Champions League

O Rei da Champions precisou do zap guardado na manga para eliminar o Chelsea: o Real Madrid vai à semifinal

Chelsea fez um jogaço e só não terminou em virada histórica porque o Real Madrid tem Modric e Benzema, além de Rodrygo e Vinícius Júnior, e arrancou a classificação na prorrogação

O Real Madrid tinha tudo para se classificar à semifinal da Champions League com alguma dose de tranquilidade por ter vencido o jogo de ida fora de casa por 3 a 1, mas o Chelsea dificultou tudo que podia e transformou o que poderia ser um jogo protocolar em uma batalha. Por pouco, os ingleses não conseguem uma virada histórica em um estádio dos mais tradicionais da Europa. O Chelsea conseguiu abrir 3 a 0 em pleno Estádio Santiago Bernabéu e ficou perto de uma classificação espetacular. Só que o Real Madrid tinha Luka Modric, os brasileiros Rodrygo e Vinícius Júnior e, principalmente, Karim Benzema. Foi por esses jogadores que o clube espanhol arrancou uma classificação sofrida para a semifinal da Champions League.

VEJA TAMBÉM: A mágica de 2006 se repete grandiosa: Villarreal resiste ao Bayern e, no fim, arranca o empate que vale a semifinal

Antes do jogo, a torcida do Real Madrid fez um mosaico com o rei jogando cartas e os dizeres: “Não jogue com o Rei”. Uma referência ao clube merengue ser o rei da Champions League, com 13 títulos. Ninguém chega nem perto do clube espanhol nesse quesito, já que o segundo clube com mais títulos é o Milan, com sete. O problema é que do outro lado tinha um time muito bem dirigido por Thomas Tuchel, que é o atual campeão europeu. Não é pouca coisa e deixaria isso claro no jogo.

Foi um jogo horroroso do Real Madrid. A vantagem enorme construída fora de casa pareceu acomodar os merengues, que ficaram assistindo ao primeiro tempo. Foram precisos três gols marcados pelo Chelsea, um no primeiro e dois no segundo tempo, para o time da casa tomar um chacoalhão e botar um cropped – vulgo, reagir. Reagiu, salvou-se da eliminação no tempo normal primeiro e, na prorrogação, conseguiu o gol salvador para sair de campo classificado.

O Chelsea precisava de uma partida brilhante para conseguir a virada e fez tudo certo para isso. A atuação da equipe foi histórica, digna de um capítulo fantástico na sua história europeia. Poderia ter saído com a classificação, que teria sido heróica. Não conseguiu, apesar da grande atuação dos comandados de Thomas Tuchel, porque o Real Madrid tem jogadores que acabariam por decidir o confronto, mesmo em um jogo que o Real Madrid não jogou nada.

Escalações: Chelsea vem mudado para o Bernabéu

O Real Madrid manteve a escalação muito similar ao jogo de Stamford Bridge, com um 4-3-3 que migrava para um 4-4-2 com Federico Valverde saindo da posição de atacante para se tornar um quarto meio-campista. O único desfalque importante era Éder Militão, suspenso. Eden Hazard e Isco, machucados, também ficaram fora, mas nenhum deles tem jogado com frequência.

O Chelsea veio com mais mudanças. N’Golo Kanté no meio-campo ao lado de Mateo Kovacic e Ruben Loftus-Cheek. O time inicialmente jogava no 4-4-2, com Mason Mount mais livre à frente de uma linha de três meio-campistas, com Kai Havertz e Timo Werner no ataque. Com a bola, Loftus-Cheek se tornava um ala pela direita, com Reece James mais preso para cuidar de Vinícius Júnior.

Primeiro tempo: Cadê o Real Madrid?

Com um placar confortável do primeiro jogo, o Real Madrid parece que entrou um tanto desatento em campo. O Chelsea, ao contrário, entrou com a faca nos dentes, ciente do tamanho da montanha que precisava escalar, mas com todos os equipamentos na mochila para encarar. Poderia ser vencido pela montanha, mas não deixaria de tentar. E tentou.

O Chelsea conseguiu abrir o placar aos 15 minutos. Timo Werner recebeu um passe forte de Ruben Loftus-Cheek, no corpo, e mesmo assim conseguiu achar um belo passe para Mason Mount, que recebeu com espaço e finalizou colocado para marcar 1 a 0. Era o resultado de bons minutos iniciais do time de Thomas Tuchel.

O gol foi o melhor momento do Chelsea no primeiro tempo, mas a superioridade se manteve até o apito que marcou o intervalo. Enquanto o Real Madrid parecia jogar em marcha lenta, o Chelsea ia para cima de forma ordenada, sem desespero, mas mantendo uma pressão constante. Era difícil criar chances, mas o time chegava ao ataque.

Foram sete finalizações na etapa inicial, com dois no alvo – um deles o gol. A sensação que o time inglês estava no intervalo era que a missão era possível e estava ao alcance.

Segundo tempo: o Chelsea mostra os dentes

A postura do Chelsea se manteve no segundo tempo e o time continuava melhor em campo. Pressionando, o time conseguiu um escanteio. Eram seis minutos quando Mason Mount cobrou para a área e o zagueiro Antonio Rüdiger subiu livre para tocar de cabeça e mandar para o fundo da rede: 2 a 0.

Com isso, o resultado agregado ficou igual: 3 a 3. O Real Madrid, ausente no jogo, passou a correr um risco que antes do jogo parecia difícil de acontecer. O time de Carlo Ancelotti estava sendo engolido em campo, porque os ingleses mandavam na partida.

Foi só aí que o Real Madrid reagiu. Aos 16 minutos, Dani Carvajal chegou a uma bola na linha de fundo, cruzou para trás e Federico Valverde chegou batendo forte. A bola levou perigo, mas passou por cima.

Só que o Chelsea foi fatal logo depois. Ferland Mendy perdeu uma bola perigosa na intermediária, Mason Mount recuperou, tocou para Kanté, que acionou o ala Marcos Alonso pela esquerda. O espanhol primeiro tentou cruzar, a bola voltou para ele, ele chutou de pé direito no ângulo e marcou um golaço: 3 a 0 para o Chelsea. Seria o gol que criaria a vantagem necessário para a classificação direta, sem prorrogação.

Seria, porque o VAR revisou o lance e, de fato, a bola tocou no braço do ala quando ele tentou cruzar e o ajudou a dominar a bola para finalizar. Gol anulado. O Real Madrid se salvou por um triz. Mas o jogo continuava melhor para o Chelsea.

Só que o Real Madrid conseguiu, enfim, levar perigo. Em um cruzamento do lado esquerdo de Vinícius Júnior, Karim Benzema tocou de cabeça e a bola bateu no travessão e saiu. Um lance de muito perigo.

O técnico Carlo Ancelotti mudou o time aos 27 minutos para dar mais força física: colocou em campo Eduardo Camavinga e sacou Toni Kroos. Em um jogo que o Chelsea seguia melhor, inclusive no meio-campo, era uma forma de competir mais.

O Chelsea, porém, aproveitou a nova chance que teve. Timo Werner recebeu um belo passe pelo meio de Kovacic e fez uma jogadaça. Foi até a linha de fundo, cortou Casemiro, que passou lotado, cortou ainda Alaba, que também passou reto, e finalizou: a bola ainda desviou, mas entrou no cantinho e cravou o 3 a 0 no placar. Desta vez não teve VAR que anulasse, porque não tinha nada para ser anulado.

Era o Chelsea em vantagem no confronto pela primeira vez. Agora era o Real Madrid que precisava de um gol antes do gim, porque se não estaria eliminado. Até por isso, Ancelotti mudou de novo o time para tentar reagir. Entraram em campo Rodrygo e Marcelo, saíram Casemiro e Mendy. O time ficou ofensivo.

A alteração deu certo. Kanté saiu jogando errado, Camavinga recuperou, tocou para Marcelo, que acionou Modric. O meia croata deu um passe de trivela para dentro da área e encontrou Rodrygo, que finalizou de primeira e marcou um belo gol: 3 a 1 para o Chelsea. Com isso, o placar do primeiro jogo se repetia com os times invertidos, o que igualava o confronto no placar agregado em 4 a 4.

O Real Madrid renasceu no jogo. A partida ficou mais aberta, com o Chelsea também tentando aproveitar os espaços que agora os merengues deixavam atrás. Para aguentar o ritmo, os dois times fizeram mudanças nos minutos finais. Thomas Tuchel colocou em campo Christian Pulisic no lugar de Werner, enquanto Ancelotti colocou Lucas Vázquez no lugar de Nacho Fernández, que se machucou. Dani Carvajal foi para a zaga, deixando o companheiro descansado na lateral, onde havia problemas para marcar as subidas de Marcos Alonso.

Nos acréscimos, o Chelsea ainda teve a chance. Cobrança de falta de longe que Rüdiger desviou e a bola sobrou para Pulisic, que bateu de primeira, mas mandou por cima. Um lance de perigo, mas desperdiçado pelos Blues.

Haveria ainda outra chance, novamente com Pulisic. Reece James colocou a bola na área, Mount subiu e desviou para o meio e novamente o americano teve a chance de finalizar, mas, pressionado pela marcação, errou e mandou por cima. O jogo iria mesmo para a prorrogação.

Prorrogação: BenzeGOL

Na prorrogação, foi hora do grande destaque da Champions League aparece mais uma vez. Vinícius Júnior recebeu na ponta esquerda depois de recuperação de bola de Camavinga e esperou o momento certo de levantar na cabeça de Karim Benzema. O camisa 9 aproveitou o bom posicionamento e, livre, testou para o fundo da rede: 3 a 2 para o Chelsea, mas 5 a 4 para o Real Madrid no placar agregado.

Como era de se esperar, o Chelsea foi para cima e o perigo criado pelos Blues foi enorme. Mason Mount teve a chance de cabeça, Jorginho em um rebote dentro da área depois de um bate-rebate, mnas nada de gol. O Real Madrid ia se arrastando, segurando a vaga na unha, com a experiência de um time muito vencedor diante de outro que também sabe o caminho das pedras para vencer, tanto que conquistou a orelhuda na temporada passada. Desta vez, porém, não teve quem tirasse a vaga dos blancos. É o Real Madrid que vai à semifinal e, com seus craques nessa fase, quem poderá duvidar dos merengues?

Melhores momentos de Real Madrid 2×3 Chelsea:

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo