Liga das Nações

A Suécia não passou de um empate em casa com a Eslovênia e amargou a queda para a terceirona da Nations

Sesko anotou um gol espetacular em Solna e o empate encerrou uma melancólica campanha da Suécia com o rebaixamento para a Liga C

A Suécia deixou a Copa do Mundo de 2018 em alta. Fez um papel digno contra adversários duros e reapareceu nas quartas de final após 24 anos. Mesmo com o desempenho positivo na Rússia, porém, o sinal de alerta já soava para uma geração envelhecida dos escandinavos. Os suecos passaram longe de empolgar na Euro 2020, com uma campanha até as oitavas de final, e ficaram pelo caminho nas Eliminatórias para a Copa de 2022, sem passar pela Polônia na repescagem. Já o ponto mais baixo desse declínio acontece na Liga das Nações, com o segundo rebaixamento consecutivo. A Suécia precisará disputar a Liga C em 2024/25, após não passar de um empate por 1 a 1 com a Eslovênia na Friends Arena, quando precisava da vitória em casa. Termina na melancólica lanterna do Grupo B4.

A Suécia originalmente iniciou sua trajetória na segunda divisão da Liga das Nações e conquistou o acesso imediato em 2018/19, num grupo que também reunia Turquia e Rússia. Entretanto, na edição passada, o time não aguentou o tranco na Liga A. Perdeu os quatro jogos contra França e Portugal, rebaixada pelo saldo negativo na concorrência com a Croácia na parte inferior da tabela. De novo, os escandinavos precisariam se recolocar na Liga B do torneio continental em 2022/23.

Cabeça de chave, a Suécia era teoricamente a favorita no Grupo B4, contra Sérvia, Noruega e Eslovênia. Apesar disso, os adversários demandavam cuidados. E os auriazuis até começaram sua jornada com vitória, graças aos 2 a 0 sobre os eslovenos em Ljubljana. Depois disso, foram ladeira abaixo. Perderam para Noruega e Sérvia em Solna, antes da derrota diante dos rivais noruegueses por 3 a 2 na visita a Oslo. O fundo do poço na sequência negativa aconteceu no último sábado, com a goleada por 4 a 1 sofrida diante dos sérvios em Belgrado. O acesso não se tornava mais possível e os escandinavos precisavam lutar contra o rebaixamento.

Dois pontos à frente na tabela, a Eslovênia jogava por um empate em Solna nesta terça-feira. Só a vitória poderia livrar a Suécia do rebaixamento. Os anfitriões começaram mais perigosos, mas logo os eslovenos cresceram e tornaram a missão dos adversários mais difícil. Aos 28 minutos, Benjamin Sesko abriu o placar com um golaço. Depois do lançamento de Petar Stojanovic, o jovem centroavante pegou na veia de canhota, num sem-pulo com pouco ângulo que superou Robin Olsen. O goleiro, aliás, teve que trabalhar para evitar o segundo.

A Suécia melhorou depois disso e também martelou até empatar aos 42, numa bela jogada individual de Emil Forsberg, que chutou firme da entrada da área. Entretanto, a pressão dos escandinavos no segundo tempo pouco adiantou. Mesmo com 75% de posse de bola, a equipe da casa não criou tantas chances claras e ameaçou pouco Jan Oblak, seguro quando precisou intervir. Os suecos ainda correram o risco de tomar o segundo, com oportunidades até melhores da Eslovênia nos contragolpes. A queda se tornou inescapável.

A Suécia somou apenas quatro pontos em seis partidas pela Liga das Nações. A equipe teve a segunda pior defesa da Liga B, com 11 gols tomados, à frente apenas da Armênia. É um desempenho fraquíssimo dos escandinavos, especialmente pela tradição de sua seleção. Desde a eliminação na Eurocopa, os suecos disputaram 15 partidas. Venceram apenas seis, com oito derrotas neste intervalo. A lista de decepções ainda inclui os 2 a 0 para a Geórgia em Batumi, que pulverizaram os planos de terminar à frente da Espanha no grupo das Eliminatórias, bem como os 2 a 0 da Polônia na decisão da repescagem para a Copa.

À frente da Suécia desde 2016, Janne Andersson marcou seu nome pela classificação sobre a Itália na repescagem de 2018 e também pela campanha no Mundial da Rússia, mas não parece tão respaldado neste momento. Restam dúvidas quanto à sua continuidade no comando. Mas não que o material humano seja tão bom assim. Apesar da presença de jogadores como Dejan Kulusevski, Emil Forsberg e Victor Lindelöf na escalação desta terça, os suecos chamam pouca atenção no papel em relação a outros concorrentes na Liga B, ainda mais desfalcados de Alexander Isak. E se o conjunto não compensa a falta de individualidades, o descenso para a terceirona na Nations nem surpreende tanto assim.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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