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Mahrez ficou a centímetros de levar nota 10 – como, aliás, todo o Manchester City

O argelino foi um dos melhores em campo, deu assistência, criou jogadas perigosas - e também perdeu gols que não poderia ter perdido

É até difícil de explicar o placar do jogo de ida das semifinais da Champions League. O Manchester City foi superior, criou chances, fez quatro gols, e ainda assim saiu com uma vitória magra. Méritos do Real Madrid, que tem confiança suficiente para sempre acreditar que pode correr atrás de qualquer desvantagem. Mas também demérito dos ingleses que não souberam matar o adversário. Uma dinâmica que pode ser ilustrada pela atuação individual de Riyad Mahrez.

Craque do Leicester que conquistou a Inglaterra, há quem conteste a presença do argelino em um dos elencos mais ricos e um dos melhores times do mundo. O jogo desta terça-feira mostrou tanto o bom quanto o ruim: muita qualidade e técnica a serviço de Pep Guardiola e também algumas falhas que podem custar caro na partida de volta no Santiago Bernabéu na próxima semana.

Mahrez tem sido titular no mata-mata da Champions League, embora tenha ficado no banco de reserva nos dois duelos mais recentes com o Liverpool pelo Campeonato Inglês pela Copa da Inglaterra – quando Guardiola usou um time misto. Seus números são ótimos: 23 gols e oito assistências, contando a que abriu o jogaço desta terça-feira no Etihad Stadium.

Antes do segundo minuto, Mahrez dominou pela lateral direita e saiu carregando com a sua talentosa canhota. Passou no meio de dois marcadores, deixou Modric para trás e cruzou com perfeição para Kevin de Bruyne abrir o placar de cabeça. Jogada individual perfeita, decisão perfeita, assistência perfeita.

Não seria sempre assim. Aos 25 minutos, De Bruyne dividiu na intermediária, e Bernardo Silva emendou a sobra com um passe preciso. Mahrez entrou em liberdade pela direita e tinha várias escolhas: tentar Phil Foden na segunda trave, tocar atrás para a chegada de De Bruyne ou chutar. Escolheu a terceira e bateu mal na bola, na rede pelo lado de fora, para o desespero de Guardiola, que imediatamente levantou do banco para dar uma bronca.

Pouco depois, ele começou um ótimo contra-ataque do Manchester City com um passe para lançar Gabriel Jesus. De pé em pé, a bola chegou, com toques de primeira, e a bola chegou a Foden pela esquerda da grande área. Chute cruzado para fora. Não foi culpa de Mahrez. Mas outra chance desperdiçada pelos donos da casa que faria falta.

O lance mais ilustrativo aconteceu no começo do segundo tempo. Mahrez fez quase tudo certo. Ganhou do Militão na intermediária, entrou na área, ajeitou o corpo e chapou colocado com muita classe. Mas faltou um detalhe: a bola entrar. Carvajal ainda cortou o rebote da trave quase em cima da linha, após finalização de Phil Foden. Mas o argelino, logo na sequência, também soltou Fernandinho na ponta direita para o cruzamento do terceiro gol.

Mais um exemplo? Aos 30 minutos, Mahrez entrou na área pela direita, driblou dois com um único corte e ficou cara a cara com Courtois, mas sem muito ângulo. Meio que chutou e meio que cruzou com a perna direita, fazendo a bola passar na boca do gol.

No geral, foi um jogo muito bom de Mahrez em um grande palco do futebol europeu, mas faltaram alguns detalhes para levar a nota 10. Um pouco mais de capricho em algumas finalizações em momentos de puro domínio. A seu favor, o mesmo pode ser dito de todo o time do Manchester City.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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