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Os números não vencem

Números são úteis para analisar futebol e é pouco inteligente achar que estatísticas não mostram nada. Só que não é possível dizer, apenas olhando as estatísticas, quem mereceu vencer uma partida de futebol. É difícil, aliás, medir quando um time merece ou não ganhar. No primeiro duelo de gigantes entre Real Madrid e Manchester United, os números foram amplamente favoráveis ao Real Madrid. O resultado, porém, foi um empate por 1 a 1. Injusto? Não parece.

O Manchester United parece ter conseguido fazer o que queria. Se postou com cautela no campo defensivo e ainda sofreu com Rafael tomando um baile pelo lado direito no primeiro tempo – é verdade que não foi muito ajudado pelos jogadores pelo seu lado do campo. O Real Madrid parecia que faria um estrago na defesa dos Red Devils, mas não foi o que aconteceu. O Real Madrid ainda tomou um gol de cabeça em escanteio, mas empatou logo depois com Ronaldo.

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É verdade que o Real Madrid teve a bola, teve mais chutes e tomou a iniciativa. Mas quantas das chances foram de fato perigosas? Coentrão teve duas, uma com o jogo em 0 a 0, outra já no segundo tempo. Nas duas vezes, De Gea salvou o time inglês. Ronaldo teve ao menos dois bons chutes, mas de fora da área. A pressão do Real Madrid era mais no abafa. O Manchester United teve uma boa chance com Van Persie, em erro da saída de bola do Real, mas furou o chute e Xabi Alonso salvou quase em cima da linha, e outra em um chute cruzado, bem defendido por Diego López.

No fim, o empate por 1 a 1 não foi injusto. O Manchester United fez o jogo ficar mais lento, obrigando o Real Madrid a trabalhar e rodar mais a bola. Sem Özil estar em um dia inspirado, ficou complicado. O alemão, aliás, faz boa temporada, mas foi mal na partida. Hesitou demais em lances que teve a chance de finalizar e perdeu a chance de decidir o jogo. Jogar melhor é também conseguir ser mais eficiente. Futebol, como todo esporte, também é estratégia.

Gols e equilíbrio

Jogar em Donetsk costuma ser uma tarefa difícil, mas parece que o Dortmund não sentiu esse problema no início do jogo. O time foi bem demais tocando a bola e era quem mais chegava com perigo no campo de ataque. Não que o Shakhtar estivesse mal no jogo, mas o jogo pendia mais para o time alemão. Logo, a consequência natural disso foi… Gol do Shakhtar. Em uma cobrança de falta, os ucranianos saíram na frente. É verdade que, naquele momento, o time ucraniano já levava perigo. E tudo bem que deram o gol de empate para os alemães com um lance que mais pareceu uma pelada de fim de ano de empresa. Lewandowski transformou a furada patética em drible e meteu para as redes.

O Shakhtar não fazia assim uma partida ruim, ao contrário, mas não conseguia concluir as chances que criava, mas arrancou um golaço dos pés de Douglas Costa. Em uma daquelas famosas ligações diretas – nome bonito do chutão –, o brasileiro deu um voleio bonito e marcou um golaço. O Dortmund nem parecia tão incomodado assim com a derrota por 2 a 1, afinal, bastaria vencer por 1 a 0 para avançar. Só que veio até um bônus. Hümmels empatou em um escanteio. O que já era bom ficou ainda melhor, já diria aquele slogan.

Nada está decidido, mas o Dortmund certamente sai com aquela risadinha de quem pegou o telefone da mulher bonita na festa. O Shakhtar foi para casa com a sensação que deveria ter tentado conversar com a moça, mas hesitou demais. Daqui a três semanas, os dois voltam à cena.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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