A embalada Dinamarca superou a badalação da França e buscou uma virada marcante em Saint-Denis
Numa partida bastante movimentada, a Dinamarca conseguiu arrancar a vitória no apagar das luzes, enquanto a França lamentou as lesões
O Stade de France abrigou nesta sexta-feira uma prévia da Copa do Mundo. França e Dinamarca, que se enfrentarão no Catar, também estão no mesmo grupo da Liga das Nações. E os dinamarqueses mostraram em Saint-Denis que os franceses terão vida difícil, ressaltando o bom nível que já tinha os levado às semifinais da Euro e à campanha destacada nas Eliminatórias. Os escandinavos saíram com a vitória por 2 a 1, numa grande virada arrancada nos minutos finais do duelo. Se Karim Benzema até atendeu às expectativas e marcou um belo gol, o herói da noite seria outro personagem de destaque na temporada – Andreas Cornelius, artilheiro do Trabzonspor no fim do jejum pelo Campeonato Turco. O centroavante saiu do banco e marcou os dois gols da Dinamarca, explorando as fragilidades evidentes da defesa dos Bleus. Hojbjerg e Maehle foram outros dois que gastaram a bola e possibilitaram o triunfo, que encerra uma invencibilidade de 20 partidas dos anfitriões.
A França entrou em campo num 3-4-1-2. Kylian Mbappé e Karim Benzema eram apoiados na frente por Antoine Griezmann. Já a linha central tinha Theo Hernández e Kingsley Coman nas alas, além de Aurélien Tchouaméni e N’Golo Kanté pelo meio. Didier Deschamps, por conta do falecimento de seu pai, era ausência na beira do campo. A Dinamarca vinha num esquema parecido, um 3-4-2-1. Daniel Wass e Joakim Maehle eram fundamentais nas alas, com Thomas Delaney e Pierre-Emile Hojbjerg como volantes. Andreas Skov Olsen e Christian Eriksen atuavam na ligação, enquanto Kasper Dolberg era o homem de referência.
A Dinamarca entrou em campo com uma rotação mais alta e isso permitiu que os escandinavos criassem os primeiros perigos da noite. Num avanço pela direita, no qual a zaga da França cochilou, a bola desviada por Dohlberg atravessou a área e sobrou para Maehle no segundo pau. O ala bateu quase sem ângulo, triscando a trave. Os escandinavos permaneceram mais intensos, até que os Bleus começassem a acordar a partir dos 10 minutos. Benzema teve grande papel nisso, ao buscar o jogo mais atrás e partir com a bola dominada. Numa dessas, aos 13, seu chute seria providencialmente bloqueado dentro da área.
Nesta crescente da França, Benzema até balançou as redes aos 15. Mbappé acionou o companheiro de ataque, que estava impedido na hora de definir diante de Kasper Schmeichel. Os franceses passaram a dominar as ações a partir de então e a controlar a bola no campo de ataque. Tchouaméni era essencial nessa imposição dos Bleus. Porém, a Dinamarca também acertou sua marcação e conseguiu travar os adversários. Os escandinavos ainda assustaram no fim da primeira etapa, em mais uma aparição de Maehle na área, mas para a defesa de Hugo Lloris. Problema maior veio pouco antes do intervalo, quando Mbappé se lesionou.
Christopher Nkunku entrou em campo no lugar de Mbappé na volta para o segundo tempo. A mudança não atrapalhou a França. Pelo contrário, o melhor momento da equipe aconteceu na retomada da partida. Benzema quase abriu o placar aos três, num cruzamento de Kanté, em que exigiu grande defesa de Schmeichel. Já aos seis, o craque não perdoou – e foi um golaço. Acionado por Coman, Benzema aparecia como um ponta direita e partiu para dentro. Tabelou com Nkunku, que devolveu de calcanhar. E o melhor estava por vir: o centroavante deu uma linda finta com os dois pés, para se desvencilhar de dois marcadores. Depois, com muita frieza, ainda deixou um terceiro adversário no vácuo. Com o caminho livre, o mais fácil para o craque foi estufar as redes.
O momento favorecia a França, que permaneceu em cima nos minutos seguintes. Porém, a equipe teve outro problema de lesão e Raphaël Varane deu lugar a William Saliba. No mesmo momento, a Dinamarca fez três alterações – incluindo as entradas de Mikkel Damsgaard e Andreas Cornelius no setor ofensivo. A participação dos substitutos, combinada com a desorganização da zaga francesa, permitiu o empate dos escandinavos. Hojbjerg deu um passe primoroso por elevação, lançando a bola por cima da defesa adversária. Cornelius recebeu o presentaço, sozinho no meio da área, e fuzilou para as redes, aos 23. Três minutos depois, Skov Olsen mandou um chute forte da entrada da área e forçou a defesa difícil de Lloris.
A França também acordou quando mexeu no meio. Adrien Rabiot entrou na vaga de Griezmann. Mais solto, Kanté quase marcou um golaço aos 36. O volante chutou no capricho de fora da área, de chapa, e acertou a trave. O duelo se tornava mais aberto, mas pendia aos franceses, mais presentes no campo de ataque. Os contragolpes da Dinamarca, contudo, seriam fatais. Um aviso veio aos 41, quando Eriksen bateu rasteiro e Lloris operou uma senhora defesa. Já aos 44, o gol da virada ocorreu. Maehle lançou em profundidade e Cornelius disparou por trás da defesa. O centroavante resistiu à chegada de Saliba e, dentro da área, mandou uma pancada no teto da rede. Belo gol, que valia o triunfo aos escandinavos. No fim, apesar de certa insistência, os Bleus não fariam muita coisa para a virada. Lamentariam suas debilidades atrás.
França e Dinamarca estão no Grupo A1 da Liga das Nações. A rodada, aliás, teria outra surpresa na chave: a Áustria derrotou a Croácia por 3 a 0 em Osijek. Marko Arnautovic marcou o primeiro gol aos 41 minutos. Antes dos 15 do segundo tempo, Michael Gregoritsch e Marcel Sabitzer fecharam a contagem para os austríacos.



