Europa

Jornalista apanha até morrer após criticar jogador popular no Azerbaijão

Rasim Aliyev era jornalista, e como tal, publicou uma opinião no Facebook: Javid Huseynov, capitão do Gabala, do Azerbaijão, não deveria mais atuar em competições europeias depois de ter provocado a torcida do cipriota Apollon Limassol com uma bandeira da Turquia e fazer um gesto obsceno a um jornalista da pequena ilha, durante uma partida da fase eliminatória da Liga Europa. Chamou-o de “imoral” e “mal-educado”. Exagerada, errada, intempestiva ou sensata, foi uma opinião como qualquer outra que pessoas são, ou pelo menos deveriam ser, livres para dar. E depois de emiti-la, Aliyev foi assassinado.

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Por ter criticado um jogador popular no Azerbaijão, a publicação do jornalista motivou xingamentos e comentários nervosos aos quais quem trafega pela internet está, infelizmente, acostumado. Mas um homem que se identificou como primo do jogador telefonou para Aliyev com uma metralhadora de impropérios em mãos. Em seguida, ligou mais uma vez para ele, em tom conciliatório, informa o site In-Cyprus, e marcou um encontro para tomarem um chá no sábado. “Fui sozinho. Havia cinco ou seis deles e todos imediatamente pularam em mim e começaram a me bater”, disse, de acordo com a mesma publicação. Ele foi internado no hospital, mas não aguentou os ferimentos e morreu por consequência de uma hemorragia interna.

Huseynov com a bandeira da Turquia
Huseynov com a bandeira da Turquia

A agência de notícias Turan, assim como o site no qual Aliyev trabalhava, o Azerbaijan News Network, informam que um primo de Huseynov está detido como suspeito do assassinato. Elshan Ismayilov, inclusive, chegou a atuar pela equipe de reservas do Azal, mas, segundo o clube, foi dispensado em janeiro deste ano. O Gabala emitiu uma nota manifestando seu pesar e afirmando que, embora Huseynov seja muito importante, ele será afastado até que o caso seja esclarecido. O jogador também lamentou o que aconteceu e disse que “não vai permitir que ninguém mate por minha causa”.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, chamou o acontecimento de uma “ameaça à liberdade de expressão”, e com algum sentido porque governa um dos países que mais reprimem opiniões divergentes no mundo e restringem a pluralidade de imprensa. Sua mídia é considerada “não livre” pela organização Freedom House e está na gloriosa 162ª posição de liberdade de imprensa entre os 180 países avaliados pela organização Repórteres Sem Fronteiras.

O chefe do Conselho de Imprensa do país, Aflatun Amasov afirmou que não é certo politizar a morte de Aliyev como um caso de liberdade de expressão porque as investigações ainda não estão estão concluídas. O motivo e o assassinato ainda precisam ser esclarecidos pela polícia, mas Aliyev indiscutivelmente emitiu uma opinião e foi atraído para uma emboscada. E indiscutivelmente está morto.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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