Conference League

Mourinho renega o rótulo de “Special One”: “É o momento do time, não de um indivíduo”

O técnico português prepara-se para sua quinta final europeia nesta quarta-feira, no comando da Roma, contra o Feyenoord, valendo o título da Conference League

O apelido de Special One, que José Mourinho deu a si próprio quando chegou à Inglaterra, era uma ótima ilustração da maneira como ele encarava seu cargo: era tudo sobre ele. O técnico mais midiático dos últimos temos, que adorava recitar seu currículo em entrevistas coletivas, está bem mais modesto hoje em dia – em parte porque parou de bancar a arrogância com os resultados. Mas o processo parece ter se acentuado na Roma, a ponto de o português renegar aquele apelido.

Desde que saiu do Real Madrid, Mourinho se viu preso em um limbo entre a imagem de vencedor que construiu, com muita justiça, e os novos trabalhos que não correspondiam a ela, gritando o quanto era bom, sem comprovar em campo. A sua bola havia começado a baixar no Tottenham, mas o carinho com que foi recebido na capital italiana parece ter completado a transformação, e agora Mourinho só fala em família, coletivo e que os holofotes são todos dos jogadores.

“A história do Special One é velha. Eu estava no começo da minha carreira. Quando você ganha mais maturidade e estabilidade, pensa mais nas pessoas e menos em si mesmo. É uma história velha. Eu não acredito em mágica. Quando você chega a uma final após uma temporada de trabalho, o trabalho está feito. É o momento do time, não é o momento de um indivíduo”, afirmou o português antes da final da Conference League contra o Feyenoord nesta quarta-feira.

As lágrimas que derrubou ao se classificar à terceira final mais importante do futebol europeu de clubes já foram evidência de que Mourinho está mais preocupado em aproveitar o presente do que se agarrar ao seu vitorioso passado. E ele até diz que “ao contrário do que pensava”, experiência não ajuda nestes momentos – e ele tem bastante: será sua quinta decisão europeia. “Eu sinto a mesma coisa que senti na minha primeira final. Estou focado. Talvez seja minha maneira de preparar para os jogos. Não acredito em poções mágicas. Não acredito em feitiços. Não há nada especial a ser feito, apenas ser um time. Saber nossas qualidades, saber nossas limitações”, disse.

A Roma venceu sua “primeira final” na última sexta-feira ao derrotar o Torino e garantir vaga na Liga Europa da próxima temporada e com ou sem título Mourinho acredita que a sua primeira campanha no clube foi um sucesso. “Não importa como a final termine, esta é uma temporada positiva para nós. Estamos no fim da jornada, no fim da temporada. Conseguimos manter o entusiasmo em um bom nível, sem exagerar e mantendo o foco no jogo. Os jogadores estão focados, com a mentalidade certa e com alegria – você precisa de alegria para jogar este tipo de jogo”, afirmou.

“Fizemos história chegando a uma final europeia, claro. Estando em uma final, você tem que vencê-la e escrever a história. Se eu vencê-la, serei o primeiro a conquistar todos os troféus europeus (Champions, Liga Europa e Conference), mas apenas se eu vencer”, disse.

Sem jogar há um mês, Henrikh Mkhitaryan voltou aos treinamentos e diz que está “pronto para jogar”, segundo Mourinho. “Foi importante para ele e eu acredito em como ele se sente fisicamente”, disse o português, indicando que pode voltar a escalar o armênio na partida da próxima quarta-feira, às 16h (Brasília) em Tirana, na Albânia.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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