Liga das Nações

Numa atuação heroica em Kiev, a Ucrânia conteve a pressão e venceu a Espanha pela primeira vez em sua história

A Ucrânia iniciou a Data Fifa de maneira dramática. Com 14 desfalques, entre lesões e contaminações por COVID-19, a equipe nacional sofreu a maior derrota de sua história: terminou goleada pela França por 7 a 1, em amistoso disputado no Stade de France. O desempenho melhorou bastante no final de semana, apesar da derrota para a Alemanha por 2 a 1. Já nesta terça, os ucranianos buscaram uma vitória histórica em Kiev. Derrotaram a Espanha pela primeira vez, por 1 a 0, em resultado que deixa o time de Andriy Shevchenko vivíssimo na Liga das Nações. O goleiro Heorhiy Bushchan, que precisou segurar a bronca contra os franceses por ser o único de sua posição apto ao amistoso e falhou contra a Alemanha, desta vez saiu como herói e colecionou defesas fundamentais ao triunfo sobre os espanhóis.

Não bastassem os outros problemas, a Ucrânia ainda precisou se virar sem Ruslan Malinovskyi, suspenso. Andriy Yarmolenko era a figura mais tarimbada na escalação de Shevchenko, com Roman Yaremchuk jogando de referência. Já a Espanha mudou meio time em relação à vitória contra a Suíça. A principal novidade era a entrada de Adama Traoré como titular, compondo uma trinca ofensiva com Rodrigo Moreno e Ansu Fati.

O primeiro tempo seria um bombardeio da Espanha. A equipe de Luis Enrique teve quase 80% de posse de bola e finalizou bastante, apesar da marcação cerrada da Ucrânia. A estratégia do anfitriões no Estádio Olímpico de Kiev era se resguardar atrás e encontrar alguma bola longa que permitisse o gol da vitória. Assim, diante da iniciativa da Roja, quem precisou se desdobrar foi Bushchan. O goleiro operaria seus principais milagres na etapa inicial. Logo aos 12 minutos, voou para espalmar a cabeçada à queima-roupa de Rodrigo. Ansu Fati chutou em cima do arqueiro pouco depois, livre pela esquerda. E o camisa 1 também buscaria uma cobrança de falta de Sergio Ramos que seguia em direção ao ângulo, aos 20.

A pressão da Espanha se perderia um pouco com o passar dos minutos, com o time desequilibrado, pendendo muito à participação de Adama Traoré pela direita. E, no segundo tempo, a Ucrânia começou a acreditar na vitória. Logo no primeiro ataque, Oleksandr Zubkov desperdiçou uma chance claríssima, por mais que estivesse em posição de impedimento. Os ucranianos passaram a sair ao ataque e a dar sufoco nos visitantes. Luis Enrique logo seria forçado a realizar mudanças no time, ganhando um respiro especialmente com a participação de Dani Ceballos no meio-campo.

A Espanha voltou a ameaçar a partir dos 15 minutos. Rodri chegou a acertar a parte externa da trave em um chute de fora da área, assim como Adama Traoré voltou a testar Bushchan. O goleiro também fechou muito bem o ângulo de Ferrán Torres, quando o jovem achou espaço na área. A Ucrânia esperava um ataque bem construído para vencer. E ele veio aos 31. Numa bola longa vencida no meio, Yarmolenko descolou um ótimo lançamento e achou Viktor Tsygankov passando nas costas da zaga. O jovem, que saíra do banco, tinha o caminho livre e aproveitou o péssimo posicionamento de David de Gea para finalizar de fora, tirando do alcance do goleiro.

O gol fez a Ucrânia fincar o pé ao redor da sua área, se protegendo muito bem do abafa da Espanha. A equipe de Luis Enrique não tinha muita organização, abusando dos cruzamentos, sem que isso se convertesse em oportunidades. A zaga ucraniana afastava com segurança os chuveirinhos e, quando necessário, Bushchan intervinha para agarrar a bola. Sergio Ramos era a principal ameaça da Roja, sem um atacante que tomasse conta da área. Na melhor tentativa do capitão, o tiro saiu por cima do travessão.

Em seis encontros anteriores, a Espanha havia vencido a Ucrânia cinco vezes e empatado outra – incluindo os 4 a 0 em Madri na Data Fifa anterior. Os ucranianos exibiram um futebol bastante pragmático e dependeram de seu goleiro. Ainda assim, não deixa de ser um resultado emblemático à equipe de Shevchenko, confirmada na próxima Euro. A Espanha lidera o Grupo 4 da Liga das Nações, com sete pontos, mas a Ucrânia iguala os seis pontos da Alemanha e se coloca na disputa pela fase final do torneio continental.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo