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Lukaku, Mertens e mais: 12 jogadores da Bélgica que marcaram seus nomes na Serie A

A partir dos anos 1980, relembramos atletas da seleção da Bélgica que firmaram suas carreiras na Serie A

O Bélgica x Itália da Eurocopa garantirá um encontro de inimigos íntimos. Afinal, alguns dos principais jogadores dos Diabos Vermelhos são estrelas na Serie A. Romelu Lukaku atingiu o ápice da carreira na Internazionale e, com todos os méritos, foi eleito o melhor jogador do último campeonato. É um adversário para impor respeito contra vários colegas interistas da Azzurra. Já Dries Mertens tem seu lugar na história do Napoli e por vezes parece mais napolitano do que propriamente belga, pela identificação que criou com os celestes. Outros no elenco, como Dennis Praet e o lesionado Timothy Castagne, também passaram pela Bota.

Aproveitando o confronto, relembramos 12 jogadores da seleção belga que escreveram seus nomes na Serie A. Não são necessariamente os melhores, mas aqueles que tiveram as trajetórias mais longevas e deixaram suas marcas em clubes específicos. O trânsito entre os dois países começou nos anos 1980, quando os Diabos Vermelhos faziam sucesso nas competições internacionais e o Calcio possuía o melhor campeonato do mundo. Porém, não foram todos os talentos belgas que emplacaram no futebol italiano. Atletas históricos da equipe nacional como Eric Gerets, Ludo Coeck e Stéphane Demol não deram certo na Itália. Foi apenas na virada da década que os sucessos se tornaram mais frequentes.

René Vandereycken possui seu peso como pioneiro. Enzo Scifo liderou um Torino campeão depois de decepcionar na Inter e Georges Grün foi um dos responsáveis por construir a fama do Parma. De uma geração posterior, o naturalizado Oliveira também seria idolatrado na Bota, pelo que fez no Cagliari e na Fiorentina. A partir da virada do século, o nível do futebol belga caiu, mas ainda assim jogadores como Johan Walem e Jean-François Gillet conseguiram o respeito em clubes menores. De qualquer maneira, foi mesmo na última década que a tal “geração belga” ampliou seu impacto no Calcio. Nainggolan é fundamental neste sentido. E a reputação seria elevada por Mertens e Lukaku ao longo das últimas temporadas. Abaixo, a lista:

Vandereycken (Foto: Imago / One Football)

René Vandereycken

O primeiro belga do Campeonato Italiano chegou para a temporada 1981/82, a segunda na reabertura a estrangeiros. O Genoa conquistou o acesso na campanha anterior e foi buscar René Vandereycken no Club Brugge. O volante era um dos destaques do clube que fazia bonito na liga nacional e também brilhava além das fronteiras. Conquistou quatro títulos do Campeonato Belga em Brugges, assim como fez parte da equipe vice-campeã da Copa da Uefa em 1976 e da Copa dos Campeões em 1978. Já pela seleção, Vandereycken seria ainda um dos destaques dos Diabos Vermelhos no vice da Euro 1980. Seria ele o autor do gol de sua seleção na decisão, perdida diante da Alemanha Ocidental por 2 a 1.

Vandereycken disputou uma temporada em alto nível no Genoa, suficiente para gravar seu nome no clube – leia mais na Calciopédia. O Grifone lutaria contra o rebaixamento, mas conseguiu a manutenção na elite em campanha na qual Milan e Bologna acabaram relegados. O volante totalizou 25 aparições com os rossoblù, mas uma lesão o tirou da equipe exatamente na reta final. E os problemas físicos custariam caro ao belga: ele não apenas foi cortado de última hora para a Copa do Mundo de 1982, mas na temporada de 1982/83 só entrou em campo três vezes pelos genoveses na Serie A. Assim, acabou vendido para o Anderlecht em 1983.

De volta ao Campeonato Belga, Vandereycken se restabeleceu. Conquistou mais dois títulos da liga nacional e terminou com outro vice na Copa da Uefa de 1984. Já pela seleção, o volante recobrou seu espaço a tempo para a Euro 1984. Foi titular no torneio continental e também no início da Copa de 1986, embora tenha ficado no banco durante a reta decisiva do torneio em que os Diabos Vermelhos acabaram como semifinalistas. O veterano se despediria da equipe nacional naquele momento, defendendo ainda Blau-Weiss 90 Berlim e Gent antes de pendurar as chuteiras. Como treinador, ainda dirigiu a Bélgica de 2006 a 2009. Foi o responsável pelas primeiras convocações de Eden Hazard, Axel Witsel, Jan Vertonghen e Thomas Vermaelen.

Scifo (Foto: Imago / One Football)

Enzo Scifo

Tratado como o jogador mais refinado de sua geração na Bélgica, Scifo emplacou cedo no Anderlecht. Conquistou três títulos do Campeonato Belga e também foi vice da Copa da Uefa em 1984. Mais do que isso, o meia oferecia um toque de talento numa forte seleção. Depois de pintar na Euro 1984, o camisa 8 foi titular indiscutível nos Diabos Vermelhos durante a Copa de 1986 e anotou dois gols na campanha até as semifinais. Acabaria eleito o melhor jovem daquele Mundial. Assim, sua transferência à Serie A parecia até natural, não apenas pelos craques reunidos na liga, como também por ser filho de sicilianos. Em 1987/88, arrumou as malas para a Internazionale.

Porém, a estadia de Scifo em Milão não seria bem sucedida – leia mais na Calciopédia. O meia não cumpriu as expectativas na equipe de Giovanni Trapattoni, mesmo se mantendo como titular absoluto dos nerazzurri. Foram 28 partidas e quatro gols, insuficientes para garantir seu espaço. Os interistas abriram mão do jovem de 22 anos e trouxeram para sua vaga de estrangeiro Lothar Matthäus, que seria o craque na conquista do Scudetto logo na temporada seguinte. Scifo não emplacou também no Bordeaux em 1988/89, colecionando problemas internos. Reconstruiu seu nome apenas no Auxerre, fazendo duas boas temporadas e brilhando na Copa de 1990, dentro da Itália. Foi eleito o melhor estrangeiro da Ligue 1 em 1990 e o jogador do ano na Bélgica em 1991.

A nova chance de Scifo na Serie A aconteceu em 1991/92. Foi neste momento que o meia viveu seu auge na Bota. O belga assinou com o Torino e brilhou em duas temporadas consecutivas. Na primeira, anotou nove gols na Serie A que valeram a terceira colocação do Toro, além de estrelar a equipe vice-campeã da Copa da Uefa contra o Ajax – batendo o Real Madrid na semifinal. Aquele time ainda contava com Casagrande e Rafael Martín Vázquez formando o trio estrangeiro. Já no segundo ano, mesmo que o rendimento tenha caído na liga, os grenás faturaram a Coppa Italia 1992/93, em decisão conquistada diante da Roma. Este é o título mais recente do Torino, que se despediu do ídolo logo depois, com sua venda para o Monaco.

Scifo rendeu em alto nível na Ligue 1, especialmente ao conquistar o titulo nacional com o Monaco em 1996/97. O veterano voltaria depois ao Anderlecht para ser novamente campeão, antes de se aposentar no Charleroi. Pela seleção, o meia disputou as Copas de 1994 e 1998, chegando a quatro Mundiais. Totalizou 84 partidas pelos Diabos Vermelhos, além de ter anotado 18 gols. Após pendurar as chuteiras, trabalhou como treinador e dirigiu a seleção sub-21 de 2015 a 2016. Pôde orientar nomes como Youri Tielemans, Dennis Praet, Timothy Castagne, Leander Dendoncker e Leandro Trossard.

Grün (Foto: Imago / One Football)

Georges Grün

Georges Grün também brilhou no forte time do Anderlecht que dominava o Campeonato Belga durante os anos 1980. O zagueiro participou de quatro títulos nacionais, enquanto faturou a Copa da Uefa e terminou como vice da Recopa. Pela seleção, o defensor era nome frequente a partir da Euro 1984. Disputou a Copa de 1986 e mostrou sua versatilidade na caminhada até a semifinal – jogando como lateral, zagueiro e volante, quase sempre como titular. Também estaria presente no Mundial de 1990. E seria exatamente depois da competição na Itália que ele se mudaria para a Serie A, contratado pelo Parma.

Na época, o Parma era um clube desconhecido no país. A injeção de dinheiro da Parmalat permitiu a ascensão, mas os gialloblù faziam apenas sua estreia na Serie A. Grün seria um dos escolhidos na primeira trinca de estrangeiros montada no Estádio Ennio Tardini, que ainda reunia Taffarel e Tomas Brolin. Não demorou para que o zagueiro brilhasse, numa linha defensiva que ainda reunia Luigi Apolloni e Lorenzo Minotti. O belga seria uma referência técnica aos dois jovens que chegariam à seleção italiana, primando por sua inteligência tática e sua capacidade técnica – leia mais na Calciopédia.

Grün permaneceu como titular absoluto do Parma nas três primeiras temporadas do clube na Serie A. Era um dos melhores defensores em atividade na liga e ajudou a equipe de Nevio Scala a terminar sempre entre os sete primeiros colocados – chegando a alcançar a terceira colocação em 1992/93. Os gialloblù ainda fizeram bonito nas outras competições. Conquistaram a Copa da Itália em cima da Juventus em 1991/92 e depois seriam campeões da Recopa Europeia em cima do Royal Antuérpia em 1992/93. Grün disputou todas essas finais e participou ativamente dos sucessos dos Crociati.

A última temporada de Grün com o Parma foi a de 1993/94, quando os problemas físicos limitaram sua presença na equipe. O veterano de 32 anos ainda disputou a Copa do Mundo de 1994 como capitão da Bélgica. Na temporada seguinte, o defensor retornou ao Anderlecht. Contudo, ainda encerrou a carreira na Itália, com a camisa da Reggiana. Porém, não evitaria o rebaixamento de sua equipe e penduraria as chuteiras depois disso.

Luis Oliveira

Oliveira inaugurou uma ponte aérea entre Maranhão e Bélgica nos anos 1980. Nascido em São Luis e filho de um antigo ídolo do Moto Club, o atacante foi descoberto por um olheiro argentino quando tinha 16 anos. Acertou sua transferência para o Anderlecht e integrou inicialmente as categorias de base, até ser promovido à equipe principal dois anos depois. O garoto não demorou a emplacar com a camisa violeta e seria eleito o segundo melhor jogador em atividade no Campeonato Belga em 1990, quando foi vice da Recopa Europeia. Na temporada seguinte, conquistou a liga nacional, contribuindo com 18 gols. E ainda recusou uma convocação para a seleção brasileira de Paulo Roberto Falcão. Com cidadania belga, optou pelos Diabos Vermelhos.

Oliveira estreou pela Bélgica em março de 1992. Meses depois, o atacante se transferiu à Serie A. Juntou-se ao Cagliari em 1992/93, onde foi escolhido pelo técnico Carlo Mazzone para substituir o ídolo Daniel Fonseca. Mesmo sendo vítima de racismo em seus primeiros meses, o maranhense daria a volta por cima e viraria um dos grandes ídolos dos sardos, em período de boas campanhas no Italiano – leia mais na Calciopédia. Foram quatro temporadas consecutivas dos rossoblù com Oliveira jogando como titular no ataque. O belga somaria 39 gols pela liga no período, além de balançar as redes quatro vezes na caminhada até a semifinal da Copa da Uefa de 1993/94 – um desses tentos despachou a Juventus nas quartas de final. O ápice ocorreu com os 15 gols de 1995/96, que valeram sua transferência para a Fiorentina.

Oliveira manteve o desempenho nas três temporadas como titular da Viola, sobretudo nas duas primeiras. O atacante chegou a contabilizar mais 15 gols na Serie A 1997/98, em tempos nos quais a Fiorentina brigava pelas primeiras colocações na tabela. O belga pôde acompanhar craques como Gabriel Batistuta, Edmundo e Rui Costa na ofensiva violeta. E foi nesse período que Oliveira ganhou sua chance de disputar uma Copa do Mundo com a Bélgica. Ausente na convocação para o Mundial de 1994, seria titular dos Diabos Vermelhos em 1998, aos 29 anos de idade.

A despedida de Oliveira da Fiorentina aconteceu em 1999/00, sem tanto espaço com Giovanni Trapattoni. A partir de então, o atacante começou a rodar pelo futebol italiano. Teria uma breve volta pelo Cagliari e também jogou uma temporada pelo Bologna, antes de perambular nas Series B e C. Vestiria as camisas de Como, Catania, Foggia, Venezia, Lucchese, Nuorese e Muravera até pendurar as chuteiras em 2011, com 42 anos. O maranhense adotado pela Bélgica, todavia, não deixaria a Itália. Seguiu por lá também como treinador, dirigindo equipes das divisões de acesso.

Walem (Foto: Imago / One Football)

Johan Walem

Walem deslanchou na seleção belga num período no qual a equipe começava a perder forças. O meia, ainda assim, seria considerado um dos maiores talentos de sua geração. Despontou no Anderlecht muito cedo e ganhou sua primeira convocação em 1991, quando tinha 19 anos. Ao longo da década de 1990, seria o protagonista dos violetas em três conquistas do Campeonato Belga. Todavia, a concorrência numa posição em que Enzo Scifo e Marc Wilmots ainda reinavam nos Diabos Vermelhos o deixou de fora dos elencos para as Copas de 1994 e 1998.

O reconhecimento se tornou maior a Walem a partir de 1997/98, quando se transferiu para a Udinese. O meia seria uma figura importante em anos fortes dos friulani, que reuniam Oliver Bierhoff e Márcio Amoroso em seu ataque. Logo em sua primeira temporada, o belga contribuiu para que o time terminasse em terceiro na Serie A. Nesta época, ganhou o apelido de ‘Il Geometra’ pela qualidade de seus passes. O armador faria mais uma boa temporada na edição seguinte do Campeonato Italiano e se tornou uma peça importante na reconstrução da Bélgica após o Mundial de 1998.

O bom momento de Walem na Udinese o levou para o Parma na temporada seguinte, mas o meia esquentou o banco na Serie A 1999/00. Ainda assim, seria reserva na Euro 2000. Quando retornou ao Estádio Friuli, também seria bem menos importante em 2000/01. Às vésperas de completar 30 anos, arrumou as malas para o Standard de Liège e garantiu seu lugar na Copa do Mundo de 2002. Seria o camisa 10 naquela campanha dos Diabos Vermelhos, decisivo na vitória sobre a Rússia, que valeu a vaga nas oitavas de final. Porém, aquele também foi seu canto do cisne pela seleção.

Depois de deixar o Standard de Liège em 2013, Walem ainda retornaria à Itália para defender Torino e Catania na Serie B. Já como treinador, dirigiu a seleção sub-21 ao longo de quase toda a década passada – ficando no cargo de 2012 a 2015 e de 2016 a 2020, com um hiato preenchido por Scifo. A lista de jogadores da equipe atual que passaram por suas mãos inclui Thorgan Hazard, Youri Tielemans, Timothy Castagne e Yannick Ferreira Carrasco.

Gillet (Foto: Imago / One Football)

Jean-François Gillet

Gillet é um símbolo de anos de entressafra da seleção da Bélgica. O goleiro passaria por diferentes níveis na base dos Diabos Vermelhos, mas disputou apenas nove jogos com a equipe principal. Em compensação, construiu sua reputação na Itália. O arqueiro ágil e de bom jogo com os pés surgiu no Standard de Liège, mas aceitou uma proposta do Monza para disputar a Serie B quando tinha 20 anos. Destacaria-se tanto que assinou com o Bari rumo à Serie A em 2000/01, mas não evitou o rebaixamento do clube naquela temporada – em tempos nos quais dividia os vestiários com Antonio Cassano e Simone Perrotta. Embora tenha começado bem, o novato seria suspenso por doping na metade final da campanha. Apesar disso, o belga escreveria seu nome no San Nicola.

Gillet defendeu o Bari em dez temporadas, com uma breve interrupção quando foi emprestado ao Treviso. Somou 364 partidas pelo clube e o levaria de volta à Serie A em 2009/10, quando se sobressaiu pelas boas atuações. Foi neste momento em que também estreou pela seleção principal da Bélgica, aos 30 anos. O camisa 1 disputou duas edições da elite com o Bari, antes de viver um bom ano com o Genoa. Já em 2012/13, assinou com o Torino. Foram três temporadas com os grenás, embora somente a primeira como titular, já que pegaria um gancho de 13 meses por envolvimento num caso de manipulação de resultados quando estava no Bari. Jogaria ainda uma Serie B com o Catania, antes de retornar ao Standard de Liège 16 anos depois de sua saída.

Foi neste momento, já com 37 anos, que Gillet disputou sua primeira competição internacional com a Bélgica. Se não dava para competir com Thibaut Courtois ou mesmo com Simon Mignolet, o veterano permaneceu como o terceiro goleiro do grupo que disputou a Euro 2016. Aquela seria também sua despedida dos Diabos Vermelhos. O arqueiro seguiu como reserva do Standard de Liège até a última temporada, quando resolveu pendurar as luvas às vésperas de completar 42 anos.

Mudingayi (Foto: Imago / One Football)

Gabi Mudingayi

Nascido no Zaire, Mudingayi mudou-se para a Bélgica ainda na infância. O meio-campista despontou na Union Saint-Gilloise e se transferiu depois para o Gent, onde seria uma das principais revelações do Campeonato Belga no início dos anos 2000. Ganharia sua primeira convocação à seleção em 2003 e acabou atraindo o interesse dos clubes italianos. O começo aconteceu no Torino, que militava na Serie B. Disputou duas temporadas com os grenás e auxiliou no acesso de 2004/05, que não foi consumado pelos problemas financeiros do clube. O volante, pelo menos, conseguiu sua promoção na carreira ao assinar com a Lazio.

O início de Mudingayi na Lazio não seria fácil, com muitas lesões na primeira temporada. Chegou a sofrer uma fratura na perna em dividida com Fabio Cannavaro, em abril de 2006. Mas daria a volta por cima nas duas campanhas seguintes. Ganharia seu espaço como titular e contribuiria para os biancocelesti na Serie A 2006/07, quando alcançaram a terceira colocação. De qualquer maneira, o belga não ficaria mais do que três temporadas na capital e arrumaria as malas para o Bologna em 2008/09. Por lá, viveu o melhor momento da carreira.

Foram quatro temporadas consecutivas de Mudingayi no Bologna, sempre como titular absoluto. Com muita pegada na cabeça de área, o volante seria um dos principais jogadores dos rossoblù no período e superaria os 100 jogos com a camisa do clube. Foi quando, já aos 31 anos, acertou seu empréstimo para a Internazionale. Não faria muito pelos nerazzurri e veria sua carreira degringolar naquele momento. Ainda defendeu Cesena e Pisa no país, antes de pendurar as chuteiras. O meio-campista disputou 17 partidas pela seleção da Bélgica, mas sem nunca disputar a fase final de uma competição internacional.

Nainggolan (Foto: Imago / One Football)

Radja Nainggolan

Nainggolan é o jogador belga com mais partidas pela Serie A. Sua história no futebol, afinal, está praticamente inteira ligada à Itália. O meio-campista até defendeu o Germinal Beerschot na base, mas tinha 17 anos quando aceitou uma proposta para se mudar à Bota. Começaria num nível abaixo, ainda passando pelos juniores do Piacenza até estrear como profissional na Serie B em maio de 2006, pouco depois de completar 18 anos. Permaneceria na segundona até 2009/10.

O primeiro clube da Serie A que detectou o talento de Nainggolan foi o Cagliari. A carreira do Ninja se transformaria na Sardenha. Virou titular absoluto em 2010/11 e despontou como um dos meio-campistas mais completos e aguerridos em atividade no Calcio. Viraria um ídolo inconteste da torcida, resgatando a conexão criada com Oliveira. Permaneceu com os rossoblù até janeiro de 2014, quando assinou com a Roma. Apesar do destaque na Itália, ainda não participaria da Copa do Mundo de 2014 – mesmo convocado pela seleção desde 2009, ganhando sua primeira chance quando ainda estava no Piacenza, por intermédio de Frank Vercauteren.

O melhor momento de Nainggolan na Serie A aconteceu na Roma. Seriam quatro temporadas em alto nível nos giallorossi, sobretudo pela capacidade demonstrada pelo meio-campista no apoio. Seus números ofensivos deslancharam. O ápice veio em 2016/17, com 11 gols pela Serie A. Esse auge se refletiria na Euro 2016, com dois gols do meio-campista, titular em toda a campanha. Porém, o santo do Ninja nunca bateu muito com o de Roberto Martínez e o destaque do Calcio seria escanteado nos Diabos Vermelhos, se tornando a grande ausência da seleção na Copa do Mundo de 2018.

Vendido para a Inter em 2018/19, numa transferência que não desejava, Nainggolan não conseguiria manter o alto nível em Milão. Ignorado por Antonio Conte na temporada seguinte, voltou ao Cagliari por empréstimo, também para acompanhar o tratamento da esposa após a descoberta de um câncer. Brilharia nos rossoblù em 2019/20. Depois de um breve e frustrado retorno à Inter na atual temporada, de novo seria emprestado rumo à Sardenha. Aos 33 anos, seu momento com a seleção já passou. A história na Serie A, entretanto, guarda diversos momentos de destaque.

Mertens (Foto: Imago / One Football)

Dries Mertens

Mertens passou pela base do Anderlecht e do Gent, mas não chegou a atuar na elite do Campeonato Belga. O atacante precisaria se firmar longe dos principais clubes do país, transferindo-se ao pequeno AGOVV na segunda divisão da Eredivisie. Por lá se destacou, a ponto de chamar a atenção do Utrecht. E depois de duas ótimas temporadas na elite dos Países Baixos, o ponta descolou uma transferência para o PSV. Foi neste momento que sua carreira começou realmente a decolar, ganhando as primeiras convocações para a seleção principal da Bélgica naquele mesmo ano de 2011.

Mertens não conquistou a Eredivisie com o PSV, mas realizou duas temporadas em altíssimo nível, com 45 gols anotados no total. Foi o que levou o Napoli a confiar em sua contratação em 2013/14. O ponta seria importante na conquista da Copa da Itália e carimbaria seu lugar na Copa de 2014. Já nas duas temporadas seguintes, seus números com o Napoli minguariam e ele seria reserva na Euro 2016. Isso até viver sua transformação com Maurizio Sarri na Serie A 2016/17, quando passou a ser utilizado como atacante central e se transformou em goleador do time celeste.

A idolatria de Mertens no Napoli se constrói a partir deste momento. Sua fome de gols deslanchou tanto que o camisa 14 superaria Maradona como maior artilheiro da história dos celestes, atualmente com 135 gols. É o jogador belga com mais gols e com mais assistências na história da Serie A. Mais legal ainda é notar sua ligação com a cidade de Nápoles, abraçando a população e criando muita identidade com a região. Que seu desempenho tenha caído nas duas últimas temporadas, até pelas lesões, não é isso que diminui sua adoração e sua consideração dentro do clube.

O sucesso no Napoli levaria Mertens a ser eleito o jogador do ano na Bélgica em 2016. Também seria titular como segundo atacante na Copa de 2018, mas perdeu seu lugar na sequência do Mundial. Uma das lideranças dentro do elenco da Bélgica, seguiu como um nome constante nas convocações de Roberto Martínez. Nesta Euro 2020, é uma espécie de 12° homem. São 101 partidas com os Diabos Vermelhos e 21 gols anotados. Independentemente disso, seu moral é tão alto exatamente por aquilo que construiu com a camisa do Napoli ao longo desses oito anos na Itália.

Praet (Foto: Imago / One Football)

Dennis Praet

Praet era uma promessa badalada desde as categorias de base do Genk. O meio-campista se transferiu ao Anderlecht pouco antes de se profissionalizar e despontaria como um dos principais talentos do país nos violetas. Conquistou três edições do Campeonato Belga e seria eleito o melhor jogador do campeonato com 20 anos, em 2014. Nessa época, ganhou sua primeira convocação à seleção principal. Todavia, ainda não seria chamado para a Copa de 2014 ou para a Euro 2016. Sua progressão passaria pela Sampdoria, a partir de sua venda na temporada 2016/17.

Praet defendeu a Sampdoria em três temporadas, mantendo-se como um dos principais jogadores da equipe no período. Teve ótimos momentos sobretudo a partir de seu segundo ano com os blucerchiati, ainda que permanecesse ignorado por Roberto Martínez nas convocações da seleção. Porém, as boas atuações com a Samp reforçariam sua qualidade técnica e seus méritos para integrar os Diabos Vermelhos. Viraria nome frequente nas listas da equipe nacional a partir do segundo semestre de 2018. Embora não acumule tantos minutos em campo, continua com seu lugar no grupo.

Praet se despediu da Sampdoria em 2019, quando assinou com o Leicester. O meio-campista superou as 100 partidas com o clube, 98 delas apenas pela Serie A. Contudo, não desenvolveu a carreira conforme o esperado na Premier League. Importante em sua primeira temporada no Estádio King Power, acabaria esquentando o banco no último campeonato, até pelos problemas de lesão. Ainda assim, a reputação construída especialmente nos tempos de Samp garantiram seu lugar também nesta Eurocopa, mesmo reserva.

Castagne (Foto: Imago / One Football)

Timothy Castagne

Castagne seria um dos tantos achados da rede de olheiros da Atalanta. O lateral começaria nas categorias de base do Genk e teria bom destaque no clube. Também frequentava as convocações das seleções de base da Bélgica. Ainda assim, parecia uma aposta quando a Dea foi buscá-lo no Campeonato Belga em 2017, pouco depois de completar 21 anos. E o novato se encaixaria perfeitamente no estilo de jogo praticado em Bérgamo, com muita liberdade para os alas.

Castagne permaneceu na Atalanta por três temporadas. Não foi titular absoluto em seu primeiro ano no clube, mas atuaria em alto nível nas duas temporadas seguintes. Além da qualidade no apoio, a versatilidade para preencher as duas alas mantiveram seu moral com Gian Piero Gasperini. Seria importante para classificar a Dea à Champions League pela primeira vez e também na caminhada até as quartas de final do torneio continental em 2019/20. Foi isso que pesou para sua transferência ao Leicester. Seu primeiro ano com as Raposas foi ainda melhor que a encomenda, com a conquista da Copa da Inglaterra.

As primeiras chances de Castagne na seleção aconteceram em 2018, quando já era um dos destaques na Atalanta. O lateral ganhou a posição nas Eliminatórias da Euro e deixou Thomas Meunier no banco graças à sua boa sequência na Serie A. Começou como titular na Euro 2020, mas uma lesão logo na estreia contra a Rússia o tirou da competição. Não fosse isso, seria mais um jogador lapidado na Dea que poderia render em alto nível no torneio continental – como Robin Gosens e Leonardo Spinazzola, outros colegas de setor em Bérgamo.

Romelu Lukaku, da Bélgica (Imago / OneFootball)

Romelu Lukaku

A história de Romelu Lukaku até chegar à Serie A é mais que conhecida. Filho de um ex-jogador, o descendente de congoleses passou dificuldades na infância, mas virou um fenômeno nos gramados para ajudar a família e profissionalizou-se no Anderlecht quando tinha acabado de completar 16 anos. Seria importante na conquista do Campeonato Belga já em 2009/10 e naquele mesmo ano passou a frequentar a seleção principal da Bélgica, sem muitas cerimônias para se tornar titular nas Eliminatórias para a Euro 2012 quando tinha apenas 17 anos. Estava claro como o futuro de Lukaku seria grandioso.

A trajetória de Lukaku na Premier League guardaria muitos gols, mas também altos e baixos. Levado pelo Chelsea, carregava a expectativa de ser o “novo Drogba” e mal foi aproveitado em Stamford Bridge. Em compensação, brilhou no empréstimo ao West Brom e também estourou com a camisa do Everton, a ponto de ser contratado em definitivo pelos Toffees. Foram quatro anos no Goodison Park, onde atingiu a expressiva marca de 87 gols. Como jogador do clube, o centroavante participou da Copa de 2014 e da Euro 2016. Porém, em ambas as campanhas, a tal “geração belga” não justificou por completo sua badalação – Lukaku incluído.

A transformação de Lukaku na seleção acontece principalmente a partir do segundo semestre de 2016. É quando desanda a anotar gols. E a fama com a Bélgica também contribui à sua transferência rumo ao Manchester United em 2017/18. Não se saiu tão mal em Old Trafford, mas as cobranças imensas e as críticas por vezes exageradas o deixavam aquém do pedido. No meio de seus dois anos com os Red Devils, ainda faria uma Copa excelente em 2018, para liderar a Bélgica rumo às semifinais depois de 32 anos. E foi este Lukaku, acusado de estar acima do peso, mas ainda letal, que se transferiu à Internazionale.

A versão de Lukaku na Inter é a melhor da carreira não apenas por ter conquistado o Scudetto ou por atingir a melhor forma física. É também a melhor por ser a mais completa, unindo sua explosão e sua capacidade de definição a uma inteligência fantástica e muita capacidade tática na construção dos ataques. Foi eleito o melhor jogador da última Serie A com todos os méritos, somando 24 gols e 10 assistências. Em dois anos com os nerazzurri, balançou as redes 64 vezes e já se aproxima dos melhores números da carreira. E foi esta máquina que chegou à Euro 2020 tinindo, para fazer a diferença à Bélgica desde a fase de grupos. Quem sabe, atrapalhando aqueles que tanto acreditam em seu futebol na Itália.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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