Champions League

Parecia que o Sevilla teria uma noite histórica, mas foi PSV quem fez uma virada épica e eliminou os rojiblancos

O Sevilla abriu 2 a 0 e vencia até os 36 do segundo tempo, mas o PSV buscou a virada após expulsão, encaminhou sua vaga no mata-mata da Champions League e ainda despachou o time espanhol

Parecia que o Sevilla viveria uma noite história pela Champions League nesta quarta-feira (29), pela quinta e penúltima rodada da fase de grupos. Vivendo péssima fase, os rojiblancos não podiam perder para seguir com chances de ir ao mata-mata e almejavam sua primeira vitória nesta edição do torneio. Com o Rámon Sánchez Pizjuán em clima de decisão, a equipe comandada por Diego Alonso (por enquanto) foi muito melhor no primeiro tempo e fez 2 a 0 ainda no início da segunda etapa. Tudo indicava que o clube espanhol enfim se livraria da péssima fase dos últimos tempos e somaria três pontos decisivos, mas foi o PSV quem comemorou um resultado épico ao vencer de virada por 3 a 2, encaminhar a classificação para as oitavas de final e, de quebra, eliminar o adversário.

Um do grandes personagens da história Champions League, Sergio Ramos abriu o placar, voltou a marcar pelo torneio depois de quase três anos e se igualou a Roberto Carlos e Gerard Piqué como o defensor com mais gols pela competição, todos com 16 gols. Na volta do intervalo, Youssef En-Nesyri ampliou com um belo toque por cima do goleiro Walter Benítez. A torcida do Sevilla fazia festa e comemorava a vitória que ia colocando o time momentaneamente na segunda posição do Grupo B, mas tudo mudou aos 20 minutos do segundo tempo.

Lucas Ocampos recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O PSV, então, cresceu quase que imediatamente na partida e se aproveitou do nervosismo adversário, que precisava desesperadamente de um bom resultado. Ismael Saibari diminuiu, Nemnja Gudelj marcou contra e Ricardo Pepi, já nos acréscimos, sacramentou uma virada que deixa o clube muito próximo das oitavas de final da Champions pela primeira vez desde 2016.

Com dois pontos conquistados em cinco rodadas, o Sevilla não tem mais chances de ir ao mata-mata e precisará de um verdadeiro milagre para se classificar para a Liga Europa, precisando vencer o Lens no próximo compromisso pelo torneio, fora de casa, e ainda necessitando que o time francês perca para o Arsenal nesta quarta-feira. O PSV, por sua vez, se garante nas oitavas com uma vitória dos Gunners ou um empate na última rodada com a equipe londrina, na Holanda.

Sergio Ramos abre o placar

Vindo de uma sequência de dez jogos sem vencer somando compromissos por Champions League e La Liga, o Sevilla entrou em campo no Rámon Sánchez Pizjuán para jogar uma final e seguir vivo na birga por uma vaga nas oitavas de final do torneio de clubes mais importante da Europa. Com esse espírito, que talvez tenha faltando em momentos anteriores desta temporada, a equipe comandada por Diego Alonso foi muito melhor no primeiro tempo, criou boas chances e foi para o intervalo em vantagem.

Logo aos nove minutos, a bola parada rojiblanca já se provou eficaz com Sergio Ramos vencendo a disputa dentro da área após cobrança de escanteio pela direita e cabeceando por cima do gol visitante. Aos 15, foi a vez de Youssef En-Nesyri receber enfiada de bola nas costas da defesa do PSV, invadir a área em velocidade e exigir boa defesa de Walter Benítez em chute de canhota.

Era questão de tempo até o Sevilla abrir o placar. Mais especificamente, foram necessários 23 minutos até que Ivan Rakitić levantasse a bola na área em cobrança de falta e Sergio Ramos desviasse levemente na pequena área para tirar do alcance de Benítez e balançar a rede. Foi o primeiro gol do zagueiro na Champions desde março de 2021, quando ainda defendia o Real Madrid.

Mesmo com a vantagem, o Sevilla não se deu por satisfeito e continuou com abordagens diretas ao atacar. Aos 38 minutos, Djibril Sow apareceu na área como um centroavante para completar o cruzamento rasteiro de Dodi Lukebakio vindo da esquerda, mas teve seu gol anulado por ter tocado com a mão na bola no início da jogada. Pouco depois, foi En-Nesyri quem ficou no quase ao cabecear no travessão.

Já o PSV só foi oferecer real perigo aos donos da casa aos 40 minutos. Hirving Lozano puxou contra-ataque pela esquerda, passou por Sergio Ramos e exigiu grande intervenção de Marko Dmitrović em chute cruzado da entrada da área.

Sevilla amplia, mas expulsão de Ocampos muda tudo e inicia virada

O Sevilla voltou do intervalo com a mesma fome e aproveitou que a desatenção do PSV para abrir 2 a 0. Logo no primeiro minuto da segunda etapa, Marcos Acuña acertou um belo lançamento longo do campo de defesa para En-Nesyri, que recebeu dentro da área livre de marcação e deu um leve toque de pé esquerdo para encobrir Martínez.

O PSV acordou depois de tomar o segundo gol, mas tinha dificuldade para superar a defesa rojiblanca. Luuk de Jong e Yorbe Vertessen tiveram chances para diminuir, mas pecaram na hora de finalizar. A vitória do Sevilla parecia inevitável, até que Lucas Ocampos recebeu o segundo cartão amarelo aos 20 minutos do segundo tempo.

A expulsão não só deu mais espaços para o PSV como fez o Sevilla recuar demais e ainda se perder completamente no nervosismo. Os holandeses aproveitaram rapidamente e dois minutos depois fizeram o 2 a 1, com Ismael Saibari sendo muito feliz em um voleio de costas após cruzamento pela esquerda de Sergiño Dest, acertando o ângulo direito de Dmitrović.

Os visitantes, então, aumentaram a pressão. Sow impediu que Saibari empatasse o jogo ao tirar em cima da linha, mas a oportunidade perdida fez pouca diferença para o PSV. Aos 36 minutos, cruzamento de Johan Bakayoko vindo da direita cruzou a área e passou por quase todo mundo, menos por Vertessen que cabeceou no contrapé de Dmitrović. A bola provavelmente entraria, mas Nemnja Gudelj mandou para própria rede e marcou contra.

A igualdade já era um péssimo resultado para o Sevilla, que precisaria de uma combinação de resultados ainda maior na última rodada para seguir sonhando com as oitavas de final da Champions League. Mesmo com um jogador a menos, o time espanhol se lançou ao ataque nos minutos finais na busca por um gol improvável e acabou levando a pior. Já nos acréscimos, Vertessen puxou um contra-ataque veloz pela esquerda e cruzou na medida para Ricardo Pepi cabecear quase na marca do pênalti, mandar a bola no ângulo direito de Dmitrović e sacramentar uma grande virada. Muita festa dos holandeses em Sevilha, enquanto os rojiblancos lamentaram a eliminação precoce e a continuação da terrível fase da equipe.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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