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Mesmo em momento de baixa, Firmino mostrou que tem o poder de decidir quando o Liverpool precisa

Mais reserva que titular na temporada, o brasileiro abriu o placar da difícil e suada vitória por 2 a 0 no San Siro

Salah, Mané e Firmino. O clássico ataque do Liverpool campeão com Jürgen Klopp. Tão entrosado e avassalador que era difícil contratar reservas qualificados porque eles sabiam que seria difícil entrar no time titular. Se era verdade, não é mais. Diogo Jota começou mais partidas nesta temporada, mas o brasileiro ainda tem capacidade de ser importante e decisivo, como mostrou nesta quarta-feira na vitória por 2 a 0 sobre a Internazionale no San Siro pelo jogo de ida das oitavas de final da Champions League.

A queda de rendimento de Firmino vem de longa data. Desde antes do começo da pandemia. Jota foi contratado no começo da temporada passada e estava ganhando confiança quando sofreu uma lesão séria no joelho. Firmino ainda foi titular. Mas, prejudicado também por problemas físicos, fez apenas oito jogos desde o início na atual edição da Premier League e ficou no banco de reservas para o começo do mata-mata da Champions. Ganhou mais chances em janeiro porque Salah e Mané estavam na Copa Africana de Nações.

A Internazionale fez bom trabalho de marcação em um primeiro tempo muito equilibrado no San Siro. Jota não conseguiu fazer uma finalização passar pelo muro defensivo de Simone Inzaghi. Além disso, sentiu dores no tornozelo. Queria continuar, segundo Klopp, mas Firmino entrou no intervalo. Mudança também de característica: Jota é mais vertical, mais finalizador e artilheiro, Firmino age muitas vezes como armador, saindo da área e preparando as jogadas.

Era de se pensar que poderia melhorar o controle e a criação do Liverpool, mas não foi bem assim. A Internazionale foi a melhor equipe no começo do segundo tempo. O jogo ficou mais aberto, mais frenético, e bastava uma tomada de decisão mais cuidadosa dos italianos para o placar ser aberto. Klopp respondeu com três substituições de uma vez, com as entradas de Naby Keita, Jordan Henderson e Luis Díaz, outro que, como Jota, está tentando ameaçar os titulares do ataque.

Mas quem decidiu mesmo foi Firmino. Desviou escanteio cobrado por Robertson na primeira trave além do alcance de Handanovic, o gol do desafogo para o Liverpool que naquele momento estava sendo dominado pela Internazionale, pensando em conter danos, talvez segurar o empate e resolver em Anfield. Ao contrário, a cabeçada do brasileiro abriu caminho para uma vitória por 2 a 0 que deixa os Reds em ótima posição para avançar às quartas de final.

O fato de que um jogador com tanta história pelo Liverpool pode sair do banco de reservas e decidir um jogo desse é evidência de que o elenco vermelho está mais forte. Luis Díaz também entrou bem, criando quase sozinho duas ou três jogadas perigosas. Dependendo da gravidade da lesão de Jota, Firmino pode ser mais acionado nas próximas semanas. A perseguição ao Manchester City continua e a vaga nas quartas de final ainda precisa ser confirmada. O Liverpool precisará de um dos 20 maiores artilheiros da sua história para navegar tantos desafios.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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