Eurocopa 2024

16 jogadores da Euro 2020 que, mesmo eliminados nas quartas ou nas semis, saem maiores às suas seleções

Aproveitamos o fim das semifinais para destacar diversos jogadores que deixam o torneio em alta

Ao longo da última semana, mais seis seleções da Eurocopa voltaram para casa, com o encerramento das quartas de final e também das semifinais. No geral, o saldo para elas foi positivo. Se as oitavas reuniram diversos times que se despediram antes do esperado e frustraram as expectativas, das quartas em diante apenas a Bélgica pareceu sair antes do que seu potencial realmente apontava. A Espanha não fez uma campanha impecável, mas foi melhor que a encomenda. Enquanto isso, o percurso seria marcante para Ucrânia, Suíça, República Tcheca e Dinamarca – mesmo que as duas últimas tenham títulos em seu currículo.

Aproveitando o momento, listamos 16 jogadores que saíram desta Eurocopa maiores às suas seleções. Nos casos de Bélgica e Espanha, deixamos de lado um pouco os figurões cujo ápice aconteceu antes, mesmo que tenham jogado bem o torneio – caso de Sergio Busquets, que transformou a Roja ao voltar à equipe, ou de Kevin de Bruyne, que carregou os Diabos Vermelhos mesmo no sacrifício. Enquanto isso, as outras quatro equipes reúnem protagonistas que lideraram os bons desempenhos e também revelações que carregam as esperanças de um sucesso mais duradouro no futuro. Confira os nomes:

Pedri

Aos 18 anos, Pedri chegou à Eurocopa como um dos mais jovens do torneio, prêmio à ótima temporada com o Barcelona. A princípio, seria opção no banco, mas Luis Enrique resolveu escalá-lo como titular. Não deixou mais a equipe. Mesmo nos momentos ruins da Roja na campanha, o meio-campista esteve entre os melhores do time. Demonstrou uma maturidade imensa não apenas para auxiliar no funcionamento coletivo, com muita qualidade técnica no toque de bola, mas também para garantir um pouco mais de agressividade na ocupação de espaços e mesmo na marcação sobre os adversários. É forte candidato ao prêmio de melhor jovem do torneio.

Olmo e Ferran Torres comemoram (Foto: Imago / One Football)

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Dani Olmo

Dani Olmo teve uma trajetória atípica, ao sair da base do Barcelona para se desenvolver no Dinamo Zagreb. Brilhou na Croácia e também na seleção sub-21, o que abriu as portas da Roja durante o último ciclo. O garoto perdeu a posição na fase de grupos, mas cresceu com o time nos mata-matas. Sairia do banco para definir a classificação contra a Croácia e foi o melhor espanhol na eliminação contra a Itália. A semifinal mostrou toda a inteligência do novato, jogando mais centralizado no ataque e ainda assim causando muitas dificuldades aos adversários. É versátil e muito habilidoso. Aos 23 anos, pode até ganhar mais protagonismo no RB Leipzig.

Laporte comemora o gol e é abraçado por Koke (Imago / OneFootball)

Aymeric Laporte

Laporte foi um acréscimo de última hora da Espanha para a Eurocopa, ao se naturalizar e optar pela seleção do país onde despontou como jogador. E o zagueiro se provou importante na equipe. Se de início quem chegava à Euro como provável referência na zaga era Pau Torres, com o decorrer da competição ficou claro como Laporte era mais consistente. Por mais que a Roja tenha abusado dos erros atrás, o beque ainda assim foi um dos melhores do time individualmente. Comandou o miolo da área e ainda teve seu papel na construção, como o gol anotado por Álvaro Morata contra a Itália bem mostrou.

Mikkel Damsgaard

Damsgaard era o mais jovem do elenco da Dinamarca na Eurocopa e parecia chegar ao torneio para ganhar experiência. Sequer entrou em campo na estreia. Porém, a partir do segundo jogo, seria uma das razões da melhora do time em sua arrancada até as semifinais. O ponta esquerda apresentou um futebol agressivo e muito participativo na definição das jogadas. Marcou dois gols, mas também infernizou os marcadores no mano a mano e criou boas oportunidades aos companheiros. Completou apenas 20 anos neste início de julho, com uma longa caminhada pela frente na seleção e também na Sampdoria.

Joakim Maehle, da Dinamarca (Imago / OneFootball)

Joakim Maehle

A temporada na Atalanta apresentou as credenciais de Maehle, depois de ser contratado junto ao Genk. Ainda assim, o lateral de 24 anos impressionou por seu impacto na Eurocopa. Seria uma das principais armas ofensivas da Dinamarca, conduzindo o time nas goleadas sobre Rússia e Gales. Também seria essencial contra a República Tcheca, com uma assistência de rara beleza. Garantiu muita intensidade em seu jogo e também capacidade de adaptação, considerando que foi utilizado na direita, embora tenha jogado mais na esquerda. Apesar da concorrência duríssima em seu setor, fez o suficiente para figurar entre os melhores alas da competição.

Kasper Schmeichel

Kasper Schmeichel era o grande candidato a protagonista da Dinamarca, ao lado de Christian Eriksen. Mesmo assim, o goleiro ampliou sua importância dentro da equipe nacional. Aos 34 anos, o arqueiro do Leicester permaneceu como uma liderança importante em meio à montanha-russa de emoções vivida por seu elenco e também cresceu em partidas decisivas. Foram boas defesas nos jogos contra Rússia e República Tcheca, que possibilitaram a classificação dos dinamarqueses. E se os escandinavos mantiveram as esperanças contra a Inglaterra, foi graças à sua coleção de milagres. Depois de uma ótima Copa de 2018, a Euro confirma sua aura.

Kjaer, da Dinamarca (Foto: Imago/One Football)

Simon Kjaer

Dentro de campo, Kjaer não foi exatamente o melhor zagueiro da Dinamarca. Andreas Christensen acabou se saindo melhor ao longo da competição. A imagem deixada pelo capitão, porém, será eterna. O atleta do Milan foi um digníssimo dono da braçadeira durante o colapso de Christian Eriksen. Lidou com o companheiro inconsciente no gramado, facilitou o resgate, acalmou na medida do possível os demais jogadores, consolou a esposa do camisa 10 em meio ao desespero. E virou um símbolo dessa volta por cima dada pelos dinamarqueses. Ainda fez boas partidas na competição, apesar do gol contra diante da Inglaterra.

Pierre-Emile Hojbjerg

A temporada de Hojbjerg pelo Tottenham tinha sido boa o suficiente para acreditar que o meio-campista poderia ser um dos melhores jogadores da Dinamarca na Eurocopa. De fato, conseguiu ser, brilhando em sua primeira competição internacional pela seleção. O volante de 25 anos se complementou muito bem ao lado de Thomas Delaney. Mais importante, organizou o time e foi o ponto gravitacional em meio a um sistema coletivo tão bem encaixado pelos dinamarqueses. Não apareceria tanto na conclusão das jogadas, mas terminou com três assistências e foi essencial para que a engrenagem girasse.

Patrick Schick comemora seu gol pela Tchéquia contra a Escócia (Imago / OneFootball)

Patrik Schick

Quando Schick despontou no início de sua carreira, dava para esperar que ele estrelasse a seleção da República Tcheca dentro de um tempo. Sua trajetória não seria tão linear por clubes, mas o atacante fez tudo o que se esperava dele durante a Euro 2020. Brigou lá na frente, garantiu presença de área e foi a ponta da lança em uma equipe vertical. Resultado? Muitos gols. Foram cinco tentos marcados em cinco partidas, que o deixaram empatado com Cristiano Ronaldo na artilharia da competição. Melhor ainda, assinalou uma pintura antológica que figurará em qualquer vídeo de maiores golaços da história da competição.

Vladimir Coufal

Qualquer prévia da República Tcheca para a Eurocopa apontaria os dois representantes do West Ham como jogadores importantes da equipe. Vladimir Coufal conseguiu superar Tomás Soucek e terminar o torneio sob grande reconhecimento. O lateral direito de 28 anos concentrou boa parte das jogadas ofensivas dos tchecos, dando respiro nas subidas ao ataque e também uma jogada perigosa na bola aérea. Foi muito eficiente durante a competição e seus cruzamentos renderam duas assistências. É candidato a uma virtual seleção do torneio, considerando que as opções na lateral direita são menos numerosas do que na esquerda.

Sommer, da Suíça (Foto: Stanislav Krasilnikov/TASS/Imago/One Football)

Yann Sommer

Sommer já tinha saído da fase de grupos como um dos melhores goleiros da Eurocopa, sobretudo pela forma como possibilitou a vitória tranquila sobre a Turquia. Também seria exigido na histórica classificação contra a França, dando sua contribuição ao resultado sobretudo no pênalti de Kylian Mbappé. Mas nada comparado à partidaça que fez diante da Espanha, colecionando defesas, algumas de extrema dificuldade. Não deu para passar nos pênaltis, mas permanece como forte concorrente à seleção do campeonato. Sua segurança valeu demais à Suíça em outros torneios e desta vez ele conseguiu levar a seleção além das expectativas.

Granit Xhaka

Foi uma pena não ver Granit Xhaka contra a Espanha, suspenso. Até a eliminação, o meio-campista tinha sido o grande termômetro da campanha da Suíça. Não que se esperasse pouco dele, considerando a carreira reconhecida em clubes. O capitão, ainda assim, superou a si mesmo pelo excelente desempenho nas duas vitórias dos helvéticos. O funcionamento do time dependeu bastante do volante, por sua combatividade e também por sua participação nas transições. Os lançamentos do camisa 10 abriram caminhos e sua atuação diante da França seria gigante. É uma das faces do sucesso marcante dos suíços.

Thorgan Hazard comemora o gol da vitória da Bélgica (Imago / OneFootball)

Thorgan Hazard

Thorgan cresceu como o irmão menos celebrado da família Hazard, entre aqueles que se tornaram profissionais. Eden era um fenômeno desde o início da carreira, defendeu clubes gigantes e brilhou numa Copa do Mundo. Thorgan despontou depois, mas sem se aproximar da fama do primogênito. Nesta Eurocopa, entretanto, ele seria mais valioso à Bélgica. Com Eden sem as melhores condições, foi Thorgan quem disputou mais minutos e também viveu seus momentos de brilho. Marcou dois gols e, também com uma dose de sorte, garantiu a classificação sobre Portugal nas oitavas. Numa seleção com tantos figurões, ele apareceu mais que o imaginado.

Jérémy Doku, da Bélgica (Foto: Imago / One Football)

Jérémy Doku

Mais jovem do elenco da Bélgica com sobras, Doku justificou sua convocação pelas boas atuações nos últimos meses, ainda que atravesse um período de adaptação no Rennes. Passou a maior parte da Euro no banco, mas virou opção para o jogo contra a Itália e terminou como o jogador belga mais temido pelos defensores adversários. Não teve receio em pegar a bola e aplicar dribles para cima dos oponentes. Pelo contrário, as melhores oportunidades dos Diabos Vermelhos em busca de uma reação contra os italianos partiram dos pés do garoto, sofrendo pênalti e enfileirando marcadores. Tem só 19 anos.

Zinchenko, da Ucrânia (Foto: Ludvig Thunman/Imago/One Football)

Oleksandr Zinchenko

Zinchenko não era exatamente o jogador mais querido por parte dos torcedores ucranianos. Quando a guerra civil estourou, a promessa da base do Shakhtar Donetsk se desligou do clube e se refugiou na Rússia, defendendo o pequeno Ufa. Seria muito criticado por se juntar “ao inimigo”. A reaproximação com o público aconteceu quando foi vendido para o Manchester City e se tornou um dos principais representantes do futebol local. E a Eurocopa reata de vez esses laços, pela maneira como o meio-campista honrou a camisa. Executou diferentes funções e foi um homem de confiança de Andriy Shevchenko. Seria o melhor da equipe na vitória sobre a Suécia, que botou os ucranianos nas quartas.

Yarmolenko comemora o gol da Ucrânia junto com Shaparenko (Imago / OneFootball)

Andriy Yarmolenko

Yarmolenko era um coadjuvante na Euro 2012, realizada no país, servindo passes a Shevchenko. Nesta edição do torneio continental, reencontrou-se com o antigo companheiro de ataque, agora no papel de treinador, e virou uma referência na linha de frente. Não foi uma campanha impecável do atacante, mas ainda assim ele ajudou a levar sua seleção mais longe. Anotou dois gols e deu duas assistências ao longo da competição, brilhando especialmente contra a Macedônia do Norte. Aos 31 anos, é sua maior contribuição à Ucrânia. Quando for citado este time, talvez seja o primeiro nome lembrado entre os jogadores.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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