Conference League

Guia da Conference 2021/22: 15 histórias interessantes para acompanhar no novo torneio da Uefa

Diante da edição inaugural da nova competição europeia, listamos alguns clubes para ficar de olho

Uma nova era nas competições europeias começa definitivamente nesta semana. Apesar de dois jogos adiantados para a última terça-feira, é nesta quinta que a Conference League acumula grande parte da rodada inaugural em sua fase de grupos. A competição se inicia com uma proposta mais plural, conferindo poucas vagas aos representantes das maiores ligas nacionais e se espalhando por diferentes cantos do mapa. Não à toa, os 32 clubes se dividem por 26 federações diferentes. Armênia, Estônia e Gibraltar colocam pela primeira vez seus times na fase de grupos de uma copa europeia, por exemplo.

Se o nível do futebol parece abaixo de Champions e Liga Europa, ao menos no papel, a Conference reunirá boa parte das histórias surpreendentes e alternativas desta temporada europeia. Abaixo, preparamos um guia com equipes a acompanhar e destacamos por que os feitos de alguns times são tão fascinantes. Confira:

O Lincoln comemora (Foto: Imago / One Football)

Lincoln Red Imps, o pioneiro de Gibraltar

Quando Gibraltar foi admitido pela Uefa e passou a integrar as copas europeias, a partir de 2014/15, parecia impossível imaginar uma equipe do território na fase de grupos de um torneio continental. A seleção local representa tamanha pequenez e sequer pontuou em Eliminatórias da Copa ou da Euro, atualmente em sua quarta participação. Das seis vitórias em 60 partidas, quatro vieram na quarta divisão da Liga das Nações e outras duas em amistosos. Entre os clubes, entretanto, o Lincoln Red Imps não demorou a aprontar. Dono de seis dos oito títulos disputados desde a admissão da federação, os rubro-negros desde os primeiros anos conseguiram classificações contra equipes menores, como Santa Coloma e Flora Tallinn. Já uma façanha ocorreu com o inesperado triunfo sobre o Celtic por 1 a 0 em 2016, apesar da posterior eliminação na Champions.

Na temporada passada da Liga Europa, pela primeira vez, o Lincoln superou duas fases até ser eliminado pelo Rangers. E teria mais em 2021/22. Os rubro-negros despacharam o luxemburguês Fola Esch com goleada na primeira etapa da Champions. Caíram depois para Cluj e Slovan Bratislava, o que os redirecionou à Conference. Isso até a classificação monumental sobre o Riga FC no jogo decisivo da qualificação. Ver o território de 34 mil habitantes numa copa europeia é algo gigantesco. O tradicional Victoria Stadium, única praça esportiva do país, será um palco especial nesta temporada. O Lincoln possui nove jogadores da seleção de Gibraltar, incluindo o capitão Roy Chipolina, grande figura da equipe nacional. Seu primo Joseph Chipolina e o camisa 10 Liam Walker são outros destaques. Ainda há alguns jogadores estrangeiros, sobretudo espanhóis. E um detalhe curioso é que o Lincoln será o único representante da Península Ibérica nesta Conference, diante das ausências de clubes portugueses e espanhóis.

O Alashkert (Foto: Imago / One Football)

Alashkert, o pioneiro da Armênia

A Armênia tinha sua força nos tempos de Campeonato Soviético. O Ararat Yerevan era uma espécie de seleção armênia dentro da liga local e foi campeão em 1973, totalizando 33 temporadas na elite. Desta maneira, chegou a disputar a Champions e até venceu o Bayern nas quartas de final, antes da eliminação para os futuros bicampeões em 1974/75. Porém, o Ararat estagnou com o fim da União Soviética e nunca outro clube local atingiu tal grau de relevância. Times como o Pyunik e o Banants se acostumaram a disputar as preliminares das copas europeias, mas sem alcançar a fase de grupos. Coube ao Alashkert ser o pioneiro.

O clube criado em 1990 só ganhou relevância a partir da última década, quando foi refundado por um empresário local. Com dinheiro, o time de Yerevan conquistou quatro dos últimos seis títulos nacionais e começou a figurar na Europa. Nunca tinha passado além da terceira fase preliminar, até quebrar barreiras nesta temporada, repescado da Liga Europa após a queda contra o Rangers na última fase qualificatória. Uma curiosidade é a parceria que o clube firmou com Botafogo e Fluminense, facilitando o trânsito de jogadores brasileiros. O elenco atual tem cinco atletas do país, incluindo os atacantes Nixon e Matheus Alessandro. Na abertura da Liga Europa, apenas Tiago Cametá foi titular, na derrota por 4 a 1 para o Maccabi Tel Aviv.

O Flora Tallinn (Foto: Imago / One Football)

Flora Tallinn, o pioneiro da Estônia

A Estônia teve pouca projeção no futebol durante o Campeonato Soviético e o único representante do país na primeira divisão foi o Kalev Tallinn, que disputou somente duas temporadas, ainda nos anos 1960. O Flora surgiu exatamente a partir da independência estoniana, em 1990, e virou uma potência nacional. Os alviverdes são os maiores campeões da liga nacional, com 13 títulos. E bateram cartão nas copas europeias até a classificação inédita para a Conference.

Em 26 participações continentais anteriores, o Flora majoritariamente caiu na primeira ou na segunda fase qualificatória. Ainda assim, registrou classificações contra adversários como Lyn, Djurgardens, Dinamo Tbilisi e Radnicki Nis. Uma prévia do feito atual ocorreu ainda na Liga Europa passada, quando os estonianos alcançaram a última fase preliminar, superados pelo Dinamo Zagreb. Já a façanha desta Conference se consumou com duas vitórias sobre o Shamrock Rovers. O técnico Jürgen Henn tem só 34 anos, mas está no cargo desde 2018. E o elenco é composto somente por jogadores estonianos. O capitão Konstantin Vassiljev é uma lenda da seleção local, com 134 partidas e 25 gols, enquanto outros como Sergei Zenjov e Rauno Sappinen também são costumeiros nas convocações.

A torcida do HJK (Foto: Imago / One Football)

HJK bota a Finlândia de volta no mapa

Durante as décadas de 1980 e 1990, a Finlândia tinha fama de aprontar nas copas europeias, mesmo sem tanta tradição entre as seleções. O HJK Helsinque viveu seu grande momento em 1998/99, quando eliminou o Metz na última fase preliminar e colocou o país pela primeira vez na fase de grupos da Champions League. O clube registraria novo feito em 2014/15, ao superar Apoel Nicósia e Rapid Viena para figurar na Liga Europa – na qual até venceu Torino e Copenhague, mas sem avançar. E num momento em que a seleção está em evidência, após a estreia na Eurocopa, os alviazuis também alcançam a Conference. A campanha nas preliminares foi redirecionada da Liga Europa, após a queda diante do Fenerbahçe. A equipe atual é dirigida por Toni Koskela, treinador de 38 anos que assumiu o time em 2019. E o plantel conta com jogadores que estiveram na Euro 2020, com menções principais ao volante Tim Sparv e ao zagueiro Daniel O’Shaughnessy. A referência técnica é o meia Filip Valencic, enquanto o meio tem o brasileiro Jair, ex-Ituano.

Vagner Love, do Kairat (Foto: Imago / One Football)

Kairat e o mapa à leste

Astana e Shakhter Karagandy já representaram o Cazaquistão nas copas europeias, mas o Kairat Almaty é o clube mais oriental do globo a participar de uma fase de grupos, estreando nesta temporada. Os atuais campeões cazaques encerraram um jejum de 16 anos na liga nacional e de quebra pintaram na Conference. O treinador Kurban Berdyev foi o grande responsável pela ascensão do Rubin Kazan há quase duas décadas. Em campo, Vágner Love ainda acumula seus gols aos 37 anos, em dupla perigosa com o guineense José Kanté. Cinco representantes das antigas repúblicas soviéticas disputam a Conference nesta primeira edição – curiosamente, nenhum da Rússia. Além dos supracitados Flora e Alashkert, o Qarabag já virou figurinha carimbada nos torneios continentais, mesmo após perder a chance do oitavo título consecutivo na liga nacional para o Neftchi Baku. A grande figura dos azeris ainda é o técnico Qurban Qurbanov, no cargo desde 2008. Já o Zorya Luhansk se estabilizou como terceira força na Ucrânia, com quatro fases de grupos nas últimas seis temporadas europeias. Vladyslav Kochergin e Sergiy Buletsa são nomes da seleção local.

Guus Til, do Feyenoord (Foto: twitter do clube)

A força da Eredivisie

A Conference conta com forte presença de Holanda / Países Baixos, com três representantes do país, máximo nesta fase de grupos. O Feyenoord tem a camisa mais pesada, mas de novo começa a temporada de maneira instável. Reiss Nelson, Guus Til e Alireza Jahanbakhsh foram boas contratações no mercado, para a equipe capitaneada por Jens Toornstra. O AZ é outro que não empolga, depois de vender seus principais destaques neste mercado. O agora capitão Owen Wijndal é basicamente quem sobra para contar história, enquanto Jordy Clasie e Bruno Martins Indi também estão por lá entre os mais tarimbados. Já o Vitesse merece respeito após eliminar o Anderlecht no qualificatório. Os aurinegros trouxeram um bom número de reforços, sobretudo para o ataque, incluindo Yann Gboho e Nikolai Baden Frederiksen. Já a principal figura é Riechedly Bazoer. Da vizinha Bélgica, ainda merece menção o Gent, que chegou a enfiar 6 a 1 no Club Brugge neste Campeonato Belga. Jogadores como Sinan Bolat, Roman Bezus e Laurent Depoitre são rodados no torneios continentais.

A torcida do Partizan

Partizan puxa o carro nos Bálcãs

O Partizan Belgrado perdeu sua hegemonia no Campeonato Sérvio para o Estrela Vermelha e, pior, vê os rivais causarem bem mais impacto no cenário continental. Nas 11 aparições anteriores dos alvinegros em fases de grupos, desde 2003/04, eles só avançaram aos mata-matas uma vez. Por isso, além de brigarem pela liga nacional, o clube de Belgrado precisa deixar uma impressão melhor na Europa. A equipe sofreu nas preliminares, mas pode apresentar um futebol melhor na fase de grupos. O elenco reúne Lazar Markovic, Milos Jojic e Bibras Natcho, todos experimentados em ligas maiores, mas quem vem arrebentando é o centroavante Ricardo Gomes.

Entre outros clubes dos Bálcãs, o Mura é candidato a surpresa, depois de conquistar o inédito Campeonato Esloveno. O CSKA Sofia arrancou uma grande virada contra o Viktoria Plzen na última fase qualificatória e é dirigido por Stoycho Mladenov, personagem histórico do clube. Os brasileiros Gustavo Busatto e Geferson fazem parte dos titulares. Na Romênia, o Cluj vem do título nacional e é comandado novamente por Dan Petrescu, grande responsável pela guinada recente dos grenás. Também estão por lá ídolos como Ciprian Deac, Mário Camora, Bilel Omrani e o recontratado Emmanuel Culio. E o PAOK trouxe de volta o técnico Razvan Lucescu, responsável por encerrar o jejum de três décadas no Campeonato Grego. O elenco reúne vários jogadores que não estouraram como um dia prometeram, a exemplo de Nelson Oliveira, Chuba Akpom e Andrija Zivkovic. Shinji Kagawa e Vieirinha são os principais veteranos. E ainda há um bom número de brasileiros, com destaque a Sidcley.

O Maccabi Haifa comemora seu título

A relevância de Chipre e Israel

A configuração da Conference League permite que algumas ligas secundárias ganhem mais projeção, com múltiplos representantes. É o caso de Israel e Chipre, com duas equipes cada. Por conta do Yom Kipur, os israelenses até estrearam, e bem. O Maccabi Tel Aviv começou goleando o Alashkert, com ótima atuação de Dan Biton, um dos principais reforços da janela. O time tem como um jogador importante o goleiro brasileiro Daniel Tenenbaum. Já o Maccabi Haifa, atual campeão nacional, empatou com o Feyenoord. O atacante Ben Sahar e o meia José Rodríguez são os nomes mais conhecidos. Entre os cipriotas, o Omonia Nicósia encerrou o jejum nacional e tem feito boas partidas nas copas europeias. Campeão europeu com o Manchester United, Henning Berg é o treinador. O elenco multinacional ainda tem Jordi Gómez, Tomas Hubocan e o goleiro Fabiano como medalhões. Por fim, o Anorthosis volta a uma fase de grupos pela primeira vez desde a Champions 2008/09. Nomes como Kyle Lafferty, Lazaros Christodoulopoulos e Paulus Arajuuri cumprem a cota de figurões.

Slavia Praga comemora vitória sobre o Leicester (Foto: DRIAN DENNIS/AFP via Getty Images/One Football)

A Europa Central merece respeito

A região central da Europa estará bem representada nesta Conference. Suíça, Áustria, República Tcheca e Eslováquia têm equipes que podem muito bem se classificar aos mata-matas. A principal delas o Slavia Praga, que disputou Champions há duas temporadas e por duas vezes foi quadrifinalista da Liga Europa no último triênio. Todavia, os alvirrubros perderam nas preliminares para Ferencváros e Legia Varsóvia, virando um dos times mais fortes do novo torneio. O técnico Jindrich Trpisovsky segue no cargo desde 2018, assim como estão mantidos destaques como Peter Olayinka, Tomas Holes, Nicolae Stanciu, Ondrej Kolar e Lukas Masopust.

Outro representante tcheco é o Jablonec, em sua segunda fase de grupos europeia. Seu capitão é o quarentão Tomas Hübschman, de longa carreira no Shakhtar Donetsk. E a vizinha Eslováquia conta com o Slovan Bratislava, na quarta participação em fase de grupos em dez anos. Técnico da seleção eslovaca na Copa de 2010, Vladimir Weiss assumiu o clube em maio. Mais a oeste, o Basel perdeu a hegemonia na Suíça para o Young Boys, mas chegou às quartas da Liga Europa em 2019/20. A sensação do início da temporada é Arthur Cabral, autor de 16 gols em 12 partidas. Acompanham o brasileiro medalhões como Valentin Stocker, Fabian Frei e Michael Lang. Já o LASK Linz vem para a terceira participação continental consecutiva, mas começou mal a temporada e até trocou de treinador.

Os jogadores do Bodo/Glimt comemoram a conquista (FREDRIK VARFJELL/NTB/AFP via Getty Images/Getty Images)

Copenhague e Bodo/Glimt bons candidatos

Mais ao norte do continente, o Copenhague entre na Conference como uma das camisas mais tradicionais nas copas europeias. Os dinamarqueses disputaram fases de grupos 14 vezes desde 2006/07 e chegaram às quartas de final da Liga Europa em 2019/20. Ainda que o momento não seja o mais dominante em sua liga nacional, a equipe sinaliza força. A estrela é o ascendente Jonas Wind, que disputou a Euro com a Dinamarca, enquanto o veterano luso-grego Zeca veste a camisa 10. O Campeonato Dinamarquês ainda tem como representante o Randers, que estreia em fases de grupos europeias. Subindo no mapa, olho no Bodo/Glimt, outro estreante. Os campeões noruegueses deram um trabalhão para o Milan na Liga Europa passada e sobraram na sua liga nacional, enquanto brigam pelo bicampeonato na atual temporada. Destaca-se o futebol ofensivo praticado pelo técnico Kjetil Knutsen, com os gols de Erik Botheim e Ulrik Saltnes. Já o principal candidato a aparecer em uma liga maior em breve é o volante Patrick Berg, nome frequente na seleção norueguesa aos 23 anos.

O Estádio Olímpico de Berlim (Foto: Imago / One Football)

A festa do Union Berlim

Uma das histórias mais legais desta Liga Europa envolve o Union Berlim. O clube da antiga Alemanha Oriental tinha protagonizado um feito e tanto quando conquistou o acesso inédito na Bundesliga, para no segundo ano conquistar a classificação às competições continentais. Os Eisernen não figuravam no cenário europeu desde 2001/02, quando ganharam vaga na Copa da Uefa pelo vice na DFB Pokal e duraram duas fases. E o início da nova empreitada promete ser marcante especialmente pelo envolvimento dos torcedores nas arquibancadas, com uma das torcidas mais inflamadas do continente. É uma pena que a Uefa não tenha permitido a utilização do Estádio An der Alten Försterei, mas a festa recente no Estádio Olímpico de Berlim pelas preliminares foi bem marcante. Urs Fischer conduz um longo trabalho no Union e a equipe começou a Bundesliga invicta, apesar dos muitos empates. O movimentado mercado de transferências deu mais profundidade ao elenco, mas os protagonistas seguem os mesmos. Marvin Friedrich lidera a defesa, Christopher Trimmel é um dos melhores laterais do futebol alemão, Taiwo Awoniyi desponta com muita qualidade na frente. E há a presença do veterano Max Kruse, que menosprezou a Conference em entrevistas anteriores, mas até fez gol na qualificação sobre o KuPS.

Jérémy Doku, da Bélgica (Foto: Imago / One Football)

Rennes atrás da redenção

O Rennes tinha conquistado a inédita classificação para a última edição da Champions League e acabou fazendo uma campanha muito fraca, em que terminou na lanterna de seu grupo. Assim, a Conference oferece a chance de redenção a um clube que, na última década, participou três vezes da Liga Europa. O técnico Bruno Génésio assumiu a equipe em março e recebeu diversos reforços no mercado de transferências, aproveitando o dinheiro da venda de Eduardo Camavinga. Muitos deles ainda são promessas, como o ponta Kamaldeen Sulemana (Nordsjaelland) e do zagueiro Loïc Badé (Lens). Chamam atenção também as adições de Lovro Majer (Dinamo Zagreb) e do mais rodado Gaëtan Laborde (Montpellier). E há outros talentos que já estavam no Roazhon Park, com menção principal ao infernal Jérémy Doku, que se valorizou na Eurocopa. No papel, parece uma equipe interessante o suficiente para fazer uma campanha longa na nova competição. Nas preliminares, venceram as duas contra o Rosenborg.

José Mourinho comemora com os jogadores (Imago / OneFootball)

Como vai se portar a embalada Roma

A Roma respira novos ares sob as ordens de José Mourinho e parece existir uma clara empolgação ao redor do clube por aquilo que se vive no Estádio Olímpico. Os próprios resultados na Serie A alimentam as expectativas, com a liderança provisória. E, ainda que a Conference não seja o torneio continental sonhado pelos romanistas, faturar uma taça europeia seria de bom grado para valorizar a grandeza da agremiação. Os giallorossi, vale lembrar, foram semifinalistas da última Liga Europa – apesar do vareio tomado contra o Manchester United. E o elenco ganhou alternativas para pelo menos não menosprezar os compromissos na copa. Tammy Abraham, Eldor Shomurodov, Matías Viña e Rui Patrício encabeçam a lista de reforços. Há outros jogadores que empolgam a torcida, sobretudo com o retorno de Nicolò Zaniolo. E mesmo figuras que tomam o protagonismo para si no grupo se sobressaem, a exemplo da trinca central formada por Lorenzo Pellegrini, Jordan Veretout e Bryan Cristante. A classificação imponente sobre o Trabzonspor na preliminar, num duelo que se prometia difícil, demonstra a seriedade com a qual a Loba deve tratar o certame.

Kane comemora (Foto: Imago / One Football)

O nível de interesse do Tottenham

O Tottenham, por outro lado, se sugere como uma incógnita maior na Conference. Os Spurs não parecem muito empolgados com a ideia da nova competição, da mesma forma como tantas vezes empurraram com a barriga a Liga Europa. A eliminação para o Dinamo Zagreb na última edição do torneio continental é emblemática, assim como a maneira que o Paços de Ferreira deu sufoco nas preliminares, depois de uma escalação praticamente reserva utilizada pelos londrinos. Com a boa largada da Premier League, ainda mais, Nuno Espírito Santo deve focar na competição nacional e rodar um elenco que não é tão recheado na Conference. Algumas promessas devem ganhar tarimba, a exemplo do recém-contratado Bryan Gil. O ponto é se Harry Kane precisará aparecer ao resgate, como aconteceu na fase qualificatória. Outro ponto são as muitas lesões neste início de temporada, que custaram até mesmo a recente derrota para o Crystal Palace. Como em outros momentos, os Spurs devem levar o certame até ver no que dá.

O impacto que a Liga Europa causará

Assim como acontece na Liga Europa, com os terceiros colocados dos grupos da Champions deslocados aos mata-matas, a Conference também terá seu sistema de repescagem. No caso, o novo torneio incluirá os terceiros colocados dos grupos da própria Liga Europa. E é bem capaz que tal redirecionamento gere discrepâncias. Com a reorganização feita pela Uefa, a Liga Europa ficou bem mais forte, reunindo times das principais ligas e eliminados nas preliminares da Champions. A princípio, podem desembarcar logo como favoritos. Vale lembrar, entretanto, que haverá um resguardo entre os classificados dos grupos da Conference. Os primeiros colocados passam direto às oitavas, enquanto os segundos é que encaram os oito repescados da Liga Europa nos 16-avos.

Extra: o mapa da Conference e os grupos

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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