Futebol europeu

PSG x Villa: Por que os discursos dos técnicos antes da Supercopa dizem tanto sobre os clubes

Atual bicampeão da Champions League, o Paris enfrenta o time inglês que mais surpreendeu nos últimos anos

A temporada europeia será oficialmente aberta com a disputa da Supercopa da Europa entre PSG e Aston Villa nesta quarta-feira (12). O lado francês, bicampeão da Champions League, duela com o vencedor da Liga Europa, que conquistou seu primeiro título desde 1996. Realidades distintas ressaltadas pelas entrevistas dos treinadores antes do duelo.

Luis Enrique, comandante do Paris que faz história com um futebol empolgante e bonito de se assistir, não deixou de se mostrar ambicioso, como sempre, ao afirmar que o objetivo é buscar a terceira taça consecutiva da Liga dos Campeões. No entanto, o principal assunto de sua coletiva teve uma preocupação sobre a situação de seus jogadores.

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Unai Emery, treinador que transformou os Villans em um dos times mais regulares da Premier League, se mostrou lisonjeado de disputar a taça e vê como uma oportunidade de firmar uma nova era no clube de Birmingham.

‘Surreal’ e ‘não há nada’, diz Luis Enrique sobre a parte física do PSG

O PSG, como todos do grupo de superclubes na Europa, acabou muito impactado pela disputa da Copa do Mundo. Por exemplo, a última segunda (10) marcou a reapresentação de quatro titulares do time: Achraf Hakimi, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Fabián Ruiz, além dos importantes reservas Bradley Barcola, Lucas Hernandez, Warren Zaïre-Emery e os recém-chegados Lucas Digne e Magnes Akliouche.

Já Marquinhos, Vitinha, Nuno Mendes e João Neves, também da escalação ideal de Luis Enrique, fizeram sua primeira partida da pré-temporada no último sábado (8). Por isso, a escalação pode ter o garoto Senny Mayulu, Zaïre-Emery e Akliouche — os dois últimos jogaram pouco pela seleção francesa na Copa — nas vagas de Ruiz, Neves e Doué, respectivamente.

O técnico espanhol, na coletiva, descreveu sua situação como “surreal” e relembrou que é a segunda vez que isso ocorre porque, no ano passado, praticamente não teve preparação entre as temporadas porque chegou à final do Mundial de Clubes (em 13 de julho) e precisou disputar a Supercopa um mês depois (13 de agosto).

— Em termos de preparação, é complicado administrar a carga de minutos de cada jogador. Vamos buscar estar no nível máximo, mas é complicado. Estamos preparando a temporada de maneira inteligente para estarmos no nosso melhor nível no fim da temporada, e não no início da temporada — iniciou.

— É uma situação surreal. Eu não tinha os jogadores até segunda-feira. Aceitamos isso e nos preparamos da melhor maneira possível, mas é muito difícil saber em que nível estará esta partida. É muito importante para nós passar uma boa imagem, mas, em termos de preparação, não há nada — assumiu, sincero.

Luis Enrique em treino do PSG
Luis Enrique em treino do PSG (Foto: IMAGO / GEPA pictures)

Há quase um ano, na conquista da Supercopa sobre o Tottenham, o Paris Saint-Germain não teve vida fácil, tomou 2 a 0 e precisou correr atrás do empate nos acréscimos antes da vitória nos pênaltis. Antes daquele jogo, Luis Enrique dizia que queria levar a segunda Champions. Agora, sua ideia é a terceira.

— Temos objetivos muito ambiciosos desde o início e continuamos assim. É um cenário diferente porque todo mundo pensa que podemos ganhar novamente. Essa é a teoria. Precisamos mostrar isso em campo. Se você olhar para a história, é difícil ter uma equipe que ganhe o tempo todo, mas buscamos seguir nesse nível.

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Unai Emery analisa nova era do Aston Villa

Historicamente, o Aston Villa é um clube enorme. Campeão da Copa dos Campeões (antiga Champions) em 1982, sete vezes vencedor do Campeonato Inglês e com uma dezena de copas locais, construiu uma história gigante em mais de 100 anos de história, mas tornou-se um time de menor destaque a partir do meio dos anos 90.

Não dá para dizer que, com Unai Emery, no cargo desde o fim de 2022, esse protagonismo voltou, porque a era é outra. Dentro da realidade dos Villans, porém, o técnico espanhol basicamente fez um milagre.

O técnico Unai Emery, do Aston Villa
O técnico Unai Emery, do Aston Villa (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Em meio aos concorrentes super-ricos do Big Six, conquistou vagas para torneios europeus em todos os anos, sendo duas vezes para a Champions League. Em maio passado, a conquista da Liga Europa quebrou um jejum de 30 anos sem levantar taça — desde a Copa da Liga Inglesa em 1996. Para Emery, disputar a Supercopa é a chance de inaugurar um novo momento.

Tenho a sensação de que o clube está em uma nova era, com a possibilidade de lutar por títulos — disse o treinador.

— Estamos tentando ter sucesso por meio, primeiro, da construção de uma equipe vencedora e, depois, buscando as consequências positivas disso: ganhar títulos. Jogar a Supercopa da UEFA é mais uma oportunidade de estar lá, a oportunidade de ganhar um troféu — completou.

O último título europeu do Villa tinha sido justamente a Supercopa da Europa, em 1982, sobre o Barcelona. Emery já disputou a competição três vezes (Sevilla, duas, e Villarreal, uma), mas nunca a venceu. Uma das derrotas, inclusive, foi para Luis Enrique, em 2015, quando ele comandava o Barça e superou o Sevilla.

Admirador do técnico rival, o comandante dos Villans busca o sexto título continental da carreira, após cinco conquistas da Liga Europa, e tornar seu clube um vencedor novamente. A missão será pesada, contra uma potência que é a grande favorita a sair vencedora. A bola rola a partir das 16h (horário de Brasília) desta quarta, na Red Bull Arena, em Salzburg, na Áustria.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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