‘Isso não conta’: Jorge Jesus convoca Cristiano Ronaldo, mas faz alerta em Portugal
Treinador divulgou primeira lista para Liga das Nações após eliminação para Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo
Após a eliminação para a Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo e a saída de Roberto Martínez, Jorge Jesus divulgou sua primeira convocação à frente de Portugal. Além de promover quatro novidades em relação ao grupo que viajou à América do Norte, o técnico também incluiu Cristiano Ronaldo em sua lista
Aos 41 anos, o atacante é um dos remanescentes do Mundial para os primeiros quatro compromissos da Liga das Nações. Jesus, que trabalhou com Cristiano Ronaldo no Al-Nassr na última temporada, admitiu que seu status e currículo na seleção portuguesa o diferenciam dos demais, porém, não são garantia de sequência entre os titulares, que serão escolhidos com base no rendimento atual.
— O passado dele não conta. Conta em termos de todo a história que tem, mas o desempenho dele e de todos é que vão ditar as decisões que tenho de tomar — disse o treinador em coletiva na sexta-feira (18).
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Dono absoluto da posição no torneio da Fifa, o camisa 7 foi criticado pela pouca participação no jogo coletivo dos lusos sob o comando do espanhol. Embora caminhe para a aposentadoria, Cristiano Ronaldo é visto como nome fundamental para o início de trabalho de Jorge Jesus, que valorizou já ter trabalhado diretamente com 13 dos 25 convocados.
— O Cristiano é um jogador como todos os outros, se tem rendimento joga, se não tem rendimento, não joga. É assim que faço com todos, não é por ser o Cristiano. Se tem status diferente? Tem! A carreira dele é diferente, tem cinco Bolas de Ouro. Mas isso conta para as minhas decisões? Não — finalizou o técnico.
A convocação de Jorge Jesus em Portugal para Liga das Nações
- Goleiros: Diogo Costa (Porto), Rui Silva (Sporting), Samuel Soares (Benfica);
- Defensores: Gonçalo Inácio (Sporting), Renato Veiga (Villarreal), Rúben Dias (Manchester City), Tomás Araújo (Benfica), João Cancelo (Barcelona), Diogo Dalot (Manchester United), Nuno Tavares (Lazio), Nuno Mendes (PSG);
- Meias: Bruno Fernandes (Manchester United), João Palhinha (Benfica), Ruben Neves (Al-Hilal), João Neves (PSG), Vitinha (PSG), Bernardo Silva (Real Madrid);
- Atacantes: Cristiano Ronaldo (Al-Nassr), Fábio Silva (Borussia Dortmund), Francisco Trincão (Al-Ahli), Francisco Conceição (Juventus), Gonçalo Ramos (Milan), João Félix (Al-Nassr), Pedro Neto (Chelsea) e Rafael Leão (Galatasaray).
Samuel Soares, Nuno Tavares, João Palhinha e Fábio Silva, que não foram chamados por Martínez para a Copa, são as surpresas de Jesus para os jogos contra País de Gales (24/09); Noruega (27/09 e 4/10); e Dinamarca (1/10).José Sá, Nélson Semedo, Samu Costa, Gonçalo Guedes e Matheus Nunes, convocados para o Mundial, não tiveram sequência com o novo Mister de Portugal.
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Jorge Jesus justicou a confiança em Soares, Tavares, Palhinha e Silva por suas boas atuações nos clubes. Com exceção do último, o trio já foi comandado pelo treinador no passado. Além disso, desconsiderando o volante (31 anos), o goleiro (24), o lateral (26) e o atacante (24) são jovens e podem chegar à Copa do Mundo de 2030 no auge físico e técnico, mas precisam de rodagem na seleção.
O que esperar desse novo ciclo?
Antes do último Mundial começar, a seleção portuguesa era apontada como uma das favoritas ao título. E a análise não era por acaso, já que os Quinas levantaram o título da Nations League 2024/25 diante da Espanha, que viria a ser campeã em cima da Argentina. Só que o antecessor de Jesus não conseguiu transformar uma das melhores gerações do futebol lusitano em uma unanimidade coletiva.
Mesmo com craques em todas as posições, Portugal foi incapaz de impor um jogo de aceleração e criação de oportunidades claras, se tornando monótono e previsível. Não à toa, a campanha na Copa foi uma decepção, seja nos empates pouco convincentes contra República Democrática do Congo e Colômbia, na fase de grupos, como na classificação dramática sobre a Croácia, nos 16-avos de final.
A seleção de Roberto Martínez só jogou minimamente bem na goleada sobre o Uzbequistão, que fazia sua estreia na competição. Para além das cobranças sobre Cristiano Ronaldo, nomes como Nuno Mendes, Vitinha e João Neves, pilares de Luis Enrique no PSG bicampeão da Champions League, não se destacaram individualmente.
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Bruno Fernandes, que havia acabado de ser eleito o melhor jogador da Premier League com o Manchester United, também causou pouco impacto, assim como Bernardo Silva, líder histórico do Manchester City. Mesmo com um meio-campo entre os mais fortes do mundo, os lusos apresentaram uma falta de repertório ofensivo assustadora.
Só que, sob o comando de um dos treinadores mais vencedores de sua história, isso deve mudar. A seleção portuguesa de Jorge Jesus deve priorizar “meias com mais andamento e mais dinâmica”, como adiantado por ele em uma de suas primeiras entrevistas após a efetivação no cargo junto à federação.
Com a combinação entre juventude e experiência, os Quinas terão quatro anos para consolidar sua nova filosofia com o Mister. Não é possível garantir o sucesso de Jesus, mas é preciso reconhecer que Portugal escolheu uma das melhores opções disponíveis para liderar uma seleção que pode apresentar um futebol bem mais atrativo para, quem sabe, de fato brigar por seu primeiro Mundial.