Com brasileiros em alta, Shakhtar pega o AZ praticamente classificado e mira título europeu
Shakhtar constrói vantagem sólida na ida, mantém tradição de protagonismo brasileiro e se aproxima de mais uma semifinal continental
Mesmo longe de casa e atravessando um dos períodos mais delicados de sua história recente, o Shakhtar Donetsk segue encontrando caminhos para competir em alto nível na Europa. Nesta quinta-feira (16), a equipe ucraniana visita o AZ Alkmaar, às 13h45 (de Brasília), no AFAS Stadion, pelo jogo de volta das quartas de final da Conference League, carregando uma vantagem confortável construída na ida: 3 a 0, com assinatura brasileira nos três gols.
O placar elástico não só aproxima o Shakhtar da semifinal, como reforça a capacidade do clube de se manter competitivo em condições anormais. Sem atuar em casa desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, a equipe transformou o exílio em rotina e, mesmo mandando seus jogos europeus em Cracóvia, na Polônia, segue encontrando respostas dentro de campo — quase sempre a partir do talento brasileiro.
Com campanha sólida — seis vitórias, um empate e duas derrotas em nove jogos —, o gigante ucraniano vem se consolidando como um dos favoritos ao título. Eliminou o Lech Poznań em confronto apertado nas oitavas e agora colhe os frutos de um elenco jovem, dinâmico e cada vez mais entrosado.
A essência brasileira como diferencial competitivo do Shakhtar
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Se há um traço que atravessa gerações no Shakhtar, é a aposta no futebol brasileiro. Desde os tempos de nomes como Fernandinho e Willian, o clube construiu uma reputação sólida como porta de entrada para jovens talentos rumo às grandes ligas. E, mesmo diante de um cenário adverso, essa estratégia segue viva — e funcionando.
Atualmente, o elenco conta com 12 brasileiros, muitos deles com papel de protagonismo. O jogo de ida contra o AZ foi a prova mais recente disso: gols de Pedrinho e Alisson Santana selaram uma vitória que traduz bem o momento da equipe.
Pedrinho, revelado pelo Corinthians e com passagem pelo Atlético-MG, vive uma temporada de afirmação. Atuando preferencialmente pelo lado direito, ele combina velocidade com capacidade de decisão no último terço. São oito gols e nove assistências em 34 partidas para ele em 2025/26.
Outro nome que cresce em importância é Alisson. Formado no Atlético-MG, ele oferece profundidade e agressividade no um contra um. Seu estilo vertical tem sido uma arma importante em jogos de transição. Soma seis gols e sete assistências em 21 partidas na atual temporada.
Mas não são apenas eles. Eguinaldo, ex-Vasco, é mais um exemplo de como o clube lapida talentos. Atacante de mobilidade constante, ele atua tanto centralizado quanto aberto, oferecendo alternativas ao treinador. Sua capacidade de atacar espaços e pressionar a saída adversária o torna peça útil em diferentes contextos de jogo. Tem sete tentos e quatro assistências em 2025/26.
Já Luca Meirelles representa a nova safra. Ainda em processo de adaptação, o ex-Santos é visto internamente como um jogador de grande potencial técnico, com boa leitura de jogo e qualidade na construção ofensiva. Sua utilização tem sido gradual, mas consistente o suficiente para indicar que pode ganhar protagonismo nas próximas temporadas. Já balançou as redes nove vezes em 22 jogos desde que chegou.
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Entre a tradição europeia e os desafios do presente
Se o presente aponta para uma campanha consistente, o passado serve como referência. O Shakhtar busca seu segundo título continental, tendo como principal conquista a Copa da Uefa de 2008/09 (atual Liga Europa), quando venceu o Werder Bremen na final. Aquele time, treinado pelo lendário Mircea Lucescu, também tinha forte presença brasileira e ficou marcado pelo futebol ofensivo e envolvente.
De lá para cá, muita coisa mudou — dentro e fora de campo. A guerra forçou o clube a uma realidade itinerante, sem a força de seu estádio e de sua torcida local. Ainda assim, a estrutura de captação e desenvolvimento de talentos segue operante, e o Shakhtar continua sendo um destino atrativo para jovens, principalmente brasileiros.
Há, claro, limitações. A instabilidade política e logística impacta o planejamento esportivo, dificulta a retenção de jogadores e impõe desafios extras na preparação. Mas, curiosamente, também reforça um aspecto que o clube domina: a necessidade de se reinventar constantemente.