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JP Morgan sobre a Superliga: “Julgamos mal como o negócio seria visto pela comunidade do futebol em geral”

Banco de investimentos pede desculpas por ser o financiador da Superliga e diz que não avaliou bem o impacto da iniciativa para o futuro

O banco de investimentos JP Morgan pediu desculpas nesta quinta-feira pelo envolvimento na fracassada ideia de uma Superliga Europeia. Uma das maiores instituições financeiras do planeta, o banco teve a sua classificação de sustentabilidade rebaixada pela Standard Ethics por seu envolvimento como financiadora da ideia apresentada por 12 clubes na noite de domingo, mas que durou 48h.

Depois de vermos desde terça-feira os clubes recuando em comunicados bastante constrangidos, em alguns casos, ou bastante cara de pau, em outros, chegou a hora de quem seria o financiador dessa brincadeira de mau gosto se pronunciar. E o tom foi parecido com o primeiro grupo: uma certa dose de constrangimento. Pudera: o banco tem investidores e, claro, tudo isso foi muito ruim para a imagem da empresa.

“Nós claramente julgamos mal como este negócio seria visto pela comunidade do futebol em geral e como isso poderia impactá-los no futuro”, disse um representante do banco nesta quinta-feira, segundo noticiado pelo The Athletic. “Nós iremos aprender com isso”.

O JP Morgan era o braço financeiro da operação e era a carta na manga que os idealizadores da Superliga tinham para convencer os participantes a aderirem – e também a tentar, com os chamados pagamentos de solidariedade, a fazer todos que ficaram de fora de aceitarem calados. Bom, não foi o que aconteceu, claramente.

O plano da Superliga contava com € 3,25 bilhões do JP Morgan para distribuir aos participantes inicialmente, em regime de empréstimo. Esse empréstimo seria pago com os rendimentos que a própria competição geraria. Com os clubes sofrendo financeiramente com os impactos da pandemia, nenhum dos 12 gênios que entraram nessa onda de Superliga consideram a chance de reduzirem seus custos para se adequar a um mundo que está em crise sanitária, social e também financeira.

A solução encontrada foi criar um clube VIP, com vaga fixa, e tentar, assim, criar um campeonato de videogame na vida real, sem levar em conta o que torna o futebol… bem, futebol. Cada lugar tem a sua história, claro, e há razões para ligas como as americanas terem participantes fixos e terem nascido nesse formato, como contou o Ubiratan Leal em um texto na ESPN. Na Europa, como em todos os lugares mais tradicionais, esse nunca foi o modelo.

Esperamos que os envolvidos tenham aprendido algo nesse episódio, do JP Morgan aos clubes e seus dirigentes estúpidos. Como esperar por isso é um pouco ingênuo, esperamos ao menos que o constrangimento iniba esse bando de carniceiros. Enquanto isso, é bom a comunidade do futebol começar a se fortalecer e trabalhar melhor, como falamos quando comentamos sobre o papel da Uefa. Porque a Superliga pode ter fracassado por ora, mas está longe de ser uma ameaça morta.


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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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