Liga Europa

A incrível trajetória do Villarreal: como o clube de uma pequena cidade virou exemplo e epicentro da Liga Europa

O Villarreal vinha de um contexto modesto e sem grande tradição, mas tomou muitas decisões ótimas para alcançar seu primeiro troféu

Para alguns, a jornada fantástica do Villarreal não bastava. Não bastava reverter a pequenez histórica do clube, não bastava se estabelecer como um time da metade de cima da tabela no Campeonato Espanhol, não bastava protagonizar grandes campanhas continentais. Era necessário conquistar um título, da Copa do Rei que fosse, para justificar a grandeza. Fernando Roig, o presidente que tirou o Submarino Amarelo da mediocridade para torná-lo uma equipe respeitável na Europa, parecia tranquilo diante dos questionamentos: “Dizem que nos falta um título, mas nosso título é estar na primeira divisão. Vila-real é uma cidade de 50 mil habitantes”. Três meses depois dessas palavras, porém, nem Roig ou qualquer um dos 50 mil habitantes de Vila-real reclamará do feito que tornou a crítica inválida. O Villarreal não somente é campeão: ele é campeão da Liga Europa, em cima do poderoso Manchester United. É a menor cidade na história das copas europeias a levar um título. E é um exemplo do futebol bem feito, que já não dependia do ouro para ser excepcional, mas que se valoriza ainda mais com a taça.

Lá se vão mais de duas décadas com o Villarreal na elite do Campeonato Espanhol. Faz tanto tempo que o Submarino Amarelo aparece entre os principais clubes do país que colocá-lo como um time tradicional soa como natural para muita gente. Mas não é. Até 1998/99, os amarelos nunca tinham aparecido na primeira divisão. Seu passado de “glórias” se limitava a oito edições na segunda divisão, a maioria delas nos próprios anos 1990, quando o costume antes disso era variar entre a terceira e a quarta divisão. Desde o acesso inédito, o Villarreal disputou 21 das 23 edições de La Liga e, nas duas vezes em que caiu, voltou de imediato. Mais imponente, se classificou às competições continentais em 15 oportunidades. E se antes eram quatro campanhas distintas até semifinais europeias, o título da Liga Europa é o ápice de um longo processo.

O marco inicial do Villarreal campeão europeu acontece em maio de 1997. Naquele momento, o Submarino Amarelo era desconhecido para a maioria dos torcedores fora da Espanha. Disputava sua quinta temporada consecutiva na segundona, mas sem passar da décima colocação. Pior, as dívidas chegavam na casa dos milhões de pesetas e não havia sustentabilidade. A estrutura era simples, as perspectivas eram parcas, a realidade era dura. E foi nessas condições que o presidente Pascual Font de Mora procurava um novo comprador. Ex-jogador do vizinho Castellón, o dirigente era um apaixonado pelo Villarreal e tirava dinheiro do próprio bolso para alimentar seu sonho. Mesmo que os recursos não fossem tão abundantes, passar tanto tempo na segunda divisão já era um recorde ao modesto clube. Todavia, com problemas de saúde, Font de Mora precisaria deixar o cargo. E não seria simples encontrar alguém que conduzisse o Submarino Amarelo com tanto esmero.

A solução do Villarreal estaria no principal clube da Comunidade Valenciana, o Valencia. Naquela época, os Ches estavam fortemente ligados à família Roig, uma das mais ricas da região. Paco, o irmão mais velho, era o acionista majoritário do Valencia. Fernando, oito mais anos mais novo, também tinha sua parcela na agremiação. Este seria convidado a ter uma participação mais ativa num time de futebol, ao ser procurado para comprar o Villarreal. Dinheiro, afinal, não era muito problema para Fernando Roig. Além de ser dono da Pamesa, uma das principais indústrias de cerâmica da Espanha, ele também era sócio da rede de supermercados Mercadona.

A herança que Fernando Roig recebeu de sua família não era apenas financeira. Seu pai era um aficionado por esportes, a ponto de ser sócio de três clubes tradicionais da Comunidade Valenciana – Valencia, Levante e Castellón. O próprio Fernando já vivia uma jornada como dirigente, mas no basquete, ao controlar o Pamesa Valencia. O futebol, ainda assim, mexia mais com o empresário. E ele abraçaria a ideia, mesmo ciente da dívida milionária. Pelo equivalente a €432 mil, Roig comprou o Villarreal em maio de 1997. “Eu me envolvi por essa tradição futebolística em casa”, contaria Roig, em conversa com o técnico Vicente Del Bosque, ao jornal El País. “Aqui estava um presidente que havia aguentado muito, Pascual Font de Mora. Os filhos dele queriam vender e nos envolvemos. Quando dei o passo, já tinha em mente o que queria fazer. Nada era improvisado”.

Roig, o presidente do Villarreal (Foto: Imago / One Football)

Fernando Roig chegou com o apoio de José Manuel Llaneza, antigo executivo de multinacionais que tinha sido incumbido pela família Font de Mora para efetuar a venda, mas acabou ficando – e até hoje permanece como vice-presidente, mesmo superando um câncer. O filho Fernando Roig Negueroles também embarcaria na jornada logo depois. O Villarreal tinha encerrado a temporada anterior da segundona em décimo lugar. O estádio possuía capacidade para 3 mil torcedores. Não existia centro de treinamentos e, quando não treinava no campo de uma fábrica, o time usava o péssimo gramado de seu estádio. Os sócios não passavam de 2,5 mil, mas o público costumava ser menor. Ainda assim, Roig queria tentar uma reviravolta em Vila-real.

O projeto inicial de Fernando Roig era colocar o Villarreal na primeira divisão dentro de três anos, contando a partir de 1997/98. O empresário planejava a reforma e a ampliação do estádio, para que atendesse os padrões da elite do Campeonato Espanhol, e também um centro de treinamentos que possibilitasse o desenvolvimento do departamento de futebol. Só que os resultados vieram antes do esperado. Logo na primeira temporada com os novos donos, os investimentos surtiram efeito e o Submarino Amarelo terminou a segundona na quarta posição. Ganhou o direito de disputar os playoffs e, graças ao gol fora em dois empates contra o Compostela, selou o acesso inédito à elite. “Subir no primeiro ano foi um pouco casual, tivemos sorte”, confessaria Roig, ao El País.

O cartão de visitas do Villarreal no Campeonato Espanhol aconteceu em dezembro de 1998, no Camp Nou – o mesmo estádio onde, coincidentemente, o Manchester United experimentaria sua vitória mais épica cinco meses depois. Mas, se não tem o peso da final da Champions League de 1998/99, aquela vitória do Submarino Amarelo na Catalunha serviria para dimensionar as ambições do clube. Diante do incensado Barcelona de Louis van Gaal, o Villarreal ganhou por 3 a 1 no Camp Nou, diante de arquibancadas com uma capacidade duas vezes maior que a população de sua cidade. Nomes como Andrés Palop e David Albelda eram jovens que contribuíram àquela façanha dos novatos.

O Villarreal chegou a alcançar o 11° lugar depois daquela vitória e parecia ter capacidade para permanecer na primeira divisão. O segundo turno, entretanto, seria desastroso. Com apenas duas vitórias, o Submarino Amarelo submergiu, rebaixado à segunda divisão de imediato. “Cometemos o pecado de pensar que tinha sido fácil quando ganhamos do Barcelona. O fim da temporada colocou todo mundo nos devidos lugares: no fim, o Barcelona foi campeão e nós terminamos rebaixados”, diria Fernando Roig Negueroles, ao jornal The Guardian. Lição assimilada, o processo gradual se iniciaria de vez a partir da temporada 1999/00.

O retorno à segunda divisão não durou tanto. O Villarreal conquistou o acesso na primeira tentativa, com a terceira posição. E não era apenas o nível de futebol que começaria a evoluir. O Estádio El Madrigal passaria por reformas a cada intertemporada, aumentando sua capacidade e melhorando suas estruturas. O novo centro de treinamentos (construído onde ficava um laranjal) também se ampliaria sem pressa, oferecendo mais campos e melhores acomodações. “Veio o primeiro campo, depois mais um, depois dois de grama artificial. Construímos escritórios, que viraram dormitórios. Adicionamos um pavimento, depois outro, depois outro. Sempre quisemos uma base, mas não foi imediato”, relatou Roig Negueroles, também ao Guardian. O projeto do clube tinha dois pilares claros: se aproximar da comunidade através das arquibancadas e integrar os jovens talentos locais dentro de suas categorias de base. Com investimentos certeiros em transferências e escolhas bem pensadas para o comando técnico, o Submarino Amarelo ascenderia.

A torcida em Gdansk (Foto: Imago / One Football)

Antigo jogador da seleção, Víctor Múñoz se tornou o técnico do Villarreal na primeira divisão a partir de 2000/01, contribuindo para a manutenção do clube na elite. Depois ele seria substituído por Benito Floro, que havia dirigido o Submarino Amarelo nas vacas magras dos anos 1980, mas na sequência passaria até por Real Madrid. Foi ele o responsável pela primeira classificação às copas europeias. A tacada de mestre, de qualquer forma, veio no acerto com Manuel Pellegrini em 2004. O chileno vinha de trabalhos vitoriosos no San Lorenzo e no River Plate, tornando-se responsável por catapultar o Villarreal como um time para se colocar nas primeiras posições do Campeonato Espanhol e também para fazer bonito nas copas europeias.

Naquele momento, o Villarreal não tinha uma categoria de base forte o suficiente para sustentar o primeiro time. Fernando Roig investia no mercado sul-americano, com gastos nos primeiros anos estimados em €120 milhões entre muitos negócios que não passavam dos €10 milhões naqueles primeiros anos. O Boca Juniors bicampeão da Libertadores foi o primeiro alvo. A partir de 2000, quatro jogadores trocaram a Bombonera pelo Madrigal: Diego Cagna, Rodolfo Arruabarrena, Martín Palermo e Gustavo Barros Schelotto. Logo o Brasil também virou uma seara a se aventurar, com Marcos Senna chegando do São Caetano e Belletti deixando o São Paulo. Mesmo sul-americanos em atividade na Europa viravam alvos, a exemplo de Fabricio Coloccini e Sonny Anderson. Mas nada comparado à transferência de Juan Román Riquelme junto ao Barcelona ou de Diego Forlán saindo do Manchester United. Ainda veio Sorín, do Cruzeiro, mas de passado apagado na Juventus.

Nem todos os nomes citados emplacaram no Madrigal, mas não se nega os méritos dessas movimentações no mercado de transferências. O Villarreal garimpava talentos desacreditados e muitas vezes conseguia estabelecê-los como os craques que eram. Ajudava o estilo de jogo almejado pela equipe, com bom toque de bola e qualidade técnica. Mas também o ambiente, numa cidade pequena aprazível, dentro de uma instituição que prezava pelo bem-estar de seus atletas. O clima familiar também contribuía aos resultados, o que tornava o Submarino Amarelo mais atrativo a quem vinha de fora.

Outro mérito de Fernando Roig é a consciência de que o clube não é seu brinquedinho, mas a representação de uma localidade, carregando consigo um valor social. A propriedade é mais da torcida do que sua, ainda que ele seja o responsável pela gestão e tenha investido seu dinheiro. “A diferença é que, na Pamesa, sou o proprietário e o executivo, mando. Mas, no Villarreal, sou um executivo que não se considera o proprietário. Os proprietários são eles, os 18 mil, os 30 mil torcedores amarelos. Eu tenho que ser um bom gestor. Não entendo de futebol, mas gosto muito. Conto com os sentimentos de todos. O que precisamos fazer é executar bem e ter um equilíbrio econômico. Hoje o Villarreal é um clube que não tem dívidas e conta com uma receita alta para o que é a cidade”, apontaria, ao El País.

Em meio à ascensão meteórica, a diretoria também soube cativar a região para apoiar a equipe, sem artificialidades na atmosfera. Começou de maneira simples, distribuindo ingressos nas escolas e se aproximando de outras cidades nas redondezas. Mas não demoraria a ficar expresso como o Submarino Amarelo era uma grande paixão e um orgulho local. O maior símbolo do envolvimento de Vila-real com o Villarreal ocorreu na volta das semifinais da Champions de 2005/06. Antes que a malfadada eliminação para o Arsenal acontecesse, a cidade viveu um momento de êxtase coletivo pela façanha. Parecia um sonho ver o clube que, até oito anos antes nunca tinha chegado à primeira, se colocando entre os quatro melhores do continente. A cidade parou  diante da possibilidade de disputar a final em Paris. Porém, acabou em luto depois que Riquelme não converteu o pênalti decisivo no apagar das luzes.

A comemoração com Rulli (Foto: Imago / One Football)

Se não era possível provocar a euforia com uma decisão de Champions, o orgulho da população pelo Villarreal vinha de outras formas. Naquele momento, ocorria também uma transição no elenco, balanceando mais os reforços com as promessas da base. Santi Cazorla tinha sido trazido do Real Oviedo para o Villarreal B quando tinha 16 anos e começava a ganhar espaço no time de cima. Também subiria na mesma época Bruno Soriano, nascido num vilarejo a dez minutos de Vila-real. Através deles, formaria-se uma identidade muito forte no Villarreal. E o time continuaria nas cabeças do Campeonato Espanhol, com o vice na temporada 2007/08 – numa época em que veteranos como Robert Pirès e Nihat Kahveci se misturavam com apostas precisas como Giuseppe Rossi e Diego Godín.

Nem tudo seriam flores ao Villarreal, também. O clube sentiu os efeitos de crises nos negócios de Fernando Roig e viu os investimentos minguarem naquela virada de década. Depois, encararia as consequência da saída de Pellegrini rumo ao Real Madrid em 2009, bem como de destaques do elenco. O pior ano aconteceu em 2011/12, justo quando o Submarino Amarelo estava na Champions. O plantel não deu conta da maratona e sofreu um inesperado rebaixamento, encerrando a estadia de 12 temporadas consecutivas na primeira divisão. No entanto, maiores que os erros que culminaram no descenso foram os acertos que abafaram a crise e ajudaram na reconstrução.

Fernando Roig conseguiu conter as dívidas geradas por um encolhimento tão repentino das receitas e evitou uma bola de neve. Jogadores foram vendidos, a folha salarial acabou reduzida. O presidente se desfez até de parte do seu patrimônio pessoal para quitar os débitos. O único setor que não sofreu cortes foi o futebol de base. “Era o que precisávamos fazer. Eu gosto de ver o futebol de base. Na cantera não se tocou em nada”, explicou o presidente, ao jornal El País. Como consequência, o acesso em 2012/13 seria imediato. O Villarreal mantinha bandeiras como Bruno Soriano e Marcos Senna. O grosso daquele grupo, de qualquer forma, era composto por pratas da casa. Cinco jogadores campeões da Liga Europa já estavam no Madrigal naquela época: Jaume Costa, Mario Gaspar, Manu Trigueros, Moi Gómez e Gerard Moreno – ainda que o último tenha saído e voltado neste ínterim.

“Queríamos crescer por cima e por baixo, chegar onde estamos hoje. Contratamos jogadores grandes, mas cada vez compramos menos e vendemos mais. Não falamos da base por falar. Dos 11 que entram em campo a cada partida, há cinco, seis ou sete que são nossos. Nessa temporada chegamos a jogar só com atletas espanhóis”, apontaria Fernando Roig, ao El País. O Villarreal também acertaria em cheio com alguns treinadores. O retorno à primeira divisão foi firme, muito graças a Marcelino García Toral nos três primeiros anos. E a diretoria não mediria esforços para trazer Unai Emery, o que se pagou com a Liga Europa.

O Villarreal permanece na primeira divisão do Campeonato Espanhol há oito temporadas. Em sete delas, o Submarino Amarelo fechou a campanha entre os sete primeiros e se classificou às competições continentais. E com um elenco que se vale mais de crias da casa, complementadas por contratações pontuais – mas de tarimba, a exemplo de Raúl Albiol, Dani Parejo ou Paco Alcácer. Do plantel que conquistou a Liga Europa, nada menos que 11 atletas saíram das categorias de base. Alguns mais jovens e até mesmo descobertos precocemente em outros clubes, a exemplo de Samuel Chukwueze. Outros há longos anos vestindo a camisa amarela, como o capitão Mario Gaspar. Também aqueles de raízes fincadas em Vila-real e prontos para voos mais altos, como o caso de Pau Torres.

Pau Torres, do Villarreal (Foto: Imago / One Football)

A observação unida à estrutura é o que explica tal sucesso, conforme o diretor Luis Arnau, em entrevista ao site oficial de La Liga: “Estamos em uma província de 500 mil habitantes, por isso temos de trazer jogadores de fora da província e hospedá-los no nosso centro de treinamento, onde temos um grande valor na formação completa que oferecemos aos jogadores. Temos uma rede de olheiros em toda a Espanha, em todas as comunidades autônomas. Temos olheiros na Andaluzia, Madri, Cantabria, Barcelona. Trabalham para tentar recrutar ou atrair estes jogadores. A faixa etária em que recrutamos mais jogadores é entre 12 e os 14 anos”.

Mais do que isso, há uma preocupação no lado humano durante esse processo formativo. “No nosso projeto, existem duas partes igualmente importantes: o jogador e a pessoa. O futebol é importante, mas se um dos nossos jogadores é responsável por seus estudos e tem estabilidade na vida, fica mais fácil para ele chegar ao time profissional e permanecer. Quem sobe, consegue se estabilizar”, complementa Arnau. “Temos um psicólogo para cada equipe para ajudar e melhorar os nossos treinados. Fornecer-lhes ferramentas e estratégias para desenvolver os nossos jogadores. Há muitos jogadores que não chegam ao time principal e por isso é ainda mais importante ter um projeto individual para cada jogador do clube”. Manu Trigueros é um exemplo clássico desse incentivo, ao conciliar a carreira nos gramados com o trabalho como professor primário.

E tal valorização parece criar jogadores ainda mais identificados com a agremiação. Uma cena emblemática aconteceu após a classificação contra o Arsenal na semifinal desta Liga Europa. Pau Torres, um filho da cidade, não continha a emoção e chorava copiosamente na saída de campo. Presente nas arquibancadas durante a sentida eliminação em 2006, ele participava da redenção 15 anos depois. Mas também ressaltava como a vaga inédita na final continental tinha um peso para a comunidade e para tudo aquilo que representa o Villarreal. “Esses momentos são de real emoção. O clube inteiro, todos os torcedores merecem isso, também o presidente e o elenco da temporada passada. Agora temos que curtir e nos preparar bem. Enquanto é histórico chegar à final, nós não vamos parar nisso. Para o Villarreal, representar a Espanha na final será ótimo”, diria.

O senso de pertencimento, aliás, vai além do próprio vínculo empregatício com o clube. A viagem para Gdansk contou com dois convidados especiais na delegação do Villarreal: Santi Cazorla e Bruno Soriano. Os dois pratas da casa se despediram do Submarino Amarelo na temporada passada, o primeiro para jogar no Catar e o segundo para pendurar as chuteiras. Além do passado emblemático, ambos também carregam uma eterna gratidão pela forma como a diretoria os respaldou quando sofriam lesões seríssimas e corriam o risco de encerrar a carreira forçadamente. Conduziram a classificação à Liga Europa no Campeonato Espanhol passado, afinal. E, o maior momento da história da agremiação, os veteranos puderam se juntar aos antigos companheiros e transmitir um pouco mais de energia antes da vitória sobre o Manchester United. Como definiria Bruno, recordista em aparições com a camisa amarela, que atravessou suas 14 temporadas profissionais no Madrigal: “Estar aqui é um orgulho. É preciso ser de Vila-real para sentir o que isso significa”.

Havia, no entanto, uma ausência sensível nas arquibancadas em Gdansk: o presidente Fernando Roig. Após ser infectado com a COVID-19, mesmo recuperado, o dirigente não recebeu permissão da Uefa para entrar no estádio. Sua influência, de qualquer forma, vai além da própria figura à beira do campo. O mandatário mais longevo do futebol espanhol na atualidade levou 24 anos para conseguir seu maior feito, ainda que tenha transformado o Villarreal muito antes disso. Conduz um clube sem dívidas, que há nove anos sustenta suas contas sem intervenção do investidor e que, agora, colhe o maior fruto de seus acertos.

“Temos muito orgulho de ser o que somos. Levantamos um estádio modelo, o clube pagou tudo e a propriedade é do povo”, comentaria, ao El País. “Sou um filho adotivo da cidade. Mesmo quando fomos rebaixados, nunca tive nenhum problema. As pessoas gostam de mim e creio que realizamos um grande trabalho. Vila-real é muito conhecida hoje graças ao futebol”. A Liga Europa eleva o nome do Submarino Amarelo, mas também transforma uma cidade de 50 mil habitantes em epicentro do futebol europeu.

O texto acima tomou como base um ótimo artigo de Sid Lowe no Guardian e uma entrevista de Fernando Roig ao El País. Clique nos links para conferir mais.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de anúncios? Aí é falta desleal =/

A Trivela é um site independente, que precisa das receitas dos anúncios. Desligue o seu bloqueador para podermos continuar oferecendo conteúdo de qualidade de graça e mantendo nossas receitas. Considere também nos apoiar pelo link "Apoie" no menu superior. Muito obrigado!