Champions League

O Sheriff estreia na Champions fazendo mais barulho ainda e derrota o Shakhtar em Tiraspol

Compacto na defesa e perigoso nos contragolpes, o Sheriff inaugurou sua história na Champions em grande estilo

O Sheriff Tiraspol encerrou as preliminares da Champions League como a grande surpresa do torneio. Os aurinegros eliminaram Estrela Vermelha e Dinamo Zagreb para colocar pela primeira vez a bandeira da Moldova na fase de grupos da maior competição da Europa. A façanha do Sheriff valeu para conhecer a peculiar história do clube, criado por antigos agentes da KGB e que representa a região separatista da Transnístria. Indo além dos imbróglios extracampo, os novatos também mostraram futebol para surpreender um pouco mais e brilhar logo em sua estreia pelo Grupo D. O Sheriff recebeu o Shakhtar Donetsk em Tiraspol e ganhou por 2 a 0, largando em vantagem numa chave dura que também conta com Internazionale e Real Madrid. É mais um motivo de orgulho ao futebol de sua região.

Dono de 19 dos últimos 21 títulos no Campeonato Moldavo, o Sheriff Tiraspol possui um longo histórico nas preliminares da Champions. Chegou inclusive a enfrentar o Shakhtar em 2003/04, eliminado pelos ucranianos na segunda fase qualificatória. Desde 2009/10, os aurinegros ainda conseguiram se classificar para quatro edições da Liga Europa, mas sempre sucumbiram na fase de grupos. Já nesta Champions, depois de improváveis e contundentes classificações nas etapas eliminatórias, o Sheriff mostrou seu cartão de visitas contra o Shakhtar, que vinha de uma dramática classificação sobre o Monaco nos playoffs.

A primeira escalação do Sheriff Tiraspol na história da Champions era composta 100% por estrangeiros, incluindo dois brasileiros: os laterais Fernando Costanza e Cristiano Leite. Mesmo contra uma equipe agressiva como o Shakhtar, os moldavos iniciaram o jogo marcando forte e sempre buscando os contragolpes. Desta maneira, abriram o placar aos 16 minutos. Num ataque puxado por Cristiano pela esquerda, o brasileiro cruzou com enorme capricho e Adama Traoré pegou de primeira, num lindo tento para colocar os aurinegros em vantagem.

O Sheriff seguiu encaixando ataques rápidos, enquanto o Shakhtar exerceu uma pressão maior nos minutos anteriores ao intervalo. Herói nas preliminares, o goleiro Giorgos Athanasiadis realizou um milagre em bomba de Lassina Traoré. Ainda assim, as linhas compactas dos moldavos protegiam muito bem sua área e concediam poucos espaços aos ucranianos, que tinham claras dificuldades na criação e precisavam de mais velocidade na hora de construir suas jogadas.

A blitz do Shakhtar aumentou na volta para o segundo tempo, com Marlos no lugar de Tetê para auxiliar a armação. Porém, o Sheriff conseguia travar grande parte das finalizações. E a vitória dos anfitriões se confirmou aos 17, com o segundo gol. Em mais uma subida pela esquerda, Cristiano cruzou na medida para Momo Yansané cabecear sozinho na área. O tento desestabilizou os ucranianos, que perderam de vez sua intensidade. Até dava para o Sheriff fazer mais, com bons contragolpes castigando a lenta defesa visitante.

O resultado reforça a capacidade do Sheriff Tiraspol em surpreender. Mesmo jogando de maneira defensiva, com a ampla posse de bola do Shakhtar, os aurinegros não deixaram de buscar o ataque e foram superiores em momentos distintos do jogo. O placar, além do mais, apresenta a qualidade de Cristiano – lateral de 28 anos, que rodou por clubes como Volta Redonda, Criciúma e CRB até se aventurar na Transnístria a partir de 2018. E se a fase de grupos ainda está no início, na pior das hipóteses esse triunfo pode auxiliar na disputa com o Shakhtar pela repescagem à Liga Europa. Mais que isso, é um aviso para Inter e Real Madrid não se descuidarem quando forem visitar Tiraspol. O Sheriff está disposto a aprontar.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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