Europa

Cinco técnicos que podem dar o salto à Premier League ou LaLiga na próxima temporada

Entre campeões nacionais e treinadores ousados, listamos cinco nomes que podem surpreender na próxima temporada

Premier League e LaLiga são dois dos grandes centros do futebol europeu na atualidade. São as ligas mais badaladas em termos de estrelas e, por consequência, contam com treinadores que têm trabalhos autorais e até mesmo ousados.

A própria Premier League vive uma era de dança das cadeiras” de técnicos recentemente. Na Espanha, o Real Madrid vive indecisões, por exemplo. Enquanto a Serie A busca se reinventar e a Bundesliga se consolidar para além do Bayern de Munique, diversos treinadores podem encontrar um espaço maior.

A Trivela lista cinco técnicos que fizeram bons trabalhos recentemente, seja conquistando títulos ou se mostrando promissores com ideias corajosas, e que merecem dar o salto no futuro próximo às grandes ligas.

Francesco Farioli – Porto

Farioli foi campeão português com o Porto
Farioli foi campeão português com o Porto (Foto: IMAGO / Photo Players Images)

Discípulo de Roberto De Zerbi, o italiano conquistou o título português com o Porto em sua temporada de estreia, depois de ficar no quase com o Ajax no ano passado e ter um bom trabalho com o Nice antes disso.

Farioli começou como um apaixonado que fazia análises do Benevento e mandava para De Zerbi, e então foi contratado para sua comissão e, depois, se tornou um dos grandes nomes da Europa. Seu Porto teve a melhor defesa das sete grandes ligas da Europa, com apenas 15 gols sofridos em 32 jogos.

O Porto de Farioli é um dos times mais organizados de toda a Europa: constrói de maneira sustentada, sempre por baixo com apoios centrais e com paciência para atrair opositores e acelerar nas suas costas. Em um 4-3-3 com um volante habilidoso, uma combinação de um meia box-to-box e outro mais perto de um “camisa 10”, além de pontas clássicos, é um time agressivo e com um estilo enraizado.

Defensivamente, os Dragões pressionam forte e de forma compacta, mas não são “malucos” — recuam rapidamente para fechar as linhas e impedem que os adversários penetrem. Com 37 anos e contrato até 2028, Farioli é opção já consagrada para grandes centros europeus como Premier League e LaLiga, e agora não há como tirá-lo do radar.

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Arda Turan – Shakhtar Donetsk

Turan treina o Shakhtar Donetsk
Turan treina o Shakhtar Donetsk (Foto: IMAGO / SOPA Images)

O ex-meia que fez história no Atlético de Madrid, Arda Turan bebe da fonte de Diego Simeone como treinador. Desde que pendurou as chuteiras em 2022, rapidamente se tornou técnico no ano seguinte, assumindo o Eyupspor, da Turquia.

Foi campeão da segunda divisão turca com o clube em 2023/24, sua primeira temporada completa na equipe, e rapidamente deu o salto ao Shakhtar Donetsk — que tem fama por apostar em treinadores com boas ideias, independente do nome. E foi recompensado.

Na Ucrânia, Turan faz grande trabalho liderando o campeonato nacional, com apenas uma derrota em 26 jogos, e 44 gols de saldo. Seu grande trabalho defensivo, no entanto, não o faz um técnico pragmático como seu antigo comandante argentino. Turan gosta de pressionar alto e forte em 4-4-2, de forma semelhante, mas se adapta a oponentes no ataque.

Com um Shakhtar talentoso, Turan gosta de manter a bola e controlar o jogo, mas sempre com verticalidade e muitas vezes em um 3-1-6 semelhante ao do Bayern de Kompany, mesmo que menos ousado. O ex-meia jogou em grandes clubes espanhóis e, inclusive, poderia até ser pensado como sucessor do próprio Simeone no Atlético de Madrid.

Carlos Cuesta – Parma

Cuesta é ex-auxiliar de Arteta
Cuesta é ex-auxiliar de Arteta (Foto: IMAGO / Nicolo Campo)

De auxiliar de Mikel Arteta no Arsenal ao treinador mais jovem da história da Serie A, Carlos Cuesta dirige o Parma com apenas 30 anos. E, apesar dos resultados mistos e inconstantes, há ideias promissoras.

O espanhol se define como um “giochista com resultados”. Giochista é um termo italiano popularizado para definir a priorização da “beleza” no jogo, com estilo ofensivo, posse de bola e organização tática, em função do resultado final. Mas Cuesta quer equilibrar os dois.

Com clara influência de Arteta, o jovem treinador tenta fazer do Parma um time que mantém a bola, priorizando construção pelo chão e com aversão a bolas longas, enquanto defensivamente busca ser pressionante a todo momento. Nem sempre consegue, e o Parma curiosamente tem o segundo pior ataque da Serie A, mas se manteve no meio da tabela e atualmente ocupa a 12ª posição.

Mesmo com números contrastantes ao que prega como ideia, existe o argumento de que Cuesta não tem material humano tão qualificado para o que pretende — e que, com um time melhor, poderia mostrar mais. Mesmo que seja muito jovem e ainda inexperiente, também é justo dizer que uma chance em uma equipe mais estruturada poderia render grandes surpresas.

José Alberto – Racing Santander

José Alberto é técnico do Racing
José Alberto é técnico do Racing (Foto: IMAGO / Ricardo Larreina Amador)

Um dos grandes nomes do relacionismo no futebol europeu, José Alberto leva o Racing Santander à liderança da segunda divisão espanhola e fatalmente estará em LaLiga na próxima temporada.

Mas seu estilo de jogo, que tem muitas semelhanças com o que Fernando Diniz ficou famoso por implementar no Brasil, chamou a atenção em 2025/26. O Racing tem o vice artilheiro e o líder de assistências de LaLiga2 por conta de um futebol ofensivo, com muitas aproximações, trocas de posição e jogadores que ocupam diferentes espaços dependendo de onde a bola está.

É um treinador que virou objeto de estudo de analistas mundo afora e com ideias tão animadoras quanto arriscadas. Mesmo com o melhor ataque do campeonato, tem também uma das piores defesas.

Depois de quase quatro anos no Racing e passagens por divisões inferiores na Espanha, com Málaga e Sporting Gijón, José Alberto pode dar o salto não só por subir com seu próprio time, mas por chamar a atenção pelo estilo ousado. Resta saber dos grandes quem compraria essa proposta.

Dick Schreuder – NEC Nijmegen

Schreuder é surpresa na Eredivisie com o NEC
Schreuder é surpresa na Eredivisie com o NEC (Foto: IMAGO / Pro Shots)

Se um dos grandes nomes do relacionismo na atual temporada está na segunda divisão espanhola, Dick Schreuder está nas cabeças da Eredivisie. Apesar de não conseguir alcançar o já campeão PSV, o NEC ainda pode ultrapassar o Feyenoord para acabar como vice-campeão da liga.

No campo das ideias, Schreuder e o NEC promovem ideias de ataque extremo, em um futebol de alto risco partindo de um 3-4-2-1 que se transforma em um 3-6-1 durante o jogo. Os princípios inegociáveis do treinador incluem pressão alta e agressiva, zagueiros que sobem ao campo e ataque, alas que abrem em amplitude e rotação posicional constante para criar vantagem numérica para entrar no terço final.

Os resultados falam por si só: um dos melhores trabalhos com foco no relacionismo nos grandes centros europeus, com 74 gols em 32 jogos na Eredivise, o segundo melhor ataque da liga.

É um estilo já conhecido por tentar chegar perto do “futebol arte”, com passes rápidos, mudanças constantes na ocupação de espaços e agressividade com riscos que, inclusive, fizeram parte do grande jogo da temporada, no 5 a 4 entre PSG e Bayern de Munique. Dick Schreuder, por um grande ano, merece estar nas conversar por um salto à Premier League ou Bundesliga, por exemplo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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