Liga das Nações

Os grandes jogos que marcaram a trajetória de França e Espanha

França costuma levar a melhor em cima da Espanha, historicamente

Em março de 2017, França e Espanha se enfrentavam em um jogo amistoso, no Stade de France, em Paris. Para o público geral, apenas mais uma partida comum entre grandes, com vitória espanhola por 2 a 0, gols de David Silva e Gerard Deulofeu.

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Quatro anos depois, muita coisa mudou, e deu até tempo para que a França fosse campeã mundial. Neste domingo, as duas seleções voltam a se enfrentar, valendo o título da segunda edição da Liga das Nações, o que pode mudar radicalmente a rota que espanhóis e franceses pretendem seguir nos próximos anos.

Mas para entender o que está em jogo, além da taça, evidentemente, talvez seja interessante relembrar outros duelos decisivos envolvendo essas duas seleções. Que tal voltar um pouco no tempo, começando nos anos 1980?

1984: Platini resolve

A história entre França e Espanha já teve 35 confrontos, mas poucos deles por competições oficiais, como o jogo que encerra a edição 2021 da Nations. O mais célebre deles, naturalmente, é a final da Euro de 1984. Na ocasião, o duelo tinha amplo favoritismo dos Bleus, não só porque eram os anfitriões do torneio, mas porque tinham uma equipe em ascendente desde 1982, quando fizeram boa campanha na Copa do Mundo e só foram parados pela finalista Alemanha, em um jogo controverso e lembrado pela agressão de Harald Schumacher a Patrick Battiston.

Dois anos depois, a França tinha Michel Platini em forma estupenda, carregando uma equipe interessante e fazendo gols em momentos cruciais. Não à toa, o camisa 10 terminou o torneio com 9 gols. A Espanha, por sua vez, contava muito mais com sua organização do que necessariamente com jogadores que tinham grande potencial decisivo. Composto por muitos jogadores do Athletic Bilbao e da Real Sociedad, que eram as forças dominantes naquela primeira metade de década em La Liga, a Fúria tinha seu jogador mais emblemático no banco: Emilio Butragueño, que sequer entrou em campo. Não deu outra: os Bleus venceram com gols de Bruno Bellone e Michel Platini.

2000: Caminho aberto para o bicampeonato europeu

Quando a França caminhava para o bicampeonato europeu, em 2000, mais uma vez a Espanha cruzou com os Bleus, na semifinal. Eram tempos bastante proveitosos para os franceses, que dois anos antes haviam levantado o título mundial, contra o Brasil. Os espanhóis, que dispunham de uma geração de bons nomes, mas sem resultados impactantes, chegava com Gaizka Mendieta, Pep Guardiola e Raúl González para encarar a parada duríssima de Zinedine Zidane, Didier Deschamps e Thierry Henry, praticamente o mesmo time campeão em 1998.

Mais uma vez, o camisa 10 da França chamou para si o protagonismo: Zidane meteu um golaço de falta na primeira etapa e abriu a contagem para mais uma vitória. Mendieta empatou de pênalti, mas Youri Djorkaeff devolveu a vantagem aos franceses antes do intervalo. E a França avançou para pegar a Itália na decisão, vencendo com gol de ouro de David Trezeguet. Bons tempos.

2006: O show de Zizou

Desacreditada após uma primeira fase ruim, a França não despertava boas expectativas quando chegou à fase de mata-mata na Copa do Mundo de 2006. Zidane, que voltava de suspensão, reencontrava muitos de seus colegas de Real Madrid, naquele que foi seu último torneio. A Espanha se reformulou e começava a montar aquela que seria a sua geração vencedora em 2008, com Xavi, Xabi Alonso, Cesc Fàbregas, Fernando Torres e… Raúl, que se despediria logo depois da seleção. Quem esperava uma afirmação da Fúria como grande força, se decepcionou. Zidane resolveu pegar a bola debaixo do braço e acabou com o jogo.

O primeiro gol foi de David Villa, de pênalti, e muita gente já estava convencida de que seria o fim da linha para a geração francesa que dominou o mundo entre 1998 e 2000. Porém, a experiência ajudou na hora de buscar a virada. Franck Ribéry empatou ainda no primeiro tempo, e quando a partida se aproximava da prorrogação, Patrick Vieira e Zidane marcaram para eliminar a Espanha. Já tinha virado freguesia nesse ponto.

2012: O primeiro troco espanhol

Demorou, mas finalmente a Espanha conseguiu uma conquista. Campeã da Euro em 2008, a Fúria também chegava com mais força do que a França em questão de elenco. Pela primeira vez nos duelos entre esses países, o time espanhol sobrava em relação ao rival, buscando uma vaga nas semifinais da Euro 2012. Os Bleus, que procuravam uma resposta após o vexame da Copa de 2010, chegavam com Karim Benzema, Ribéry e Florent Malouda como destaques. Muito pouco para fazer frente ao poderosíssimo grupo espanhol.

E aí veio a vingança pelos outros confrontos. Xabi Alonso foi o responsável pela vitória em Donetsk, com dois gols, despachando a combalida França sem muita dificuldade. Posteriormente, a Espanha renovou seu título na Euro e bateu a Itália com uma tremenda goleada por 4 a 0.

Neste domingo, Espanha e França farão a segunda final deste duelo que já virou um clássico. A França tem a seu favor o fato de ser a atual campea mundial e ter uma equipe bastante parecida com a que foi bicampeã em 2018, com Didier Deschamps quase como intocável e apenas uma recente queda de rendimento como fator preocupante. A grande virada diante da Bélgica é um atestado de que os Bleus não estão para brincadeira. Por outro lado, a Espanha quer provar que sua juventude pode dar frutos sob o comando de Luís Enrique, e essa sede já ficou aparente contra a Itália, nas semifinais.

Às 15h45, no San Siro, em Milão, a bola rola para conhecermos o segundo campeão da Nations. Leva quem está propondo algo novo, ou quem não quer parecer um grande time que relaxou demais?

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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