Num senhor jogo, o Dortmund teve muita maturidade e superou o Newcastle em St. James’
O Borussia Dortmund teve boa atitude para ser superior no primeiro tempo e também consistência defensiva na segunda etapa, o que travou o Newcastle num jogo cheio de ocasiões de gol
O tal “grupo da morte” da Champions League atende todas as expectativas até o momento. Os quatro times envolvidos na chave tratam cada duelo como um mata-mata. Assim, há uma coleção de jogaços pelo Grupo F até aqui. Nesta quarta-feira, St. James’ Park recebeu mais uma partida digna da fama da Champions. Sob uma chuva torrencial, Newcastle e Borussia Dortmund ofereceram um embate de emoção elevada do início ao fim. Os Magpies vinham com moral não apenas pela vitória recente sobre o Paris Saint-Germain, mas também pela ótima sequência na Premier League. Contudo, o Dortmund ganha consistência na Bundesliga e fez sua melhor apresentação pela Champions. Não se apequenou na Inglaterra, construiu a vantagem no fim do primeiro tempo e segurou a pressão no segundo. Foi uma imensa vitória por 1 a 0, em que o placar é magro pela partidaça e pela quantidade de chances de gol.
O grande mérito do Borussia Dortmund na noite foi a maturidade de seu jogo. O time de Edin Terzic teve uma postura ofensiva quando necessário, sobretudo no primeiro tempo, e exibiu sua conhecida verticalidade. Mesmo assim, o equilíbrio dependeu da firmeza defensiva e do encaixe do time sem a bola. Não à toa, foi uma roubada de Nico Schlotterbeck que rendeu o gol decisivo de Felix Nmecha, pouco antes do intervalo. Já o Newcastle, se não fez uma partida ruim, não foi o mesmo time que engoliu o PSG na rodada anterior. Os Magpies podem reclamar da sorte, quando Gregor Kobel realizou três grandes defesas e ainda contou com o travessão em outras duas oportunidades no finalzinho – muito embora a pontaria também pudesse ser melhor. Porém, o time de Eddie Howe não manteve um ritmo tão constante e nem viu suas individualidades aparecerem. Além do mais, a defesa por vezes exposta teve seu preço, com Pope ainda evitando um saldo pior.
As formações
O Newcastle veio a campo no seu 4-3-3 tradicionalmente utilizado por Eddie Howe. Nick Pope abria a escalação, com Kieran Trippier e Dan Burn nas laterais, além de Fabian Schär e Jamaal Lascelles na zaga. O meio-campo reunia Bruno Guimarães, Joelinton e Sean Longstaff. Na frente, Miguel Almirón e Anthony Gordon davam apoio pelos lados a Alexander Isak. No banco estavam opções como Sandro Tonali, Callum Wilson e Joe Willock.
O Borussia Dortmund também estava alinhado no costumeiro 4-3-3 de Edin Terzic. Gregor Kobel era o goleiro. A defesa tinha Marius Wolf e Ramy Bensebaini pelos lados, enquanto Mats Hummels e Nico Schlotterbeck se complementavam pelo miolo da zaga. Emre Can, Marcel Sabitzer e Felix Nmecha formavam uma trinca robusta de meio-campistas. Na frente, liberdade de movimentação a Donyell Malen e Marco Reus, com Niclas Füllkrug de referência. Niklas Süle, Karim Adeyemi, Giovanni Reyna, Sébastien Haller e Youssoufa Moukoko eram alternativas no banco, mas sem o lesionado Julian Brandt.
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Primeiro tempo maiúsculo
Foi impressionante o ritmo que a partida atingiu durante os dez primeiros minutos. Nenhum time conseguiu estabelecer seu domínio porque simplesmente não existia respiro. A velocidade característica dos dois lados se expressou em St. James’ Park. Primeiro pelo Dortmund, numa escapada solitária de Malen nas costas da defesa. Bateu rasteiro e exigiu uma boa defesa de Pope com o pé. Logo depois, Anthony Gordon conseguiu a resposta para o Newcastle. Cortou da esquerda para o centro e chutou cruzado, mas Kobel se esticou todo para espalmar. A postura do BVB chamava atenção, sem querer esperar para jogar no contra-ataque, como havia feito diante do Paris Saint-Germain.
Graças ao ímpeto inicial do Borussia Dortmund, o Newcastle não conseguia tomar conta do meio-campo, como aconteceu contra o PSG. Os aurinegros expunham os alvinegros graças à sua velocidade, pegando a defesa inglesa desguarnecida. Pope precisou trabalhar bastante. O goleiro realizou ainda uma ótima defesa dupla aos dez minutos. Barrou Malen e depois o rebote de Füllkrug, em intervenções um tanto quanto desengonçadas e que ainda assim deram certo. Já pelos Magpies, o troco sempre vinha com Gordon, que reapareceu aos 11 e queimou a bola para Kobel salvar com o peito. O BVB, de qualquer maneira, era ligeiramente superior. Malen estava aceso e também levou perigo num tiro por cima, aos 14, após escanteio.
O Newcastle teve uma baixa logo aos 15 minutos. Alexander Isak se lesionou e deu lugar a Callum Wilson. O ritmo da partida se reduziu um pouco nessa sequência, sem tantas chances de gol, mas com o Dortmund sem perder a iniciativa. Ao menos, a marcação dos Magpies se acertou e o time passou a fechar melhor os espaços. Não parecia tão vulnerável à aceleração dos alemães. Malen ainda insistia bastante, mas a defesa se encaixou e bloqueou os principais chutes do holandês. Isso até que o próprio Newcastle passasse a tomar conta do meio-campo e avançasse.
Na metade final do primeiro tempo, o Newcastle melhorou. Os alvinegros passaram a ganhar as disputas e aproveitavam os lados do campo. A equipe de Eddie Howe rodava mais a bola em busca das investidas de seus laterais e pontas. Porém, na melhor bola de Bruno Guimarães para Almirón, o paraguaio furou. Joelinton também arriscava um pouco mais, sem sucesso. A presença ofensiva dos Magpies era incômoda ao Dortmund, mas a defesa conseguia afastar o perigo quando necessário. Hummels tinha ótima atuação. E os aurinegros também perderam um jogador lesionado no fim do primeiro tempo, com Emre Can dando lugar a Salih Özcan aos 42.
Num momento em que o primeiro tempo parecia fadado ao empate, o Borussia Dortmund conseguiu o gol que abriu o placar, aos 45 minutos. Foi um contra-ataque armado a partir de uma bola roubada por Schlotterbeck. O zagueiro já arrancou e tabelou com Reus, antes de recuar o passe para a entrada da área. Félix Nmecha entrava com muita liberdade e, na passada, bateu de primeira no cantinho de Pope. O goleiro não tinha o que fazer. Era um resultado merecido pela maneira como o BVB manteve sob controle as virtudes do Newcastle e também buscou fazer sua parte, sem se amedrontar. Nos acréscimos, uma sequência de escanteios para os aurinegros ainda gerou novos sustos, enquanto o árbitro apitou o fim da etapa no que era a oportunidade de um bom contragolpe alemão, o que deixou os jogadores na bronca.
Dortmund aguenta o abafa até o fim
O Borussia Dortmund ainda parecia mais confortável na retomada do segundo tempo. O nível de concentração dos aurinegros impressionava, seguros no trato com a bola e sem dar mole sem ela. Não criavam muitos lances agudos, mas administravam a vantagem. O Newcastle só voltou a despertar aos 12 minutos, num contragolpe. Gordon deixou Callum Wilson de frente para o crime, mas o centroavante perdeu alguns segundos ao querer dominar e o chute parou em nova ótima defesa de Kobel. O lance serviu para que os ingleses se animassem um pouco mais, mas os alemães não facilitavam.
Aos 18, o Borussia Dortmund ganhou mais energia para os contra-ataques, com Adeyemi na vaga de Reus. Já o Newcastle trouxe a campo Tonali e Jacob Murphy, com as saídas de Joelinton e Longstaff. Quando os Magpies tentaram avançar num lance rápido, Hummels foi perfeito num desarme. E na resposta do outro lado, o BVB reclamou de um pênalti por toque no braço que não foi anotado. Os aurinegros conseguiam ser mais contundentes. Apesar das mexidas, os alvinegros precisavam de uma conexão melhor para romper a defesa adversária. Pior, o time da casa ainda perdeu Murphy contundido pouco depois de sua entrada. Joe Willock entrou em seu lugar aos 25, assim como Matt Targett no posto de Dan Burn.
O jogo ficaria mais tenso à medida que se encaminhava para o final. O Borussia Dortmund mantinha a cautela, enquanto o Newcastle tentava encontrar alguma brecha. Os aurinegros evitavam os riscos, sem achar um contragolpe. Aos 33, Edin Terzic queimou suas três últimas trocas: entraram Süle, Haller e Reyna, saindo Malen, Füllkrug e Nmecha. O técnico mudou seu esquema tático para um 4-1-4-1, com Wolf adiantado para o meio-campo. A esta altura, as bolas paradas se tornaram cada vez mais importantes em busca de algum gol. O Dortmund tinha escapadas ocasionais, mas era uma partida em que o Newcastle permanecia em cima.
O empate do Newcastle ficou por um fio aos 42. Numa falta cobrada por Targett, Wilson desviou de cabeça no meio do pagode e estalou o travessão. Kobel, estático, só pôde torcer. O Dortmund ainda tinha algumas chances de levantar a bola na área, mas nesta altura a prudência precisava prevalecer. E os acréscimos foram mais agoniantes aos alemães. Trippier cobrou uma falta venenosa quase sem ângulo e Kobel rebateu para longe, por segurança. Já o último minuto guardou um escanteio em que Pope subiu até o ataque. O travessão salvou de novo o BVB, num chute desviado de Gordon que ia encobrindo Kobel, mas parou no ferro. Resultado para os aurinegros comemorarem efusivamente, pelo tamanho e pela importância.
A situação no grupo
O Borussia Dortmund conquistou três pontos cruciais. É a primeira vitória do time no Grupo F da Champions, com quatro pontos. Graças a isso, a equipe iguala a pontuação do Newcastle, também com quatro pontos. A liderança é do Paris Saint-Germain, agora com seis pontos. Já o Milan é o lanterna, com dois pontos. Os Magpies enfrentam Wolverhampton (Premier League), Manchester United (Copa da Liga) e Arsenal (Premier League) antes do reencontro com o Dortmund no Signal Iduna Park em 7 de novembro. Já o BVB pega Eintracht Frankfurt (Bundesliga), Hoffenheim (Copa da Alemanha) e Bayern de Munique (Bundesliga) até o novo duelo pela Champions. Sequências duras que não darão muita trégua.



