Eurocopa

Entrada de Kulusevski deu à Suécia exatamente o que ela estava precisando: um pouco de inspiração no ataque

O ponta da Juventus entrou no segundo tempo e foi o autor de duas assistências na vitória por 3 a 2 sobre a Polônia

A principal crítica à seleção sueca é a falta de imaginação. Um time rígido dentro do esquema 4-4-2 que defende muito bem, mas ataca com poucas virtudes, geralmente exagerando nas bolas longas para atacantes altos. Nem a presença de um jogador de qualidade como Emil Forsberg pela esquerda do meio-campo costuma fazer muita diferença. Por isso é tão relevante que entrada de Dejan Kulusevski no segundo tempo da vitória contra a Polônia por 3 a 2 tenha feito.

Kulusevski, promessa da Atalanta que brilhou emprestado ao Parma e foi contratado pela Juventus, foi uma das únicas boas notícias da temporada da Velha Senhora. Um dos destaques individuais da Serie A. Não foi titular absoluto da seleção sueca nos jogos do último ano, mas seria uma loucura do treinador Janne Andersson não colocá-lo em campo sempre que possível durante a Eurocopa.

Porque Kulusevski é um dos melhores jogadores da sua idade. Aos 21 anos, está com a barrinha de energia sempre cheia para dar longas arrancadas pelo lado direito do campo. É aquele ponta que toda hora centraliza para soltar poderoso chutes com a perna esquerda. Consegue, sozinho, tocar o terror em uma defesa, como fez várias vezes nesta temporada com a camisa de uma Juventus que foi coletivamente fraca.

Isso é perfeito para a Suécia, que ataca poucas vezes e com poucos jogadores. No entanto, um teste positivo para Covid-19 fez com que perdesse a estreia contra a Espanha. Sendo reintegrado com cautela, não saiu do banco de reservas no jogo seguinte, contra a Eslováquia, e começou a sua Eurocopa apenas aos 10 minutos do segundo tempo diante da Polônia, ao substituir Robin Quaison.

Dentro do 4-4-2 da Suécia, poderia atuar pela direita da linha de meio-campo, o equivalente a Fosberg pelo outro lado, mas essa é a posição do capitão Sebastian Larsson. Mas ele entrou como um dos atacantes e, durante 13 minutos, fez uma dupla potencialmente explosiva com o outro jovem talento ofensivo da Suécia, Alexander Isak, antes de o jogador da Real Sociedad sair para a entrada de Marcus Berg.

Foi pouco tempo para avaliar direito como ambos podem combinar, mas o potencial é de deixar água na boca. São dois jovens com qualidade técnica, velocidade e força. Perfeitos para o estilo de jogo da Suécia e também capazes de liderar a maioria dos ataques da Europa. Mas apenas Kulusevski já foi um fator determinante para a vitória da Suécia, acuada pela Polônia no segundo tempo.

Os poloneses tiveram 67% de posse de bola, 69% no segundo tempo, um cenário perfeito para a Suécia contra-atacar. E foi isso que ela fez. Ou melhor: foi isso que Kulusevski fez, quatro minutos depois de entrar em campo. Saiu do meio-campo e avançou pela direita até entrar na área. Centralizou driblando e rolou para Fosberg bater de primeira.

Nos acréscimos, com o placar empatado em 2 a 2, recebeu de Berg, dominou, girou e soltou na hora certa para a invasão de Claesson entrar pela esquerda e garantir a vitória que a Suécia precisava para passar em primeiro lugar. Em cerca de 40 minutos em campo, tocou a bola apenas 17 vezes, completou apenas nove passes, mas dois deles se tornaram assistências decisivas para o seu time.

Foi apenas uma amostra. Suécia é um time muito bem organizado, sólido defensivamente, mas que precisa de inspiração no campo de ataque. E Kulusevski encaixa como uma luva para tentar suprir essa necessidade.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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