Conference League

Após o vexame da Roma, Mourinho preferiu atacar o nível dos jogadores reservas que atuaram na Noruega

Mourinho disse "assumir a responsabilidade", mas concentrou suas críticas na falta de qualidade dos atletas que entraram em campo

Como era de se esperar, José Mourinho soltou o verbo em sua entrevista após o humilhante 6 a 1 aplicado pelo Bodo/Glimt sobre a Roma nesta quinta-feira, pela Conference League. No entanto, o treinador minimizou os problemas coletivos do time e resolveu botar a culpa no elenco. Segundo Mourinho, mesmo com um orçamento muito menor, a equipe titular dos campeões noruegueses é melhor que a escalação romanista desta partida, recheada de reservas. O comandante ignorou que vários de seus destaques entraram no segundo tempo. O português afirmou que preferiu poupar seus principais jogadores para a rodada da Serie A no final de semana, contra o Napoli, e reclamou da disparidade interna no plantel.

“Depois do terceiro gol deles, perdemos completamente a cabeça e eles pareciam que marcariam todas as vezes que pegassem a bola. A explicação é clara, eles eram mais fortes e isso é minha culpa, porque o time titular deles é melhor que o nosso reserva. A equipe com mais qualidade venceu o jogo. É minha responsabilidade, eu escolhi usar esses jogadores. Entretanto, se tivesse que jogar com os titulares, alguém poderia se machucar, então tomaríamos quatro ou cinco gols contra o Napoli no domingo e essa decisão seria considerada errada”.

“Quando eu disse, há quatro ou cinco semanas, que tínhamos que ir ao Vaticano para rezar pedindo que ninguém se machucasse, eu sabia do que estava falando. A escalação que o Bodo colocou em campo tinha mais qualidade que a nossa. Evidentemente, devo continuar jogando com os mesmos rapazes todos os jogos e levá-los à exaustão…”, ironizou.

Mourinho chegou a falar que “superestimou” os próprios jogadores, como se os titulares na Noruega não fossem bons o suficiente para um jogo de Conference. Pela maneira como o treinador se portou, há um risco de se criar um racha dentro dos vestiários – mais um para seu extenso currículo. Entretanto, o português garante que os próprios atletas sabem de sua insatisfação e que falar publicamente sobre isso não é problema.

“Eu tinha boas intenções na minha escolha, para dar a oportunidade àqueles que trabalham duro e rodar o time num campo de grama sintética em frio intenso. Decidi dar um descanso a muitos jogadores. Perdemos para um adversário que mostrou mais qualidade. É simples”, afirmou. “Talvez eu tenha superestimado a capacidade de meus próprios jogadores. Eu sabia que o Bodo/Glimt era o adversário mais forte deste grupo, mas esperava que pudéssemos jogar de maneira diferente. Parecia que Solbakken estava numa moto de corrida e nossos defensores numa bicicleta. Da próxima vez, Gianluca Mancini e Matías Viña estarão prontos para ele”.

“Se eu pudesse jogar com o mesmo time sempre, eu faria isso. É arriscado, porque temos uma grande diferença de qualidade entre titulares e reservas. Eu sabia dos limites desse elenco, não é novo para mim, mas eu esperava uma resposta melhor. Toda derrota causa dano. Falei com os jogadores e fui honesto. Nunca omiti o fato de sermos uma equipe com limitações reais. Temos 13 jogadores que representam um time, os outros estão em níveis diferentes. O lado positivo a partir de agora é que ninguém vai me perguntar por que sempre uso os mesmos jogadores”, complementou.

“Nosso time principal está jogando bem, merecia ganhar mais pontos nesta temporada e tem a mentalidade certa. Eles jogarão com essa mentalidade no domingo. Já tínhamos dito algumas coisas em privado antes da derrota por 6 a 1. Esse resultado não me fará dizer em público. Continuarei a dizer em privado, sem anunciar nossos problemas internos”, finalizou.

Na saída de campo, os jogadores da Roma foram pedir desculpas aos 400 torcedores que viajaram até a Noruega e enfrentaram um frio intenso nas arquibancadas. O capitão Lorenzo Pellegrini também falou com a imprensa e foi bastante franco. Não quis dar desculpas e afirmou que, depois de tamanho vexame, o desafio do time será voltar mais forte.

“Há pouco que posso dizer, só posso pedir desculpas e voltar à caminhada mais forte que antes. Dissemos o que precisávamos nos vestiários e isso ficará lá. Às vezes você precisa de um tapa para aprender e nós levamos um tapa na cara hoje, merecemos totalmente. Precisamos ter certeza de que aprendemos com esse constrangimento e manteremos essa atitude pelo resto da temporada. Estou furioso. Não estou preocupado, não estou desapontado, estou apenas furioso. A partir de amanhã teremos que trabalhar ainda mais”, afirmou Pellegrini.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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