Quem é Aleksander Ceferin, o sucessor de Platini na presidência da Uefa
Com o desafio de suceder uma gestão manchada por abuso de poder e contrariar a fala dos opositores de que lhe falta experiência, Aleksander Ceferin assume o cargo de presidente da Uefa. A decisão foi dada depois do esloveno receber 42 dos 55 votos no Congresso Extraordinário da entidade, em Atenas. E após derrotar o holandês Michael van Praag, atual vice-presidente do orgasnimo que rege o futebol europeu, o qual recebeu 13 míseras aprovações. Nada mal para alguém cujo nome não circulava muito além das fronteiras do país onde nasceu e vive. Mas, afinal, quem de fato é o misterioso homem que substituirá Michel Platini até 2019?
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Ceferin tem 48 anos, é formado em Direito e, até ser eleito presidente da Uefa, estava há cinco anos no comando da federação eslovena de futebol, além de ter composto, também, o Comitê Jurídico da instituição que agora estará em suas mãos. Como advogado, construiu sua reputação defendendo, sem custos, vítimas de violação de direitos humanos na Eslovênia, onde, ao contrário do resto da Europa, o dirigente sempre foi bastante conhecido e é altamente respeitado. Ao mesmo tempo em que a não-familiaridade de quem não é seu compatriota causa certo receio, o fato do novo presidente vir de um país de quase dois milhões de pessoas sugere que ele vai olhar além das nações com mais voz na Europa. O que, logicamente, é um ponto mais do que positivo a ser favor.
“Minha pequena e linda Eslovênia está orgulhosa disso, e eu espero que um dia vocês também se orgulhem de mim”, discursou após a eleição. “Algumas pessoas podem até ter dito que eu não sou um líder, que eu sou muito jovem e muito inexperiente para se tornar o próximo presidente da Uefa. Bom, não é porque você repete de novo e de novo, em alto e bom som, ‘eu sou um líder’ que você de fato é um líder. Se você tem que fazer isso para se autoafirmar, provavelmente você não é um líder”, estendeu-se, rebatendo as críticas que recebeu tanto da oposição, quanto dos que não o conheciam anteriormente.
“Podem dizer que eu sou jovem e inexperiente, mas, honestamente, acho isso um desrespeito com todas as pequenas e médias federações que, um ano atrás, tinham que fazer muito com pouco”, disse ainda Ceferic. Apesar de alguns pés atrás, o novo presidente é alguém de quem Gianni Infantino, que também é novato no pedaço, gosta e parece confiar. Por um lado, isso é um pouco estranho, já que o comandante da Fifa e ex-secretário-geral da Uefa costuma ser politicamente neutro. Por outro, é algo bom, uma vez que essa relação, como consequência, fará com que os laços entre as duas entidade sejam reatados. No entanto, é importante lembrar, também, que Platini e Sepp Blatter, eram próximos antes do joguinho de poder que culminou no banimento dos dois de atividades ligadas ao futebol.
Ainda que a Uefa não tenha os problemas endêmicos de corrupção que assolam outras instituições ligadas ao esporte, há muito o que se fazer, muita coisa para trabalhar e muito em jogo. Afinal, se trata da segunda entidade com maior relevância no mundo. Talvez muitos do que votaram em Ceferic não apoiavam verdadeiramente sua ascensão ao cargo. Talvez queriam algo em troca. Mas cabe a ele entrar ou não nesses jogos políticos (que, muitas vezes, são armadilhas). Por enquanto, a imagem que se tem do esloveno é de uma pessoa íntegra e responsável. É razoavelmente boa. E isso é uma das coisas que a Uefa precisa recuperar depois de Platini.
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