Eurocopa

“É só um jogo”, disse pequeno torcedor de Portugal para consolar francês

Além da lesão e do choro do maior craque da seleção de Portugal, do gol decisivo de um dos jogadores mais desacreditados e da comemoração comum incandescente da torcida portuguesa, uma cena que chamou atenção no último domingo, na final da Eurocopa, foi protagonizada por Matisse, um pequeno garoto cujo coração é gigante. Depois do apito final, torcedores da França faziam seus caminhos de volta para casa sem motivos aparentes para sorrir. Alguns deles não puderam conter suas lágrimas. Normal. Foi quando um destes foi abordado por Matisse, que vestia a camisa da seleção campeã, e recebeu um abraço de consolo do menino que tem apenas dez anos de idade. Um gesto nobre envolvendo os dois lados do futebol em tempos de ignorância e estupidez.

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“Não é mais do que um jogo, mas eu entendo como você se sente”. Foi isso que Matisse falou ao torcedor francês que chorava após a derrota de sua seleção em casa, segundo a própria criança revelou a um jornal francês. “Estavam entregando a taça e minha mãe disse que tínhamos que ir embora porque algumas pessoas estavam embriagadas e poderia acontecer algo ruim. Foi quando vi aquele francês triste, e eu sou sensível quando as pessoas choram por causa de uma derrota, mesmo que eu não as conheça, então decidi consolá-lo”, explicou o garoto, que apesar de ter torcido para os comandados de Fernando Santos, é natural da França e mora no país desde que nasceu. Filho de uma portuguesa com um francês, Matisse não sabe falar português e conta que escolheu torcer para a equipe lusa porque “não tinha ganhado um título europeu, enquanto a seleção francesa já tinha”.

O abraço de consolação e fairplay, em poucos minutos, correu o mundo e acabou se tornando viral. A mãe do menino, durante a reportagem, afirmou que não imaginava que ele fosse agir dessa maneira e se sentiu muito feliz vendo a cena. Depois da atitude em si, que foi pra lá de espetacular, a revelação do que Matisse disse ao tentar confortar o torcedor do time adversário foi outra coisa que chamou bastante a atenção: “Não é mais do que um jogo, mas eu entendo como você se sente”. Bem, talvez todos os sentidos bons que um gesto desse carrega já estejam embutidos na palavra “jogo” de uma maneira latente. Talvez esse sentimento já esteja atrelado a essência do futebol de qualquer forma. Ou talvez ele só tenha se expressado mal.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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