Eliminatórias da Eurocopa

Em grande jogo contra a Macedônia, a Ucrânia deu um passo à frente na luta pela Euro

Ucrânia e Macedônia do Norte fizeram uma partida de muito ímpeto na República Tcheca, mas a contundência dos ucranianos foi maior e valeu uma vitória fundamental

O Grupo C das eliminatórias da Eurocopa é talvez o mais cascudo da atual edição. Inglaterra e Itália são as seleções mais tradicionais, mas com a incômoda concorrência de Ucrânia e Macedônia do Norte. Neste sábado, o confronto direto entre as duas equipes do Leste Europeu aconteceu na República Tcheca, sob mando dos ucranianos. E, apesar da impossibilidade de atuar em seu território por causa da guerra, a Ucrânia deu uma prova de força com a fundamental vitória por 2 a 0, numa partida de ótimo nível. Foi uma equipe bem mais contundente, que buscou a vitória primeiro e administrou muito bem a vantagem quando a Macedônia do Norte tentou pressionar pelo empate. O resultado deixa os ucranianos em condições de brigar com a Itália pelo segundo posto e a vaga direta, enquanto os macedônios ficam em situação delicadíssima.

A Ucrânia treinada pelo velho ídolo Serhiy Rebrov possui muita qualidade à disposição, a começar pelo goleiro Anatoliy Trubin. Yukhym Konoplia, Ilia Zabarnyi, Mykola Matviyenko e Vitaliy Mykolenko são bons nomes na defesa. A cabeça de área combinava Oleksandr Zinchenko e Taras Stepanenko. Também há capacidade nas meias, com Oleksandr Zubkov e Mykhaylo Mudryk abertos, além de Georgiy Sudakov centralizado. Artem Dovbyk comandava o ataque. Na Macedônia, um grande destaque ficava para Stole Dimitrievski no gol. Ezgjan Alioski é outro bom jogador na ala esquerda. Mais adiante, Enis Bardhi atuava na armação, com Bojan Miovski e Eljif Elmas formando um ataque de mobilidade. Mas que, desta vez, não correspondeu diante do futebol direto dos oponentes.

A Ucrânia constrói a vantagem

A Ucrânia teve um início dominante na partida. Era o time que jogava no ataque, ao explorar sobretudo sua velocidade pelos lados do campo e enclausurar a Macedônia do Norte. Num ritmo bastante forte, os ucranianos não demoraram a forçar as primeiras chances. Dimitrievski evitava o pior aos macedônios. O goleiro realizou sua primeira boa defesa aos 12, numa batida fechada de Dovbyk. Já o primeiro duelo com Mudryk aconteceu aos 16, numa intervenção ainda mais difícil numa batida forte de dentro da área, após ótima arrancada do ponta. Do outro lado, os balcânicos mal conseguiam responder. Teriam um contra-ataque isolado, apenas.

A partir dos 20 minutos, a Ucrânia passou a arriscar mais os chutes de longe. Conseguiu o merecido gol aos 30 minutos, numa batida de fora da área dada por Sudakov. O lance surgiu a partir de uma roubada de bola dos ucranianos, em erro na saída dos macedônios. E um desvio na marcação se tornou decisivo para matar Dimitrievski no lance. Só depois disso é que a Macedônia do Norte acordou. A Ucrânia recuou e os adversários foram correr atrás do prejuízo. Acionavam principalmente o lado direito do ataque, com Bojan Miovski flutuando por ali. Era quem mais dava trabalho à marcação. O goleiro Trubin também foi importante, com boas intervenções, sobretudo após infiltração de Stefan Askovski.

Macedônia pressiona, mas sofre atrás

O segundo tempo começou da mesma maneira como o primeiro havia terminado: com a Macedônia do Norte no ataque. Rondava a área da Ucrânia e Darko Churlinov deu seu cartão de visitas ao entrar, com um chute que exigiu um milagre de Trubin no mano a mano. O problema é que, do outro lado, os contragolpes auriazuis causavam até mais problemas. Dovbyk já tinha perdido boa chance, ao escapar na área e acabar batendo para fora sob pressão. Do outro lado, os macedônios insistiam pelo empate e arriscavam contra a meta de Trubin, mas sem o mesmo nível de ameaça. Outro lance vital aconteceu aos 14, quando Mudryk partiu em velocidade e ficou no mano a mano com Dimitrievski. O goleiro realizou uma defesa monumental. Logo depois, num escanteio aos 15, Mykola Matviyenko mandou uma cabeçada no travessão e Dovbyk não conseguiu concluir no rebote.

A posse de bola da Macedônia do Norte significava pouco. As mudanças no time não auxiliaram e, aos poucos, o ímpeto pelo empate arrefeceu. A equipe ainda tentou alguns chutes de fora da área, mas parou na barreira da Ucrânia e deu sua última finalização aos 29 minutos. Era um jogo muito mais aberto para os ucranianos resolverem a parada, e as oportunidades para o segundo voltaram a se tornar mais frequentes depois dos 35. Auxiliava também a qualidade superior do banco ucraniano. Rebrov acionou vários jogadores tarimbados ao longo do segundo tempo, incluindo Ruslan Malinovskyi e Roman Yaremchuk. Aleksandar Trajkovski não teria o mesmo efeito do outro lado.

Dimitrievski fazia uma partida impecável até então e se esticou todo para dar uma ponte aos 36. Desviou o chute de longe de Sudakov com a ponta dos dedos e ainda viu a bola triscar no travessão. Voltou a se agigantar aos 42, numa batida de Yaremchuk dentro da área, que o arqueiro desviou no contrapé. A única falha de Dimitrievski aconteceu quando parecia tarde demais para a reação do seu time, aos 50 minutos. A Ucrânia selou o resultado graças aos seus substitutos. Num contra-ataque tardio, Oleksandr Karavayev percebeu a desatenção do arqueiro e resolveu arriscar de muito longe. Do lado esquerdo da intermediária, bateu direto para o gol e, fora de posição, Dimitrievski pôde apenas assistir ao gol surpreendente. Resultado merecido dos ucranianos, diante da maneira como foram bem mais contundentes.

Como fica a situação

A Ucrânia entra na zona de classificação do Grupo C das eliminatórias da Eurocopa, com dez pontos em seis jogos. Está na segunda colocação, abaixo da Inglaterra, com 13 pontos em cinco jogos. A ameaça é a Itália, com sete pontos, mas apenas quatro jogos disputados no momento. Já a Macedônia do Norte se complica na disputa, com sete pontos, mas seis partidas e desvantagem em caso de igualdade com os ucranianos. Malta fica na lanterna, com zero pontos.

A Macedônia do Norte tem uma tabela ingrata, contra Itália fora e Inglaterra em Skopje. As chances de uma classificação direta parecem remotas. Já a Ucrânia pega Malta na sequência e deverá somar três pontos para o confronto direto com os italianos na rodada final, sob mando dos auriazuis.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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