Liga das Nações
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Uma semifinal épica: A Croácia se agigantou em Roterdã para esfriar a valente Holanda e avançar na prorrogação

A semifinal da Liga das Nações contou com uma partidaça no Croácia 4x2 Holanda, em que o time xadrez mais uma vez mostrou sua capacidade competitiva e a força na prorrogação

O calendário não beneficiou muito a atual edição da Liga das Nações, dividida pela Copa do Mundo. O bom nível do Final Four dependeria bastante da maneira como os times iriam encarar a ocasião, logo após o Mundial. Mas, apesar das desconfianças, a primeira semifinal garantiu uma senhora partida no Estádio De Kuip, em Roterdã. Tal qual se viu durante a Copa, a Holanda teve grande espírito de luta para arrancar o empate nos acréscimos do segundo tempo diante de sua torcida. No entanto, pesou a tarimba de uma Croácia acostumada aos grandes momentos. A pressão da multidão laranja nas arquibancadas não intimidou a equipe, assim como o desgaste da prorrogação não foi um peso aos croatas. A vitória por 4 a 2 pintou no tempo extra, com heróis repetidos do Catar. Bruno Petkovic, o carrasco do Brasil, saiu do banco para marcar gol e sofrer pênalti. Já Modric exibiu toda a sua cátedra, envolvido diretamente em três tentos. Os balcânicos seguem em frente fortalecidos, para a final contra Espanha ou Itália no domingo.

A Croácia teve uma boa atuação desde o primeiro tempo em Roterdã, quando conseguiu equilibrar as ações e até parecia mais consciente de seu jogo. A Holanda, no entanto, anotou o primeiro gol e forçou os croatas a intensificarem as ações na segunda etapa. O time xadrez reagiu muito bem e tornou seu domínio mais claro na volta do intervalo, para arrancar a virada. Entretanto, a classificação teve que esperar um pouco mais, diante da maneira como os holandeses não desistiram. Numa sucessão de cruzamentos, saiu o tento do empate por 2 a 2 no sexto minuto dos acréscimos. Porém, com uma geração acostumada a encarar prorrogações, a Croácia se impôs no tempo extra. Foi visivelmente melhor, marcou dois gols e poderia ter ido até além dos 4 a 2. Bruno Petkovic foi um óbvio herói, mas os demais atacantes também fizeram a diferença, com gols de Kramaric e Pasalic, além de assistência de Ivanusec. Já o setor mais forte dos croatas de novo foi o meio-campo. Brozovic e Kovacic ditaram o ritmo, enquanto Modric de novo se multiplicou. Fez de tudo um pouco e ainda participou de três tentos – com um gol, uma assistência e um pênalti sofrido.

As escalações

A Holanda entrou em campo com Justin Biljow no gol, protegido pela defesa formada por Denzel Dumfries, Lutsharel Geertruida, Virgil van Dijk e Nathan Aké. Frenkie de Jong tinha a companhia de Teun Koopmeiners e Mats Wieffer no meio. Já na frente, com a ausência do lesionado Memphis Depay, Cody Gakpo liderava o setor ao lado de Donyell Malen e Xavi Simons. O destaque ficava para Biljow, Geertruida e Wieffer, três campeões nacionais pelo Feyenoord. Já a Croácia mantinha a base semifinalista da Copa. Dominik Livakovic era o goleiro, com Josip Sutalo e Domagoj Vida no miolo da zaga, além de Josip Juranovic e Ivan Perisic nas laterais. O meio vinha com o trio principal composto por Luka Modric, Mateo Kovacic e Marcelo Brozovic. Já na frente, Andrej Kramaric era o centroavante, com apoio de Mario Pasalic e Luka Ivanusec. O zagueiro Josko Gvardiol, vale lembrar, não disputa o Final Four da Nations por lesão.

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Primeiro tempo

A partida se concentrou na intermediária durante os primeiros movimentos. Holanda e Croácia alternaram momentos de posse de bola, com qualidade nos passes, mas sem tanta profundidade nos lances. Os escanteios concederam as primeiras chances de mandar a bola na área. Já a primeira boa chegada seria dos holandeses, aos 18 minutos, quando Van Dijk lançou Xavi Simons. O garoto tentou o cruzamento fechado na linha de fundo, mas Livakovic realizou boa defesa. Depois, Malen teve um cruzamento que ninguém completou. Quando os croatas voltaram a ameaçar, Pasalic tentou uma bicicleta na área e acertou de raspão a cabeça de Aké, com a falta marcada.

A Croácia se mostrava à vontade mesmo com a partida realizada em Roterdã. Trabalhava bem as aberturas pelos lados do campo, com dois laterais mais agressivos. Entretanto, a Holanda fechava o meio da área em bloco e evitava maiores apuros. Aos 31, quando Kramaric conseguiu emendar um chute na área, mandou a bola por cobertura para fora. Já a Oranje respondeu de imediato, num contra-ataque. O lado esquerdo era um caminho. Aké acionou Koopmeiners e o meio-campista saiu nas costas da zaga. Pressionado por Sutalo, bateu por cima. Os espaços pareciam se tornar maiores aos holandeses e a confiança aumentava.

Nesta crescente, a Holanda abriu o placar aos 34 minutos, num lance bem trabalhado. Sem que a Croácia afastasse o perigo, a Oranje trocou passes rápidos pela esquerda. Aké quebrou as linhas com uma enfiada e Wieffer foi ainda melhor na área, para inverter a direção da jogada. Abriu o passe na direita, onde Malen teve tempo para dominar e acertou o canto inferior de Livakovic com um tiro cruzado. A fase recente do ponta é ótima e ele sublinha isso. A Croácia levaria um tempo para se recuperar e voltar ao ataque. Ivanusec se infiltrou aos 39, mas chutou torto. Contudo, a Oranje seguia bem compacta e preservou a vantagem rumo ao intervalo.

Segundo tempo

O ritmo da partida aumentou um pouco na volta para o segundo tempo, com posses mais rápidas e alternâncias entre os times. A Croácia seria a primeira a esboçar o empate, num chute colocado de Kramaric que tirou tinta da trave aos quatro minutos, mas havia impedimento no lance. Os croatas estavam mais ligados e passaram a incomodar. Juranovic teve um bom lance pela direita, pouco antes de um pênalti ser marcado para os axadrezados. Gakpo perdeu a bola para Modric, que tomou à frente do atacante e sofreu a falta dentro da área. Kramaric cobrou a penalidade aos dez minutos e deixou tudo igual, com uma batida leve no meio do gol.

A Holanda tentou uma resposta imediata. Wieffer arriscou da entrada da área e mandou por cima da meta, aos 12. A decisão de Ronald Koeman foi a de aumentar a presença de área, com Wout Weghorst no lugar de Xavi Simons, o que deslocava Gakpo para a ponta esquerda. Entretanto, os holandeses não conseguiram exercer uma pressão contínua. Logo a Croácia voltou a ditar o ritmo. Gakpo até forçaria uma defesa tranquila de Livakovic aos 24. Entretanto, os croatas passaram a ficar mais no ataque e assustaram numa batida de Perisic por cima, em lance logo anulado por impedimento.

O gol da Croácia se tornava cada vez mais maduro. Os balcânicos estavam à espreita do momento certo de dar o bote. A virada se consumou aos 28, num ótimo lance de Ivanusec pela esquerda. O ponta encarou a marcação e esperou o instante de fazer o cruzamento à meia altura. Pasalic apareceu no meio de dois adversários e bateu de primeira, no canto inferior, tirando do alcance de Biljow. O gol fez Koeman realizar mais duas mudanças e botar jogadores mais tarimbados em campo, com Georginio Wijnaldum e Steven Bergwijn nas vagas de Wieffer e Malen. Já as primeiras trocas de Zlatko Dalic no time croata foram Nikola Vlasic e Josip Stanic, saindo Ivanusec e Juranovic aos 34.

Sem muita qualidade pelo chão, a Holanda apostava nas bolas aéreas. Livakovic precisou sair de soco num cruzamento fechado, antes de fazer uma defesa tranquila em cabeçada de Van Dijk. A Oranje tinha pressa, mas faltava mais qualidade. Mais uma cartada de Koeman veio com Noa Lang, um ponta, na vaga do lateral Dumfries. Lovro Majer renovou as energias no meio da Croácia, no lugar de Kovacic. Neste momento tenso, Vlasic até arriscou um chute para fora aos 40, mas a missão dos croatas estava em se defender. Não à toa, Martin Erlic reforçou a zaga com a saída do centroavante Kramaric.

A arbitragem deu seis minutos de acréscimos, tempo suficiente para a Holanda reagir. A bola, todavia, insistia em não entrar. Gakpo teve uma chance de ouro aos 46, numa bola limpa que caiu em seus pés, mas o atacante emendou para fora. Depois, Aké tentou uma puxeta e não pegou em cheio, para Livakovic agarrar. Até o goleiro Biljow subiu para o ataque, em meio a uma sucessão de chuveirinhos. E a persistência deu resultado somente aos 51, no último minuto adicional. Sem que a defesa da Croácia afastasse por completo o cruzamento, a bola espirrada ficou com Noa Lang na área. O substituto chutou no alto da meta e decretou o empate, para forçar a prorrogação.

Prorrogação

Zlatko Dalic retomou sua formação em 4-3-3 no início da prorrogação, ao tirar Sutalo da zaga e mandar a campo o atacante Bruno Petkovic. A Holanda ainda parecia mais ofensiva no início do primeiro tempo extra, mas logo a Croácia restabeleceu seu jogo e voltou a atacar mais. Aos oito minutos, o terceiro gol nasceu com o carimbo de Petkovic. Modric acionou o centroavante, que escapou de Frenkie de Jong no domínio e arriscou de fora da área. Foi um chute cirúrgico, que fugiu do bloqueio de Van Dijk e também da ponta dos dedos de Biljow, com uma curva para dentro que permitiu à bola entrar no canto. A Oranje sentiu o gol e deixou até mais espaços para os croatas buscarem o quarto gol. As chegadas dos axadrezados ainda eram mais perigosas, mas ninguém completou os cruzamentos que passaram pela área.

Marten de Roon e Tyrell Malacia entraram em campo no início do segundo tempo da prorrogação, substituindo Gakpo e Aké. A partida ficava mais elétrica e ainda aberta, sem qualquer sinal de definição. Vlasic poderia ter concluído o serviço para a Croácia, numa bola espetada em que saiu de frente com Biljow, mas o goleiro foi muito bem para bloquear o chute. A resposta da Holanda garantiu um lance ainda melhor aos cinco minutos. Livakovic realizou uma defesaça no chute cruzado de Bergwijn pela direita e, mesmo com a meta aberta, Lang mandou na rede pelo lado de fora. E, nesta trocação, aos nove, de novo os croatas ficaram a um triz do quarto. Pasalic deixou Bijlow caído num corte seco e, com o goleiro para trás, o ponta mandou no travessão. Ainda haveria um tento anulado dos axadrezados nessa sequência maluca.

A confirmação da vitória da Croácia aconteceu aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação, quando Bruno Petkovic sofreu um pênalti de Malacia. Modric assumiu a cobrança e só deslocou Biljow, balançando as redes. A essa altura, os torcedores holandeses já deixavam as arquibancadas. Zlatko Dalic ainda fez questão de substituir seu capitão, para Modric ser ovacionado enquanto dava lugar a Borna Barisic. E quase houve tempo para o quinto tento, outro de Petkovic, anulado por impedimento nos acréscimos. Com o apito final e o triunfo selado, os croatas ressaltavam mais uma vez sua casca em grandes partidas, ainda mais liderados por um gigante como Modric. Vão à final e não seria exagero classificá-los de antemão como favoritos contra Espanha ou Itália. O momento recente dos balcânicos é melhor, assim como seus jogadores parecem mais acostumados às grandes ocasiões.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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