Europa

Outro vitorioso da Data Fifa é Elabdellaoui, reconvocado pela Noruega após perder a visão e passar por 11 cirurgias para recuperá-la

Elabdellaoui ficou quase 14 meses afastado do futebol e passou por um delicado processo de recuperação, mas acaba premiado com a volta à seleção

A convocação de Christian Eriksen de volta à seleção da Dinamarca gera grande comoção por seu simbolismo. No entanto, o meia não é o único jogador que retorna à sua equipe nacional nesta Data Fifa depois de enfrentar um grave problema de saúde. Na Noruega, a boa notícia fica por conta de Omar Elabdellaoui, que reaparece no elenco pela primeira vez desde outubro de 2020. O lateral direito, que chegou a usar a braçadeira de capitão dos noruegueses em algumas partidas, perdeu a visão temporariamente após um acidente doméstico com fogos de artifício e atravessou um delicado processo de recuperação. O defensor do Galatasaray retomou sua carreira profissional em fevereiro, após quase 14 meses afastado, e acabou premiado também pela convocação.

Elabdellaoui sofreu seu acidente no Ano Novo de 2020 para 2021, quando um rojão estourou diante de seu rosto e provocou queimaduras severas. O norueguês perdeu a visão momentânea no olho esquerdo, enquanto o olho direito dependeu de cuidados maiores por causa dos danos no globo ocular e na pálpebra. O lateral precisou ser submetido a 11 cirurgias e tinha uma chance de apenas 10% de sucesso no tratamento. Apesar disso, os procedimentos deram certo e, depois de um transplante de córnea, o atleta recuperou sua visão total. Em 21 de fevereiro, ele pôde voltar a campo pelo Galatasaray depois da longa jornada, com óculos de proteção que o acompanharão pelo resto da carreira. Agora, ganha uma nova chance com a seleção norueguesa.

Elabdellaoui estreou pela seleção da Noruega em agosto de 2013. Desde então, o lateral de 30 anos disputou 49 partidas com a equipe nacional. Sua contribuição mais relevante aconteceu mesmo no atual ciclo, quando virou titular absoluto em sua posição e também passou a atuar frequentemente como capitão. Porém, ainda não teve a chance de disputar uma competição internacional, limitado às qualificações da Euro e da Copa do Mundo, bem como às divisões de acesso da Liga das Nações.

Sem Elabdellaoui, a Noruega também não conseguiu se classificar à repescagem para a Copa de 2022. Assim, a equipe se limitará a amistosos na próxima Data Fifa. Os noruegueses enfrentarão a Eslováquia e a Armênia em Oslo. Será uma oportunidade para o técnico Stale Solbakken promover testes e também dar cancha para jovens jogadores. Já o retorno de Elabdellaoui possui um simbolismo além, considerando o próprio envolvimento dos membros da seleção em seu apoio durante a recuperação.

Até o momento, Elabdellaoui disputou quatro partidas pelo Galatasaray desde o retorno aos gramados. Ainda recupera o seu ritmo competitivo no Campeonato Turco e não chegou a enfrentar o Barcelona pela Liga Europa. A convocação de volta para a Noruega tem menos a ver com o nível apresentado nessas semanas desde a sua recuperação e corresponde bem mais à representatividade que o jogador de 30 anos possui no vestiário da seleção. Tê-lo de volta certamente é uma motivação além, a uma equipe com potencial para saltos maiores.

“Mantivemos contato durante todo o tempo. Não é nenhuma piedade, ele está na lista porque é bom o suficiente. É exagero dizer que Omar está 100%, mas ele está muito mais perto do que poderíamos sonhar. Essa é a primeira vez que ele será comandado por mim e tem sido uma parte importante, dentro e fora de campo, há muito tempo. Ele precisou de uma mentalidade dura, fez um excelente trabalho e teve sucesso. Estamos ansiosos para tê-lo conosco”, explicou o técnico Stale Solbakken. Diante disso, não se questionam os méritos da reconvocação, ainda mais depois de todo o caminho percorrido por Elabdellaoui.

* Fica o agradecimento ao leitor Ruan Marques, que recomendou a pauta. Valeu!

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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