo tanto em casa quanto fora. Já a preocupação fica com a defesa, sem grandes destaques e sofrendo gols em excesso – desde 2012, em apenas cinco dos 18 jogos disputados a meta se manteve invicta.
Onde a Croácia pode se dar bem
Das nações que compunham a antiga Iugoslávia, o maior número de talentos no ataque foi herdado pelos croatas. Niko Kovac tem à disposição vários jogadores de qualidade, com destaque para Mario Mandzukic, Luka Modric, Ivan Rakitic e Ivica Olic. O problema maior é encaixar essas peças no time titular sem deixar a defesa exposta. E este foi o pecado do time em suas últimas exibições. Os croatas se mandavam para frente, pressionavam em vão os adversários e acabavam derrotados pelas brechas deixadas atrás. O novo técnico tem como missão principal encontrar esse equilíbrio, para que o ataque possa render sem sacrificar os defensores, que pecam pela lentidão. Com Darijo Srna em campo, Kovac também poderá trabalhar as bolas paradas nos treinamentos e ter um fator decisivo importantíssimo.
Palpite
Os croatas não sofrerão tanto com o clima em Reykjavík, diante da previsão de chuvas fracas e mínima de 2 ºC no dia do jogo. Arrancam ao menos uma derrota balançando as redes dos islandeses e, com certa tranquilidade pelos gols marcados fora, terminam o serviço em Zagreb.











