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O Dnipro escreveu um dos seus maiores capítulos e estará na final da Liga Europa

A Ucrânia atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, que respinga diretamente em seu futebol. O separatismo no leste do país afastou diversos clubes de seus estádios, em uma temporada de mandantes jogando fora de casa. Entre eles, o Dnipro, jogando longe de casa também na Liga Europa. Só que as dificuldades não impediram o clube de se aproximar do maior momento de sua história. A vitória sobre o Napoli por 1 a 0, no Estádio Olímpico de Kiev, coloca o clube ucraniano em sua primeira decisão de competição continental. A chance de encarar o Sevilla em Varsóvia, na final da Liga Europa marcada para o dia 27 de maio.

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A sala de troféus do Dnipro é bem menor que o momento pode sugerir. O grande feito do clube aconteceu ainda nos tempos de União Soviética, quando a geração estrelada por Oleg Protasov conquistou os títulos da liga em 1983 e 1988. Já a diminuição da concorrência na Ucrânia não ajudou tanto assim o clube, sem nunca conseguir quebrar a hegemonia de Dynamo Kiev e Shakhtar Donetsk no campeonato ou na copa. No máximo, o Dnipro colecionou alguns vices, incluindo o da última temporada. Reflete bem o investimento pesado feito pelo Privat Group, a oligarquia local que patrocina a equipe, mas nunca superou o poderio da principal dupla do país.

Nessa realidade, o Dnipro se tornou participante costumeiro da Liga Europa. Desde 2001/02, só não disputou três edições do torneio. Mas também sem grandes feitos, nunca indo além dos 16-avos de final. Nesta temporada, ainda, teve a chance de disputar as preliminares da Champions, onde caiu para o Kobenhavn. Para finalmente alcançar sua campanha histórica no torneio continental.

A trajetória do Dnipro, contudo, possui os seus asteriscos. A classificação na fase de grupos veio graças a um erro absurdo da arbitragem, que prejudicou o Qarabag, do Azerbaijão. Já nos mata-matas, os ucranianos passaram por Olympiacos, Ajax e Club Brugge até chegarem à semifinal contra o Napoli. No jogo de ida, no Estádio San Paolo, outra vez contaram com a ajuda do juiz para arrancar o empate por 1 a 1. E venceram por 1 a 0 no Estádio Olímpico de Kiev, graças ao gol de Seleznyov, em uma partida na qual os italianos pressionaram bastante, mas sem consistência alguma.

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Dentro de campo, o Dnipro possui suas qualidades. Enquanto Shakhtar Donetsk e Dynamo Kiev investem pesado em estrangeiros para reforçar o seu ataque, a nata da seleção ucraniana sobra para a terceira força nacional. O grande destaque é o camisa 10 Konoplyanka, especulado pelo Liverpool na última janela de transferências. Ao seu lado, Bezus, Seleznyov e Zozulia são outros nomes constantemente convocados, enquanto o artilheiro Kalinic faz parte da seleção croata. Já no setor defensivo, a equipe treinada por Myron Markevych conta com vários nomes rodados, como o capitão Ruslan Rotan e o lateral Fedetskyi.

O favoritismo para a final em Varsóvia é todo do Sevilla. Não apenas pelo bom momento que o time de Unai Emery vive desde o título na última temporada, mas também pela maneira como amassou a Fiorentina nas semifinais, batendo a Viola por 2 a 0 em Florença para fazer 5 a 0 no placar agregado. Nada que diminua o feito e o ímpeto do Dnipro. Basta ver a festa que rolou após o apito final em Kiev, com invasão da torcida no Estádio Olímpico, para dimensionar a importância do momento para o clube. E, considerando que a decisão acontece na vizinha Polônia, dá para esperar uma invasão de ucranianos. Não vão querer desperdiçar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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