Eurocopa

Guia da Eurocopa 2016: Grupo F

O Grupo F parece ter forças muito bem definidas. Portugal tem craques e tradição suficientes para liderá-lo, confiando no seu principal craque Cristiano Ronaldo. A Áustria, com bons valores, desafia os lusos pela primeira posição e tem tudo para no mínimo ficar em segundo lugar. A Islândia aparece em sua primeira Eurocopa, depois de uma grande campanha. E a Hungria volta à competição continental depois de 44 anos.

PORTUGAL

Descrição

A campanha começou com uma incrível derrota, em casa, para a Albânia, causando a demissão de Paulo Bento e certa crise no país ibérico. Apenas depois, com a classificação dos albaneses em um grupo que tinha Dinamarca e Sérvia, descobriu-se que não era uma seleção inofensiva. Mas, a essa altura, Portugal já estava recuperado. Fernando Santos assumiu a seleção, na sequência de uma boa campanha com a Grécia na Copa do Mundo, e colocou os pingos nos is. Ganhou todos os jogos restantes das Eliminatórias para a Eurocopa, sempre por um gol de diferença, e classificou a seleção portuguesa sem brilho e sem traumas.

Conseguiu boas vitórias em amistosos, contra Itália e Bélgica, mas foi duas vezes derrotado pela França, e de alguma maneira, conseguiu perder para Cabo Verde. Colocou um time alternativo em campo, mas ele continha jogadores como Hugo Almeida, João Mário, Vieirinha e André Gomes. A última impressão antes da Euro foi uma implacável goleada por 7 a 0 sobre a Estônia, com dois gols de Cristiano Ronaldo cujas formas física e técnica, como sempre, são as variáveis do quão longe seu time pode chegar.

Portugal firmou-se como uma equipe presente nos grandes torneios de seleção – desde 1996, só não disputou a Copa do Mundo de 1998 – e na Eurocopa coleta seus melhores resultados. Nas últimas quatro edições, chegou a duas semifinais e àquela decisão que perdeu para a Grécia, em casa. Na recheada edição francesa, a expectativa é alcançar pelo menos as quartas de final e apagar a decepção do Mundial do Brasil, quando os portugueses voltaram às caravelas logo depois da fase de grupos.

Como joga

O 4-3-3 está em xeque. Fernando Santos flerta com o 4-4-2 à inglesa para tentar tirar o melhor de Cristiano Ronaldo. Para livrá-lo das obrigações defensivas pelos lados, mas sem o deixar preso entre os zagueiros, deve colocar um meia à esquerda da linha do meio-campo e um companheiro no ataque. O mais provável é vermos João Mário pela direita, André Gomes no flanco canhoto, William Carvalho ou Danilo Pereira e João Moutinho por dentro. Quaresma, que reencontrou seu melhor futebol pela seleção, e Nani são os candidatos a parceiros de ataque de Ronaldo.

Destaque

Cristiano Ronaldo, de Portugal (Foto: AP)
Cristiano Ronaldo, de Portugal (Foto: AP)

Três vezes o melhor jogador do mundo, duas delas muito recentemente, Cristiano Ronaldo é um dos grandes destaques da própria Eurocopa. Marcou 51 gols em 48 jogos na última temporada e levantou mais uma vez o troféu da Champions League. No entanto, novamente teve que atuar em alto nível até a véspera de uma grande competição, e como em 2014, apresentou problemas físicos na reta final da sua campanha pelo Real Madrid. Portugal depende do seu melhor futebol não apenas para superar as expectativas, mas também para cumpri-las.

Fique de olho

Renato Sanches, jogador do Benfica e da seleção portuguesa (AP Photo/Armando Franca)
Renato Sanches, jogador do Benfica e da seleção portuguesa (AP Photo/Armando Franca)

Uma temporada como profissional, 24 jogos de primeira divisão e seis duelos europeus foram tudo que bastou para o Bayern de Munique desembolsar € 35 milhões (valor que, dependendo de variáveis, pode subir para € 45 milhões) por Renato Sanchez, de apenas 18 anos. Embora arriscado, o negócio também encontra lastro no imenso potencial demonstrado por esse meia que arrisca o passe que muitos tem medo de arriscar, chuta de longa distância e carrega muito bem a bola. Estreou em março na seleção portuguesa e já cortou a fila para chegar à Eurocopa. Mas ainda não foi titular.

Histórico

Sempre que jogou a Eurocopa, Portugal foi bem. Em seis participações, nunca ficou fora dos oito melhores: duas quartas de final, três semifinais e uma decisão. Em 2012, caiu para a campeã Espanha, nas semis.

Fora de campo

O parlamento português aprovou um projeto de lei que proíbe o abate indiscriminado em canis e gatis municipais. Caso haja superpopulação, os animais terão que ser esterilizados e doados para donos interessados. O abate por motivos de saúde segue sendo permitido, mas apenas no Centro de Recolha Oficial de Animais ou em Centros Médicos Veterinários.

ÁUSTRIA

Descrição

Apenas quatro times terminaram as Eliminatórias da Eurocopa invicto, e a Áustria foi um deles. Com nove vitórias e um empate, conseguiu a segunda melhor campanha do torneio, atrás apenas da Inglaterra (que ganhou os dez jogos). São resultados incríveis para uma seleção cujos melhores dias ficaram para trás há muito tempo. Classificou-se diretamente pela primeira vez à Eurocopa, depois de participar da edição de 2008 como país sede.

O técnico Marcel Koller, no cargo desde 2011, aproveitou a talentosa geração austríaca para fazer um time interessante de uma seleção frequentemente acusada de não corresponder ao seu potencial. A campanha no classificatório para a Copa do Mundo de 2014 já não havia sido ruim, com o terceiro lugar do Grupo C, atrás da Alemanha e da Suécia.

Enfrentou novamente os suecos nas Eliminatórias da Eurocopa, e desta vez deu o troco, embora eles tenham sido os únicos que conseguiram tirar pontos da Áustria, na primeira rodada, em Viena. De resto, apenas vitórias.

Como joga

O 4-2-3-1 de Koller pode se transformar em um 4-3-3, dependendo das necessidades. O meio campo tem Baumgatlinger, do Mainz, Junuzovic, do Werder Bremen, e David Alaba, lateral esquerdo do Bayern de Munique que vira meia na seleção austríaca. A função deles é municiar Arnautovic e Harnik, pelas pontas, e fazer a bola chegar ao artilheiro Marc Janko. Aos 32 anos, o jogador do Basel marcou sete vezes nas Eliminatórias.

Destaque

David Alaba, do Bayern de Munique (Foto: AP)
David Alaba, do Bayern de Munique (Foto: AP)

David Alaba tem talento demais, em comparação a seus companheiros de seleção, para ficar preso à lateral esquerda.  Tanto que o talentoso jogador de 23 anos atua no meio-campo quando veste a camisa da Áustria. Forte e habilidoso, suas cobranças de falta podem ser letais.

Fique de olho

Aleksandar Dragovic está prestes a dar o salto para uma liga maior, depois de mais um título ucraniano pelo Dínamo Kiev. Aliás, aos 25 anos, ele já conquistou cinco ligas nacionais: três na Suíça, pelo Basel, e duas na Ucrânia. Em janeiro, foi avaliado por Manchester United, Arsenal, Liverpool e West Ham, mas ainda tem dois anos de contrato com o Dínamo.

Histórico

Caiu na fase de grupos na sua única participação na Eurocopa, quando foi sede, em 2008, com um empate e duas derrotas, para Alemanha e Croácia. Suas grandes campanhas foram nas Copas do Mundo de 1934 e 1954. Em ambas, a Áustria ficou entre os quatro melhores colocados.

Fora de campo

Alexander Van der Bellen, presidente da Áustria (Foto: AP)
Alexander Van der Bellen, presidente da Áustria (Foto: AP)

Por uma diferença de 0,6% dos votos, ou 30.863, o ecologista de centro-esquerda Alexander Van der Bellen, concorrendo como independente, foi eleito presidente da Áustria, nas eleições de 22 de maio, vencendo o candidato de extrema-direita Norbert Hofer, que havia liderado o primeiro turno. O pleito foi decidido apenas na segunda-feira seguinte à abertura das urnas, com a contagem dos votos enviados pelo correio. O FPÖ de Hofer, que poderia se tornar o primeiro chefe de estado de extrema direita de uma nação da União Europeia em meio a uma séria crise migratória, entrou com um recurso para recorrer do resultado da eleição. São limitados os poderes presidenciais na Áustria, um regime semipresidencialista.

ISLÂNDIA

Descrição

Como um país com 330 mil habitantes, o sexto menos populoso de toda a Europa, com um clima cruel para qualquer gramado, conseguiu classificar-se para a Eurocopa? A combinação de profissionalização, bom trabalho nas categorias de base, união do grupo e um experiente treinador de seleções levou a Islândia para a sua primeira grande competição internacional.

A campanha nas Eliminatórias foi excelente. Começou com uma vitória, em casa, sobre a Turquia (cuja população é 227 vezes maior que a islandesa, caso você tenha ficado curioso) e seguiu com duas sobre a Holanda. Os três gols dos triunfos sobre a vice-campeã mundial foram marcados pelo craque da equipe, o meia Gylfi Sigurdsson, do Swansea.

O arquiteto da campanha que mobilizou o país – 8% da população comprou ingressos para a Eurocopa – foi Lars Lagerback, que comanda seleções desde 2000. Levou a sua Suécia a três Euros e duas Copas do Mundo. Comandou a Nigéria no Mundial da África do Sul antes de assumir a Islândia e deixar seu nome marcado na história do futebol do pequeno país.

Como joga

Lars Lagerback, técnico da Islândia (Foto: AP)
Lars Lagerback, técnico da Islândia (Foto: AP)

Um 4-4-2 clássico que aposta na boa defesa (sofreu apenas seis gols nas dez partidas das Eliminatórias e não foi vazado em quatro) e na força dos seus dois meias centrais. Aron Gunnarsson, do Cardiff City, é o mais defensivo. Sigurdsson, o craque, uma constante ameaça com seus chutes de fora da área, é o mais criativo. O banco de reservas ainda tem o interminável Eidur Gudjohnsen, 37 anos, que abandonou sua aposentadoria da seleção para participar da campanha islandesa.

Destaque

Sigurdsson, do Swansea (Foto: AP)
Sigurdsson, do Swansea (Foto: AP)

Sigurdsson jogou em várias posições na seleção islandesa (meia esquerda, atacante, etc), mas desempenhou seu melhor jogo pelo centro do meio-campo. Fez seis gols nas Eliminatórias e chega à Eurocopa depois de outra boa Premier League pelo Swansea, na qual marcou 11 vezes em 36 partidas.

Fique de olho

Existe outro Sigurdsson, o zagueiro Ragnar, que não é bem uma jovem promessa (29 anos), mas se destacou nas boas campanhas do Krasnodar na temporada. Chegou aos 16 avos de final da Liga Europa e foi quarto colocado no Campeonato Russo.

Histórico

A Islândia disputa sua primeira Eurocopa.

Fora de campo

Um projeto ambiental na Islândia alcançou um marco importante na luta contra as consequências do aquecimento global. Apenas dois anos depois de enterrar gás carbônico em rochas vulcânicas subterrâneas no país, ele se transformou em pedra, o que, segundo alguns especialistas, poderia levar centenas ou milhares de anos para acontecer. Caso o programa continue bem sucedido, pode apresentar um alternativa para estocar o principal inimigo da camada de ozônio.

HUNGRIA

Descrição

Um grande fracasso das Eliminatórias Europeias foi a Grécia, que conseguiu a proeza de perder duas vezes para as Ilhas Faroe. Agora, o que falar da única seleção que conseguiu ser derrotada pelo time que perdeu duas vezes para as Ilhas Faroe? A Hungria chegou à sua primeira Eurocopa desde 1972 – primeira grande competição internacional desde a Copa 1986 – com uma campanha no máximo modesta no classificatório: quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas.

O grupo, cuja cabeça de chave era a Grécia, ajudou bastante. Os líderes foram Irlanda do Norte e Romênia, que conquistaram vagas diretas para a Euro. A Hungria, em terceiro, ainda disputou a repescagem, e teve sorte novamente: pegou a Noruega, ganhou os dois jogos, e agora tenta surpreender na França.

Como joga

A Hungria joga em um 4-2-3-1, que tenta manter a posse de bola, mais defensiva do que ofensiva, e é forte na bola parada: dos 14 gols das Eliminatórias, oito saíram em escanteios, cobranças de falta diretas ou em decorrência delas.

Destaque

Kiraly, goleiro da Hungria
Kiraly, goleiro da Hungria

Poderia ser Balazs Dzsudzsak, mas é impossível ignorar a história do goleiro Gabor Kiraly, que estreou na seleção húngara em 1998 e esperou 18 anos para poder defender o seu país em uma grande competição. Aos 40 anos, deve ser o jogador mais velho a atuar na história da Eurocopa.

Fique de olho

Ádám Nagy, da Hungria (Foto: AP)
Ádám Nagy, da Hungria (Foto: AP)

Ádám Nagy tem apenas 20 anos e uma única temporada profissional na carreira, mas já impressionou o suficiente o técnico Bernd Storck para ganhar um lugar no elenco húngaro, e muito provavelmente, no time titular. O jogador do Ferencváros é aquele volante com alta inteligência tática, bom de interceptações e passe apurado para armar o jogo a partir da defesa.

Histórico

A Eurocopa surgiu depois do auge da maior seleção húngara de todos os tempos, mas o país foi muito bem nas duas vezes que disputou o torneio, com o terceiro lugar em 1964 e a quarta posição oito anos depois.

Fora de campo

Criança na fronteira da Sérvia com a Hungria (Foto: AP)
Criança na fronteira da Sérvia com a Hungria (Foto: AP)

O primeiro-ministro Viktor Orbán tem adotado uma das retóricas mais duras da Europa contra a chegada de imigrantes – foi na Hungria que uma cinegrafista chutou um refugiado sírio -, mas não ficou apenas no falatório. Em setembro do ano passado, fechou as fronteiras do país com uma cerca de arame farpado para impedir a entrada de estrangeiros pedindo asilo, ou mesmo de passagem para outros países. Não contente, sugeriu, em janeiro deste ano, que toda a Grécia, porta de entrada de imigrantes à Europa, fosse isolada do resto do continente com outra cerca.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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