A destemida Hungria faz por merecer a vitória sobre a Alemanha em Leipzig e fica a um empate do Final Four da Nations
A Hungria lidera o chamado "grupo da morte", com uma atuação excelente na visita à Alemanha, em que poderia ter vencido por mais
A Hungria não disputa uma Copa do Mundo desde 1986 e passou 44 anos longe da Eurocopa até seu retorno em 2016. Entretanto, nos últimos anos, poucas seleções europeias do segundo escalão foram mais destemidas que os magiares. Encarar as potências do continente não intimida os húngaros, com um estilo de jogo favorável a isso, de força na marcação e perigo nos contragolpes. A campanha na Euro 2020 seria marcante no “grupo da morte”, mesmo sem a classificação. E, na Liga das Nações, o time de Marco Rossi se supera ainda mais. A Hungria vai para a última rodada na liderança do Grupo A3, dependendo apenas de si para alcançar o Final Four. Nesta sexta, os húngaros aprontaram na visita à Alemanha, em Leipzig. Foram mais sólidos ao longo dos 90 minutos, criaram as melhores oportunidades e merecidamente venceram por 1 a 0, na primeira derrota de Hansi Flick à frente do Nationalelf. O estrago poderia ter sido até maior para os visitantes na Red Bull Arena.
A ascensão da Hungria na Liga das Nações merece um destaque especial. Os magiares começaram sua história no torneio na terceira divisão. Conquistaram dois acessos consecutivos, além de terem aproveitado o atalho na repescagem da Euro 2020 para alcançar a classificação ao torneio continental. Na atual edição, a primeira divisão parecia pesada aos magiares, com a concorrência de Inglaterra, Alemanha e Itália na mesma chave. Entretanto, o time de Marco Rossi apresenta seu melhor, com uma marcação firme e um ataque direto. Já tinha derrotado os ingleses duas vezes, incluindo os 4 a 0 em Wolverhampton, e agora derrubam a invencibilidade da Alemanha, depois de um empate no encontro anterior.
Com o mando de campo nesta sexta, a Alemanha entrou em campo com Marc-André ter Stegen no gol, diante da ausência de Manuel Neuer. Hansi Flick apostava em Jonas Hofmann e David Raum nas laterais, além de Antonio Rüdiger e Niklas Süle no miolo da zaga. Joshua Kimmich e Ilkay Gündogan apareciam na cabeça de área, com uma trinca de meias composta por Serge Gnabry, Thomas Müller e Leroy Sané. Mais à frente, Timo Werner era o homem de referência. A equipe titular da Hungria, por sua vez, reunia vários conhecidos da Bundesliga. Péter Gulácsi, Willi Orbán, András Schäfer e Dominik Szoboszlai formavam a espinha dorsal do time de Marco Rossi. Outro destaque era o capitão Ádám Szalai, atualmente no Basel, mas de longa história no futebol alemão.
A Alemanha se apresentou ao jogo num ritmo lento, em que não conseguia desenvolver seu jogo. Faltava criatividade ao Nationalelf. A Hungria dava sinais bem maiores de consistência, sem sofrer muitos sustos na defesa. Além disso, os magiares eram mais perigosos nos contragolpes. Szoboszlai incomodava e logo a defesa alemã ficaria mais exposta. O gol não demorou, aos 17 minutos. Os húngaros ganharam um escanteio a partir de uma tentativa de Ádám Szalai, bloqueada por Rüdiger. Na cobrança, Szoboszlai cruzou fechado para o primeiro pau e Szalai apresentou toda a sua categoria. O veterano deu um leve toque de calcanhar e encobriu Ter Stegen. Golaço que desabrochou a emoção do centroavante, às portas de sua aposentadoria da equipe nacional. A promessa é de que a despedida aconteça contra a Itália, mas a classificação para o Final Four pode mudar a ideia.
Mesmo com a desvantagem no placar, a Alemanha demorou a pegar no tranco. A Hungria poderia ter ampliado num contragolpe aos 26, mas Ter Stegen travou Dániel Gazdag na área. O Nationalelf teve um pouco mais de agressividade apenas nos 15 minutos finais do primeiro tempo, mas, tal qual ocorre com o Bayern de Munique neste início de temporada, o volume de jogo não resultava em tantas finalizações. A única chance real da equipe aconteceu somente aos 39, num cruzamento de Raum que Müller cabeceou. Gulácsi fez a defesa sem grandes dificuldades. Faltava senso de urgência ao time.
Hansi Flick promoveu a entrada de Thilo Kehrer para o segundo tempo, com a saída de Gnabry e a mudança do esquema tático, soltando os alas. De fato, a Alemanha melhorou. A equipe se apresentou muito mais ao campo de ataque, mas andava difícil de passar pela compacta marcação da Hungria. Leroy Sané conseguiu uma boa jogada individual aos seis minutos, mas Gulácsi rebateu o chute cruzado. Pouco depois, Müller teve um gol anulado por impedimento. O Nationalelf adicionava velocidade ao seu jogo, ainda com um chute perigoso de Kimmich em tentativa de fora. Entretanto, não demorou para que a marcação magiar voltasse a prevalecer.
Outras duas mudanças na Alemanha vieram aos 25, com Jamal Musiala e Kai Havertz nas vagas de Werner e Gündogan. A equipe tentava forçar mais os cruzamentos, mas a Hungria rifava o perigo e ainda teria espaço aos contra-ataques. Aos 27, Ter Stegen salvou o chute rasteiro de Martin Ádám, que substituíra o capitão Ádám Szalai pouco antes. O Nationalelf insistia com a posse de bola, mas nada que indicasse a teórica qualidade da equipe. As oportunidades mais claras continuavam com os magiares, com Ter Stegen evitando o segundo de novo aos 41, no mano a mano com László Kleinheisler. A esta altura, os germânicos já pareciam ter entregado os pontos e nem se esforçaram muito na reta final. A vibrante comemoração seria mesmo dos visitantes, numa campanha de sonhos na competição continental.
A Hungria chega aos dez pontos no Grupo A3 da Liga das Nações, isolada na liderança da chave. A única perseguidora com chances de ultrapassagem é a Itália, que chegou aos oito pontos ao vencer a Inglaterra nesta sexta. A rodada final guardará o confronto direto em Budapeste, com um empate sendo suficiente à classificação dos húngaros ao Final Four. Vale lembrar que os italianos ganharam por 2 a 1 o jogo do primeiro turno, em Cesena. A Alemanha ocupa a terceira colocação, com seis pontos, e mais uma vez tem um desempenho medíocre na Liga das Nações. Ao menos não corre mais o risco de queda, com a Inglaterra rebaixada por antecipação – muito graças ao estrago feito pelos magiares nos embates dos dois turnos.



