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A maneira como reinventou a temporada do Atlético é mais uma prova da capacidade de Simeone

“O melhor jeito de voltar a ganhar é insistindo”. Diego Simeone disse isso, depois da vitória sobre o Olympique Marseille, por 3 a 0, nesta quarta-feira, na final da Liga Europa, em relação às decepções recentes em finais da Champions League. Mas também se aplica à temporada do Atlético de Madrid. Depois de um começo cheio de complicações, a equipe se reinventou. Caminha para ser vice-campeã de La Liga e conquistou a Liga Europa, em mais uma demonstração da capacidade técnica de Simeone. 

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“Foi uma temporada difícil, mas este troféu é muito mais do que um título, é o valor ao trabalho, à consistência, à insistência. Viemos eliminados da Champions League, começamos mal a temporada e nos reinventamos”, disse Simeone. Foi muito frustrante a campanha do Atlético na Champions League. Depois de quatro grandes participações seguidas, com duas finais, uma semi e uma quartas de final, os colchoneros foram eliminados ainda na fase de grupos, atrás de Roma e Chelsea. 

Era uma equipe sofrendo mais do que o normal para fazer gols. Foram apenas cinco em seis partidas europeias. No Campeonato Espanhol, seis empates nas doze primeiras rodadas, o que, com a arrancada do Barcelona, já dificultava demais a briga pelo título da liga. Griezmann não conseguia colocar a bola para dentro, o embargo de transferências impediu que sangue novo fosse injetado no elenco e o seu modelo de jogo dava sinais claros de desgaste. 

A temporada anterior já havia sido complicada. Simeone chegou a falar em “temporada difícil”. A maneira como a equipe se impõe física e mentalmente exige muito dos jogadores, e o fato de o treinador argentino conseguir um reinado tão longo e vitorioso já é um grande depoimento das suas qualidades. Oscilações, porém, são normais dentro dessa estratégia. Ainda mais quando não dá para renovar parte do elenco no mercado de transferências. 

A virada começou no final de novembro. O Atlético de Madrid ganhou 13 em 15 rodadas do Campeonato Espanhol. Não houve nenhuma inovação tática. O segredo foi acreditar nas suas convicções e reacender aquela chama que ficou famosa pelos grandes momentos deste clube. Simeone manteve o seu tradicional 4-4-2. Apenas passou a usar mais vezes um meio-campo com quatro meias mais puros: Gabi, Thomas, Koke e Saúl. A virada foi muito mais de postura. Em janeiro, finalmente pode contratar e trouxe Vitolo, para aumentar suas opções, e Diego Costa, que imediatamente virou titular ao lado de Griezmann. 

Mesmo sem fazer muitos gols, a mera presença de Costa dividindo responsabilidade com o francês foi importante para dar mais poder de fogo ao Atlético de Madrid. Os colchoneros apareceram na vice-liderança na 16ª rodada, no meio de dezembro, e não a deixaram mais. Por baixo do radar, foram se aproximando do líder Barcelona, cujo título sempre pareceu muito seguro. A ponto de, na 26ª rodada, às vésperas do confronto direto, a diferença de pontos estar em apenas cinco. Surpreendentemente, uma vitória colchonera no Camp Nou colocaria fogo na briga pela ponta. 

O Barcelona, porém, venceu. O Atlético de Madrid voltou suas atenções para a Liga Europa. Tanto que não conseguiu mais emendar duas vitórias seguidas em La Liga. Passou por Copenhague e Lokomotiv Moscou sem problemas. Sofreu um pouco contra o Sporting e fez um grande duelo contra o Arsenal. O jogo de ida, no Emirates, foi a oportunidade para retomar o espírito de luta que virou a marca do time de Simeone. Com um a menos a partir dos 10 minutos do primeiro tempo, o Atleti conseguiu resistir aos ingleses e ainda fez o gol fora de casa, com Griezmann. Apenas confirmou a passagem à decisão no Wanda Metropolitano. E, em Lyon, atropelou o Olympique Marseille. 

A maneira como Simeone conseguiu dar a volta por cima nesta temporada é a prova cabal de que, por mais que o tempo gere desgaste naturais, agravados pelo estilo de jogo exigente do Atlético de Madrid, o treinador argentino tem o elenco nas mãos, sabe o que fazer com as suas peças e ainda é capaz de motivá-las. Este foi o quarto título importante de Simeone à frente do Atleti, com mais duas Supercopas (uma da Espanha e uma da Europa) e, no Campeonato Espanhol, o time está a um ponto de consolidar o segundo lugar. Com exceção dos anos em que foi campeão, em 2013/14 e 1995/96, os colchoneros não ficam em segundo lugar desde 1990/91. O momento do clube é especial e, dependendo dos planos de Simeone, ainda pode ser estendido por muito tempo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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