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Insigne vai ganhando uma importância na seleção italiana mais adequada ao seu enorme talento

O pequeno atacante do Napoli demorou para emplacar uma sequência no time nacional, mas se tornou peça central do time de Mancini

Se a questão for talento puro, provavelmente ninguém tem mais que Lorenzo Insigne na seleção italiana. Baixinho feroz, ponta insinuante, dono de muita técnica para driblar em velocidade e completar a arrancada com chutes indefensáveis. Embora com 30 anos, porém, demorou para ter um protagonismo na seleção italiana à altura do que pode fazer com uma bola de futebol, mas isso parece estar acontecendo durante esta Eurocopa – e desde a chegada de Roberto Mancini.

Nascido em Nápoles, apaixonado pelo clube do qual é capitão, fã insano de Diego Maradona, a ponto de colocar uma tatuagem com o rosto do craque argentino na sua coxa esquerda, a carreira de Insigne também dependeu bastante da sorte do Napoli. Ainda tinha 19 anos quando estreou em uma vitória sobre o Livorno, em janeiro de 2010, entrando no lugar de Germán Denis aos 49 minutos do segundo tempo.

Não foi bem uma estreia de verdade, e a prata da casa teve que rodar um pouco emprestado a clubes menores da Itália – Cavese, Foggia e Pescara – antes de fazer a sua primeira Serie A para valer, com a camisa do Napoli, em 2012/13. Jogou 37 vezes naquela temporada, sob o comando de Walter Mazzari e ao lado de Goran Pandev e Marek Hamsik.

Rafa Benítez substituiu Mazzari e consolidou um quarteto ofensivo com Insigne à esquerda, Hamsik pelo meio, Callejón à direita e Higuaín como centroavante que gerou bons resultados e deu a Insigne o seu primeiro título pelo Napoli. E com grande contribuição do baixinho de 1,63 metros, autor de dois gols na final da Copa Itália contra a Fiorentina. A segunda campanha com Benítez seria prejudicada por uma lesão nos ligamentos do joelho.

Com a chegada de Maurizio Sarri, explodiu de vez. Dentro do sistema ofensivo e de posse de bola do treinador italiano, tornou-se a opção secundária de artilharia do time, sempre entrando da esquerda para o meio com uma finalização apurada. Marcou 13 gols em 2015/16 com Higuaín de centroavante e depois guardou 20 na temporada em que Mertens passou a ser improvisado como camisa 9. Foi o momento em que deu o salto para um patamar mais alto dentro do futebol europeu.

A trajetória pela seleção italiana mais ou menos acompanhou a ascensão no Napoli. Estreou em 2012 e ainda passava mais tempo com o time sub-21 do que o principal. Passou a ganhar mais chances em 2016, mas foi apenas a partir de 2017 que passou ser estranho ver um time sem a sua presença. A Euro 2020 é a primeira grande competição em que atua com frequência, após fazer aparições apenas esporádicas na Copa do Mundo de 2014 (33 minutos contra a Costa Rica) e na Euro 2016.

A sua primeira sequência como titular foi naquele ano de 2017, durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, com cinco jogos seguidos como titular, o que tornou ainda mais estranha aquela cena já clássica do jogo de volta da repescagem contra a Suécia – quando De Rossi se recusou a sair do banco de reservas e sugeriu a Gian Piero Ventura era Insigne quem deveria entrar para tentar mudar a sorte da Itália.

No ciclo seguinte, com a chegada de Mancini, tornou-se uma peça central. Fora apenas quando esteve lesionado e com uma contribuição constante. Nos últimos 15 jogos da seleção em que esteve em campo, deu sete assistências e, diante da Bélgica, chegou a seis gols com uma pintura que Maradona aprovaria.

No finalzinho do primeiro tempo, recebeu a bola ainda no campo de defesa. E partiu. TIelemans deu o bote e levou o drible, bem na sua característica, em diagonal da esquerda para o meio. Superando um dos dois meias centrais, e com Witsel atrasado na cobertura, ficou de cara com a linha de cinco defensores da Bélgica. Nem precisou pensar muito. Antes do semi-círculo, começou a armar o chute colocado no ângulo, praticamente a sua assinatura, e executou com perfeição.

Foi dentro do forte coletivo da Itália aquele jogador que busca a jogada diferente e dá o toque de classe. Ele sempre teve esse potencial e vem finalmente correspondendo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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