Liga das Nações

Dinamarca expõe problemas coletivos da França e vence em Copenhague

Com boa atuação e Eriksen, Dinamarca contou com um bom jogo coletivo para vencer uma França cheia de talento, mas pobre em ideias

É inegável que a França tem um dos melhores elencos entre seleções do mundo, mas a Dinamarca mostrou que os campeões mundiais também têm problemas. Em casa, no Estádio Parken, em Copenhague, venceram por 2 a 0, com ótima atuação do meia Christian Eriksen, o melhor em campo. Apesar de uma enorme gama de talentos, os franceses ficaram devendo futebol. Em uma partida que individualmente seus craques não resolveram, prevaleceu o melhor senso de equipe dos dinamarqueses.

Cheia de desfalques – foram 14 no total, alguns deles titulares -, a França entrou em campo com o meio-campo de jogadores jovens do Real Madrid. No gol, Alphonse Areola começou jogando, já que Mike Maignan se machucou e Hugo Lloris não foi nem convocado justamente por isso. Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga formaram a dupla central no 3-4-1-2 da França.

A linha defensiva era bastante nova: William Saliba, Dayot Upamecano e Benoit Badiashile. Benjamin Pavard foi o ala pela direita, Ferland Mendy pela esquerda. à frente deles, Antoine Griezmann, vindo mais de trás, Kylian Mbappé e Olivier Giroud. A Dinamarca, sensação na Euro, foi em um 4-3-3, com Christian Eriksen como principal jogador de meio-campo, ao lado de Thomas Delaney e Pierre-Emile Hojbjerg.

Os primeiros minutos tiveram a França melhor no jogo, chegando mais, atacante e criando chances. O trio de ataque, com Griezmann mais recuado fazendo um papel de meia ofensivo, funcionava bem. Era ele o melhor da França nesse sentido. Só que aos poucos a Dinamarca entrou no jogo e passou a dificultar as ações francesas, ao mesmo tempo que chegava mais.

Aos 33 minutos, a Dinamarca abriu o placar em Copanhague. Em um passe maravilhoso de Eriksen para Damsgaard, o ponta cruzou para a área e encontrou Kasper Dolberg, que se jogou na bola para colocar na rede: 1 a 0.

O segundo gol não demoraria a sair. Aos 38 minutos, em cobrança de escanteio, veio um toque na segunda trave de Joachim Andersen, Delaney ajeitou e Andreas Skov Olsen finalizou forte, sem dar chance de defesa: 2 a 0. Eram 39 minutos do primeiro tempo e esse seria o placar do primeiro tempo.

Para o segundo tempo, Didier Deschamps resolveu mudar. Deixou no vestiário Camavinga e Saliba, que deram lugar a Youssouf Fofana e Jonathan Clauss. Assim, Pavard foi colocado na linha de zagueiros para que Clauss explorasse o corredor pela direita. E Clauss começou já chegando bem à linha de fundo, causando perigo.

A França chegou com perigo aos 20 minutos, quando Griezmann achou ótimo passe para Mbappé, que saiu na cara do goleiro Kasper Schmeichel, mas desperdiçou a chance, em finalização defendida pelo goleiro. Logo depois, ele tabelou com Clauss e, de fora da área, finalizou com perigo, novamente sem conseguir o gol mas obrigando boa defesa de Schmeichel.

Os Blues pressionavam. Em bola levantada para a área, Christophe Nkunku ajeitou de cabeça para Mbappé, que teve novamente liberdade e ele finalizou com força, mas o goleiro dinamarquês defendeu mais uma.

Apesar da pressão francesa, a Dinamarca resistiu. Aos poucos, retomou o controle do jogo e contou com um certo desânimo da França para voltar a ficar com a bola e esfriar um pouco o jogo. Passou até a criar jogadas, como em escanteio que Martin Braithwaite, que entrou no segundo tempo, quase marcou. No fim, vitória da Dinamarca.

Os nórdicos têm motivos para comemorar, porque mostram mais uma vez, assim como fizeram na Eurocopa, que têm um time com capacidade para fazer um bom papel na Copa do Mundo. Não é uma geração particularmente talentosa, mas é coletivamente um time muito forte.

Já a França tem problemas que precisarão ser tratados nessa preparação para a Copa. O jogo coletivo do time tem falhado e a conta vai cair nas costas de Didier Deschamps, que é responsável por dar mais repertório ao time. Não se engane: a França continua como uma das grandes favoritos na Copa do Mundo, que é um torneio completamente diferente. O que a Dinamarca fez, porém, foi expor algo que já tinha aparecido antes e ficou mais evidente: há um problema de senso coletivo do time francês, que é um dos mais talentosos do mundo.

A vitória leva a Dinamarca a 12 pontos, terminando em segundo lugar no Grupo 1 da Liga das Nações, ainda atrás da Croácia, que venceu a Áustria jogando em casa e é quem vai para a semifinal da competição. A França fica em terceiro lugar, com cinco pontos. A Áustria termina em último, com quatro pontos, e cai para a Liga B.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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