Liga das Nações

Vitória da Bélgica sobre a Itália mostra distância entre seleções que é injustificável

Em casa, seleção italiana perde por 2 a 0 em dia de novos trabalhos iniciando à beira do campo

Entre os vários inícios de trabalhos que marcam essa primeira rodada da Liga das Nações, mais dois deram o pontapé inicial nesta sexta-feira (25), no Estádio Olímpico, em Roma. A seleção italiana, com a reestreia de Roberto Mancini, e a Bélgica, agora sob o comando de Mark van Bommel, duelaram, e o lado visitante saiu com a vitória por 2 a 0.

Foi uma atuação quase completa dos belgas. No primeiro tempo, mais dominantes com a bola, poderiam ter goleado se não fosse Gianluigi Donnarumma. Em jogada rápida, Kevin de Bruyne acionou Mika Godts, que deixou dois no chão e abriu o placar aos 19 minutos.

Trivela: Futebol europeu por quem entende

Trivela: Futebol europeu por quem entende

Leia →

Na etapa final, quando a Azzurra passou a ter mais a posse, surgiu Dodi Lukebakio para puxar contra-ataque e ampliar em bonita jogada individual. Um resultado que foi absolutamente justo e expõe uma realidade que é injustificável aos italianos.

Itália não deveria parecer tão atrás da Bélgica

Claro que foi só um jogo, mas o campo mostrou um time pronto e um depenado. Os Diabos Vermelhos, em um 4-3-3 bem desenhado, colocaram a bola no chão, encontravam jogadores entre as linhas, tinham drible nas pontas e equilíbrio com os laterais atuando de forma mais centralizada.

Rapidamente, Van Bommel deu uma cara à sua seleção — aliás, bem diferente de seu antecessor, Rudi Garcia, que era mais conservador. A Bélgica atuou como um time moderno, que sabe o que fazer com a bola, e deu um show no primeiro tempo.

De Bruyne parece que voltou aos tempos de Manchester City. Teve muito espaço por dentro, apesar de o setor ter três adversários (Nicolò Barella, Sandro Tonali e Alessandro Romano), e ditou o ritmo como não fazia há muito tempo, pois o meia do Napoli tem sofrido fisicamente. Youri Tielemans, o outro meia à frente de Nicolas Raskin, foi outro a ser muito participativo sem a bola.

Mesmo na etapa final, quando teve menos a bola, a Bélgica se adaptou e se tornou mais vertical. Colocou Lukebakio para ganhar fôlego na ponta e foi recompensada com a ampliaçãpo do placar.

Enquanto isso, a Itália patinou. Em 90 minutos, talvez só tenha sido realmente superior nos primeiros oito após o retorno do intervalo, quando acumulou sete finalizações. No restante, foi um time que se defendeu mal, o que se justifica, em parte, pelas ausências de Marcos Palestra, Alessandro Bastoni e Federico Dimarco.

Ofensivamente, não tinha 50% da criatividade belga. Lutava para ter alguma trama de passes por dentro, só sendo efetiva assim em pivôs de Pio Esposito. Sem o jogo interno, precisava usar as pontas, mas Moise Kean e Nicolò Cambiaghi não tiveram uma atuação igual à dos adversários.

Os trabalhos de Mancini e Van Bommel acabaram de começar, mas só um pareceu ter uma filosofia clara e um caminho. A Itália deu a sensação de desentrosamento, o que seria natural se o rival não tivesse mostrado tanto. Mancini terá um grande trabalho pela frente.

Bélgica domina todo o 1º tempo

A Itália foi basicamente um nada no primeiro tempo. Mal defendendo e atacando. Até chegou a carimbar a trave com Esposito, que jogada anulada por impedimento, e teve uma boa chance com Moise Kean graças à jogada individual de Nicolò Cambiaghi. De resto, só deu Bélgica.

Com um meio-campo bem móvel, se movimentando muito nas costas da marcação, a equipe avançava com naturalidade pelos passes de Tielemans e De Bruyne para os pontas Godts e Diego Moreira. O placar seria muito mais de 1 a 0 se não fosse Donnarumma salvando finalizações de Charles De Ketelaere (duas vezes), Nicolas Raskin e Godts.

Ainda teve Moreira, de frente para o gol, acionado na pequena área, não conseguindo chutar uma oportunidade que fatalmente seria gol. De Cuyper e Godts, em tentativas que foram para fora, também se aproximaram de marcar. Um baile do visitante.

Godts celebra gol da Bélgica
Godts celebra gol da Bélgica (Foto: IMAGO / Insidefoto)

Melhora da seleção italiana não é suficiente

Atrás do placar e em casa, naturalmente a Itália melhoraria. Conseguiu incomodar a defesa belga com um bombardeio de finalizações e Senne Lammens teve que fazer quatro defesas no espaço de 10 minutos, brilhando em especial na tentativa de Kean.

Aos poucos, porém, a Azzurra foi baixando o ritmo. O gol de Lukebakio aos 23 matou qualquer chance de reação. Na pressão final, totalmente no abafa, viu, no máximo, Giorgio Scalvini isolar chance na pequena área.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo