Croácia surpreende e mostra força

Já era esperado que a Croácia faria uma boa participação na Eurocopa, no entanto, a primeira colocação no Grupo B e a ótima atuação diante da Alemanha elevou o status da seleção croata. Se antes a equipe era apontada como uma eventual surpresa antes da competição começar, três partidas depois, é tida como virtual semifinalista.
Nas quartas-de-final os croatas encaram a ainda mais surpreendente Turquia, que avançou na bacia das almas, em uma partida épica contra a República Tcheca. Mas, no atual momento, a Croácia é favorita.
A estréia contra a Áustria não foi uma partida dos sonhos, mas os croatas, liderados por Luka Modric, fizeram o suficiente para vencer por 1 a 0. Modric, por sinal, tem correspondido às expectativas e é o grande destaque da equipe. Líder do meio-campo, tem chamado o jogo para si e por seus pés passam a maioria das jogadas da seleção.
O jogo contra a Alemanha serviu para provar a capacidade desse time, comandado por Slaven Bilic no banco. Pletikosa tem sido impecável no gol; a defesa é forte e tem no lateral-direito Corluka seu ponto forte; o meio, além de Modric, conta com a eficiente marcação e saída de bola de Srna, Niko Kovac e Kranjcar; até mesmo o ataque, que era muito criticado, tem funcionado, tanto que Olic e Klasnic marcaram um gol cada.
Para completar a boa fase, a equipe reserva venceu a Polônia por 1 a 0 no terceiro jogo, sem dificuldades, e manteve o 100% de aproveitamento da seleção croata.
Contra a Turquia, será um jogo difícil, principalmente pela empolgação dos adversários. Porém, os turcos devem ter sete desfalques para a partida, resultado de suspensões e contusões. Isso só aumenta o favoritismo da Croácia, que avançando às semifinais, encontra novamente a Alemanha ou Portugal.
Antes da Euro começar, a Trivela preparou um especial de cada seleção e buscou, com jornalistas de cada país, a expectativa acerca da participação do time. Na Croácia, a imprensa, em geral, via a classificação para as quartas-de-final como maior objetivo, mas os torcedores acreditavam nas semifinais, para igualar o feito da Copa de 1998, quando a equipe caiu somente nessa fase contra os franceses. Quem sabe…
Um lance
“O pênalti é a razão pela qual vamos para casa. Tivemos a oportunidade de bater os campeões do mundo aos 36 do segundo tempo e não aproveitamos. Vamos pensar muito no pênalti. Vamos pensar quando formos para casa, vamos pensar quando estivermos dormindo”.
A frase de Cosmin Contra após a derrota da Romênia para a Holanda, por 2 a 0, que eliminou a equipe da Eurocopa, prova como o futebol é cruel. Obviamente não se pode colocar toda a responsabilidade da eliminação romena em um lance, mas a cobrança de pênalti desperdiçada por Adrian Mutu, no final da partida contra a Itália, vai ficar na memória de muita gente por um longo tempo. Fica aquela sensação: “ah se ele tivesse
marcado…”.
Não marcou e isso não tira seu brilhantismo. Mutu foi o melhor jogador romeno na competição. Buscou o jogo o tempo todo durante as três partidas, não se escondeu e tentou liderar o time. O próprio Contra foi outro destaque, além do goleiro Lobont. Se for para apontar uma decepção, Chivu desponta.
A verdade é que a Romênia apresentou um futebol defensivo ao longo do torneio, totalmente diferente daquele demonstrado nas eliminatórias. A própria escalação mudou, com a saída de Dica e a entrada de Nicolita, além de alterações no comando do ataque. Victor Piturca poderia ter sido mais ousado, principalmente contra franceses e holandeses. Não foi e a Romênia volta mais cedo para casa.
Tchecos e poloneses
É necessário fazer duas análises da República Tcheca: 1 – inicialmente, os tchecos não eram favoritos para avançar no Grupo A. Estavam atrás de Portugal e Suíça, mas à frente da Turquia; 2 – na prática, o time teve todas as chances de avançar. Surpreendeu os suíços, perdeu para os portugueses como previsto, mas caíram em partida épica diante dos turcos.
Enfim, os tchecos, no final das contas, decepcionaram, principalmente pela eliminação ter acontecido da forma que foi. Os meias Plasil e Sionko fizeram um bom torneio, assim como Cech, que no entanto ficará marcado pelo erro contra a Turquia. Na frente, certamente foi a despedida de Koller, enquanto Baros pouco fez e Sverkos surge como boa opção de renovação. Atrás, Jankulowski mostrou sua força ofensiva como sempre.
Já a Polônia não fez nada além do esperado. Derrotas para Alemanha e Croácia (reserva), e empate com a Áustria. Até poderia ter conquistado o triunfo diante dos austríacos, mas um pênalti aos 48 minutos do segundo tempo impediu isso.
O único destaque do time foi o goleiro Boruc, que merece uma transferência para um gigante europeu há tempos. Fez defesas sensacionais e sempre se mostrou seguro, pena que a defesa à sua frente não corresponde. Para não ficar apenas com ele, Lewandowski no meio-campo também foi bem, muito forte na marcação.


