Villarreal e a mística de quase sempre ser competitivo na Champions League
Em cinco participações, o Submarino Amarelo já quase bateu final em duas oportunidades
Ao olhar a tabela da fase de liga da Champions League com os 36 times, as atenções, naturalmente, vão para os favoritos PSG, Barcelona, Liverpool e outros gigantes. Porém, não deve se menosprezar o Villarreal, historicamente uma equipe difícil na competição europeia e que já chegou à semifinal antes até do que o Manchester City.
Até hoje, o Submarino jogou no maior palco da Europa em cinco oportunidades. Apesar de uma eliminação na fase prévia e outra na antiga fase de grupos, o time espanhol soma três campanhas marcantes e só não jogou uma final por detalhes.
Villarreal fez história com Riquelme e repetiu sob comando de Unai Emery
2005/06
Após participar de sua primeira competição continental, a Liga Europa de 2004, e já fazendo uma histórica semifinal, o Villarreal jogou sua primeira Champions em 05/06.
A equipe então treinada por Manuel Pellegrini e comandada em campo por Juan Román Riquelme, acompanhado por Marcos Senna, Juan Pablo Sorín e Diego Forlán, teve uma campanha incrível após passar pelo Everton na fase de playoffs.

Líder invicto em um grupo que o Manchester United de Sir Alex Ferguson e Cristiano Ronaldo caiu como lanterna, o Villarreal só passou pelo Rangers no extinto critério do gol fora, mesma estratégia para eliminar a Internazionale, na época com Adriano no auge, vencendo a volta por 1 a 0 no El Madrigal (hoje La Cerámica) após ter perdido a ida em Milão por 2 a 1.
Riquelme vinha de uma atuação histórica contra os italianos, dando a assistência que firmou a classificação, mas viveria um pesadelo na fase seguinte.
Após o Arsenal comandado por Arsène Wenger vencer a ida por 1 a 0 — que poderia ser muito mais –, o Submarino Amarelo jogou melhor a ida e teve, aos 43 do segundo tempo, a chande de tirar o zero do placar com um pênalti.
Só o meia argentino poderia ir para a cobrança. Ele foi, mas mandou a bola fraca e baixa e facilitou a defesa de Jens Lehmann, acabando com o sonho espanhol e levando os Gunners à final que seriam superados pelo Barcelona. Até hoje, essa é a melhor campanha de um time estreante na história moderna da Champions.
— Riquelme era um talento em campo, sem dúvida. Um jogador com personalidade, que nem todos têm, de sempre pedir a bola. O que ele fez no Villarreal é difícil de copiar. Muitos criticam o pênalti perdido na semifinal da Liga dos Campeões, mas eu nunca o fiz porque ele tinha personalidade para cobrá-lo — elogiou Pellegrini à emissora “TyC” em 2021.
🗓️ 19 years ago today…
— Arsenal (@Arsenal) April 25, 2025
Jens Lehmann produced a heroic penalty save to help send us to the Champions League final 🧤 pic.twitter.com/IAcl99ycmz
2008/09
Agora com outra equipe, sem Riquelme, mas ainda com Pellegrini e Senna, o Villarreal fez campanha menos consistente que a anterior, mesmo que tenha sido vice-campeão espanhol em 2008. Conseguiu não perder novamente para o United, mas terminou o grupo em segundo por uma derrota improvável para o Celtic.
Nas oitavas, lutou para derrubar a surpresa Panathinaikos. Nas quartas, reencontrou o Arsenal e o final foi o mesmo. Os Gunners passaram de fase com direito a 3 a 0 na volta, derrubando o time também com ótimos jogadores, como Diego Godín e Pirès. De toda forma, o saldo ainda era muito positivo: duas participações, dois mata-matas, uma queda nas quartas e outra na semi.
2021/22
Foram apenas duas participações na Champions nos anos 2010, ambas esquecíveis. A equipe, no entanto, se consolidou na Liga Europa, conquistou o título em 2021 em cima do Manchester United, já sob comando de Unai Emery, especialista na competição, e retornou ao principal palco europeu para novamente um feito histórico.
E, para variar, novamente encontrou quem na fase de grupo? Os Red Devils, agora com o retorno de Cristiano Ronaldo e vencendo as duas primeiras frente ao Villarreal, que avançou em segundo antes de ir “matando” gigantes na fasae eliminatória.

Primeiro veio a Juventus, que conseguiu tomar três em Turim com gols dos destaques daquele time: Pau Torres, Danjuma e Gerard Moreno. Os Amarelos bateram um time ainda maior nas quartas, o enorme Bayern de Munique, considerado um dos favoritos ao título.
Contra os alemães, Danjuma novamente brilhou, marcando o gol solitário na ida na Cerámica que garantiu que o empate na volta não fosse suficiente para o melhor do mundo na época, Robert Lewandowski, avançasse. Porém, o sonho acabou, novamente, em um inglês — que também seria vice.
O time de Emery sucumbiu para o Liverpool em Anfield na ida, perdendo por 2 a 0, mas lutou e empatou a eliminatória em apenas 45 minutos na volta. Os Reds, no entanto, reagiram no segundo tempo e viraram, chegando na decisão e perdendo para o Real Madrid.
Campanhas do Villarreal na Champions League:
- 2005/06: Semifinal (14 jogos, 5 vitórias, 7 empates e 2 derrotas)
- 2008/09: Quartas de final (10 jogos, 3 vitórias, 5 empates e 2 derrotas)
- 2011/12: Fase de grupos (8 jogos, 1 vitória e 7 derrotas)
- 2016/17: Playoff prévio à fase de grupos (2 jogos e 2 derrotas)
- 2021/22: Semifinal (12 jogos, 5 vitórias, 3 empates e 4 derrotas)
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Submarino amarelo pode repetir em 25/26?
Na última temporada de LaLiga, marcada pelo título merecido do Barcelona no primeiro ano com Hansi Flick, o Villarreal terminou em quinto, sendo uma das sensações, superando as pesadas saídas de Solorth e Jorgensen.
Para efeito de comparação, em 23/24, o Submarino Amarelo somou 53 pontos. Para o ano seguinte, foram 17 a mais, o mesmo número do Bilbao, quarto lugar, e com mais gols até que o Atlético de Madrid (71 a 68), terceiro.
Como aconteceu há um ano, a base do time foi “desfeita” para clubes mais ricos no mercado de transferências: Álex Baena, Yéremy Pino e Thierno Barry deixaram mais de 100 milhões de euros (R$ 633,7 milhões) nos cofres do clube da Cerámica.

As chegadas de Solomon, Mikautadze e Moleiro, mais a permanência em definitivo de Buchanan, compensam, em parte, as saídas no ataque, além de reforçar a defesa com Thomas Partey, Renato Veiga e Mouriño.
Ainda com o técnico Marcelino García, no cargo desde novembro de 2023, o Submarino deve continuar competitivo no futebol local, mas o salto para o futebol europeu do mais alto nível é sempre complexo e o time pode sofrer disputando pela primeira vez o formato de liga. Dos oito confrontos marcados, pelo menos metade são pedreiras, além de outros jogos complexos.
Até o diretor-executivo Roig Negueroles assumiu a dificuldade que será competir no cenário europeu pela disparidade financeira. O dirigente criticou especialmente os impostos altos cobrados pelo governo espanhol.
— Está mais difícil competir na Europa, por causa da carga tributária. Na Espanha é um horror — e comparado com outros países europeus, pior ainda. E na Comunidade Valenciana, é ainda mais grave. Portanto, é muito difícil competir com os outros. A única coisa que fazem é espremer com impostos todo mundo que trabalha — e não é para saúde nem para educação, é para muitas outras coisas. Estamos num país em que somos muito pouco competitivos no plano europeu — desabafou à rádio “Cadena SER” em maio.
Y SONÓ EL HIMNO DE LA CHAMPIONS LEAGUE PAPAAAAAAÁ pic.twitter.com/duT01a5MCx
— Villarreal CF (@VillarrealCF) May 18, 2025
Tabela do Villarreal na Champions League 25/26
- Tottenham (fora), Juventus (casa), Manchester City (casa), Pafos (fora), Borussia Dortmund (fora), Copenhagen (casa), Ajax (casa) e Bayer Leverkusen (fora).
Villarreal se consolidou no futebol espanhol a partir do século 21
A história do Villarreal é um case para qualquer time de cidade pequena no mundo. A população da modesta Vila-real, de pouco mais de 50 mil habitantes e parte da comunidade de Valência, demorou até ver o clube da região ter sucesso.
Os Amarelos, fundados em 1923, só foram jogar a primeira divisão em 1998/99.
Até lá, costumava ser participante assíduo do terceiro e quarto escalão espanhol, com raros momentos no segundo. Quando ascenderam à elite, porém, só caíram duas vezes (subindo logo na sequência) e viraram uma presença certa em LaLiga no século 21.
Além de cinco participações na Champions, a equipe teve mais 13 disputas de competições europeias — 12 da Liga Europa e uma da Conference League. O título do segundo escalão europeu em 2021 veio após cair em três semifinais (2003/04, 2010/11 e 2015/16).
Em 2025/26, um novo capítulo dos Amarelos será escrito nos palcos europeus nesta terça-feira (16), quando visita o Tottenham em Londres. Novamente, um inglês atravessa seu caminho.



