Champions LeagueEuropa

JP Morgan tem classificação de sustentabilidade rebaixada após ter financiado a fracassada Superliga

Banco americano seria o responsável pelos €3,25 bilhões iniciais da competição; a Superliga desmoronou em 48 horas

O fracasso da Superliga em apenas 48 horas gerou problemas também para quem se dispôs a financiar a iniciativa. O banco JP Morgan Chase teve a sua classificação rebaixada por uma agência de sustentabilidade depois, a Standard Ethics. A empresa avalia as corporações em sua sustentabilidade e tem como modelo as agências de classificação de crédito, segundo publicado no Guardian.

Além de rebaixar a avaliação do JP Morgan, também criticou a participação dos clubes nesse insólito episódio. “A Standard Ethics avalia tanto as orientações mostradas pelos clubes de futebol envolvidos no projeto quanto aqueles no banco dos Estados Unidos como contrárias às melhores práticas de sustentabilidade, que são definidas pela agência de acordo com as diretrizes das Nações Unidas, OECD [Organisation for Economic Co-operation and Development] e União Europeia, e leva em conta os interesses das partes interessadas”, afirmou a empresa.

De acordo com a classificação da Standard Ethics, o JP Morgan caiu de “adequado” para “não conforme” por causa do imbróglio da Superliga. A empresa presta consultoria a empresas para avaliá-las quanto ao desempenho ambiental, social e de governança, embora a classificação do JP Morgan não tenha sido solicitada pelo banco.

Segundo as informações divulgadas pelos criadores da Superliga, o JP Morgan financiaria inicialmente a ideia, com um empréstimo de €3,25 bilhões, com o pagamento de € 200 milhões a € 300 milhões para cada clube integrante. Esse dinheiro seria devolvido a partir dos lucros que a iniciativa gerasse com marketing e venda de direitos de transmissão, por exemplo. Até onde se sabe, não havia nenhum acordo nessas duas áreas que estivesse já estabelecido. O JP Morgan também não teria nenhuma influência em como o dinheiro seria gerido, apenas serviria como financiadora.

A Standard Ethics ressaltou os efeitos negativos sérios no plano que foi sinalizado pelos críticos, especialmente no Reino Unido, onde até o primeiro-ministro do país, Boris Johnson, se envolveu. Outros políticos importantes também se mostraram contrários, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi. Todos eles sentiram a pressão que os torcedores passaram a fazer especialmente nas redes sociais, mas também nas manifestações nas ruas. Por isso, ressaltaram a falta de engajamento com os torcedores.

Não é a primeira vez que o JP Morgan é criticado pela Standard Ethics. Em uma avaliação anterior, a empresa ressaltou a preocupação com a atitude do banco em relação à concorrência justa, após receber multas de antitruste e por irregularidades fiscais.

Um fato curioso é que o CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, escreveu uma carta aos acionistas no começo de abril em que ressalta a importância da comunidade para a empresa. Ele chega até a citar a importância do esporte local para essas comunidades.

 “Para uma boa empresa, sua reputação é tudo. Essa reputação é conquistada dia a dia com a interação com consumidores e comunidades. Quando eu ouço exemplos de pessoas fazendo algo que é errado porque poderiam receber mais, isso faz o meu sangue ferver e eu não os quero trabalhando aqui”, diz a carta. Dimon deve ter esquecido disso quando se propôs a financiar uma iniciativa que vai completamente contra o que ele mesmo tinha escrito há tão poucos dias.


Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo