Mais mudanças em curso no AEK

Nos últimos anos, o cenário do futebol grego tem primado pela monotonia. Há mais de uma década o Olympiacos domina como quer a Super League. Seus rivais até tentavam, mas eram incapazes de fazer frente à força alvirrubra. Mas parece haver uma mudança no horizonte.
No começo desta temporada, o Panathinaikos deu o primeiro passo. Depois de muita insistência, a família Vardinogiannis abriu mão do controle praticamente absoluto que mantinha sobre o futebol dos Trifilis e permitiu que novos investidores entrassem na direção da equipe.
E… Bem. Apesar da Super League já parecer estar definida em janeiro -com o Olympiacos disparado na liderança do certame-, chega-se à conclusão de que a atitude tomada pelo Panathinaikos foi positiva. Afinal, os investimentos foram feitos e, com um time mais forte, o PAO pode tentar voltar aos seus dias de protagonista no cenário grego.
E, se na Super League não há grande diferença entre os dias que antecederam os investimentos e os atuais, os torcedores estão animados e esperançosos. Afinal, o Pana voltou a fazer um papel decente na principal competição continental do mundo, a Uefa Champions League. Os Trifilis se classificaram para a 2ª fase da UCL na primeira posição no grupo B, uma chave que tinha times como a Internazionale-ITA e Werder Bremen-ALE. Para se ter uma ideia de como esta é uma grande novidade, a última vez que os verdes passaram da fase de grupos na Champions foi na distante temporada 2001-2.
Pois bem. O AEK, por sua vez, vinha acompanhando inerte a evolução dos rivais Olympiacos e Panathinaikos. E, depois de protagonizar uma bela recuperação nos últimos anos, quando os aurinegros recuperaram a sua autoestima, corriam o risco de ficar para trás novamente, sendo obrigados a ver os rivais de longe.
Não era para menos. Afinal o Presidente Demis Nikolaidis enfrentava o desgaste de quatro anos ininterruptos de seu mandato. Tanto assim que, ainda antes do início da temporada, Nikolaidis anunciara que, depois de muitos rumores sobre a sua saída, deixaria o comando do AEK no final da temporada, em maio.
Porém, não foi isso o que aconteceu. Demis deixou o cargo ainda em novembro passado, sob a sombra da longa convivência e da campanha irregular realizada pelo AEK em campo -já que, na mesma temporada, haviam sido desclassificados da Copa Uefa ainda na primeira fase, e estavam longe de convencer na Super League, competição que ocupavam a quinta colocação. No lugar de Demis assumiu Giorgos Kinitis -e, como técnico, no lugar do demitido Giorgos Donis, assumiu o lendário Dusan Bajevic.
Dentro de campo, os Enosis protagonizam uma campanha de recuperação. Com 28 pontos em 17 partidas, os Dikefalos estão na quarta colocação na atual Super League, e tudo indica que devem fazer parte do Playoff que distribui as vagas nos diversos campeonatos europeus a qual os times gregos tem direito.
Porém, a notícia mais importante para o clube é outra. Neste começo de ano, ocorreu a aprovação do aumento de capital do clube. É um movimento semelhante ao realizado pelo rival Panathinaikos -porém, com motivações diferentes. Enquanto o Panathinaikos era um clube economicamente estável mesmo antes da entrada de novos sócios, sem grandes tormentos financeiros, o AEK vive sérias dificuldades.
Apesar de ter escapado da falência em 2004, o AEK ainda vive em déficit, e ainda não consegue se manter com as próprias pernas. Além disso, os números estariam cada vez piores. Números extra-oficiais indicam que o clube deva cerca de 30 milhões de euros, sendo que entre oito e dez milhões seriam adicionados ao montante neste ano -em decorrência do baixo faturamento desta temporada, em que os Enosis estão fora das competições europeias.
O grande intuito da entrada de novos investidores seria diminuir a dependência do clube dos atuais controladores, Nikos Notias e Nikos Thanopoulos. Já que os custos tem aumentado, um novo investidor seria uma alternativa mais interessante do que continuar dependendo dos empréstimos dos atuais controladores -que seria a opção preferida de Notias e Thanopoulos neste momento.
Em dado momento, devido às dificuldades em fazer com que a proposta fosse aceita, Giorgos Kinitis chegou a apresentar um pedido de renúncia, que fez com que o conselho do clube se reunisse em reunião extraordinária no começo desta semana. Kinitis alega que o clube é inviável sem a ampliação do capital e, por isso, a sua atitude se justificaria.
A saída de Kinitis seria um duro golpe para o clube. Depois das dificuldades de se encontrar um sucessor para Demis Nikolaidis, tudo o que o clube não precisaria seria a saída de mais um presidente -tão pouco tempo depois de sua escolha. Também por isso, os acionistas decidiram considerar a proposta, que acabou aprovada -o que também provocou a reversão da decisão tomada por Kinitis.
O aumento de capital será na ordem de 15 milhões de euros. O preferido da direção e da torcida na aquisição das ações seria Dimitris Melissanidis, ex-presidente do clube que, estando bem em seus negócios particulares, teria este montante disponível para investir no clube.
Caso esta ideia dê certo, a intenção do AEK é voltar a ser um dos protagonistas do futebol grego. Afinal, conseguiria manter (e até mesmo aumentar) o ritmo de investimentos, e impediria que Olympiacos e Panathinaikos alcançassem um patamar inalcançável, ficando como um ex-grande agora decadente do futebol grego.



