Manchester City macetou um Real Madrid que recusou se entregar e vendeu caro a derrota por 4 a 3
Em jogo que criou inúmeras chances, Manchester City sai com uma vitória importante, mas que deixa a sensação que poderia ser maior e só não foi porque o Real Madrid lutou até o fim
O Manchester City venceu, mas saiu com a sensação que poderia ter feito muito mais e até já encaminhado a classificação. O Real Madrid perdeu, mas deixou o campo vivo, e o jogo chegou a dar a sensação que tudo poderia ir por água abaixo já no jogo de ida. Os 4 a 3 conquistados pelo Manchester City tem um imenso valor e é uma vantagem importante contra um time muito forte do Real Madrid, ainda que tenha jogado para fazer um placar muito maior.
O que se viu em campo foram dois times que se expuseram, o Manchester City mais por estratégia, o Real Madrid mais por não conseguir evitar o jogo do rival. Casemiro, suspenso, fez uma falta imensa à equipe, que sentiu falta de mais marcação no meio, seja pela capacidade de recuperar a bola, seja pelo seu bom posicionamento defensivo. Sem ele, o time sofreu contra um meio-campo dos mais criativos e móveis do mundo.
O Manchester City foi dominante, jogou e criou chances para marcar muito mais do que os quatro gols que fez. Perdeu muitas chances, um problema que esse time já viveu antes. Dado como foi o jogo, uma diferença de três gols para o City não seria nenhuma surpresa. Só que o Real Madrid conseguiu gols importantes em momentos cruciais, muito baseado em sua qualidade, e se manteve vivo em uma disputa que foi muito de um lado só nesta noite em Manchester.
O jogo de volta no Estádio Santiago Bernabéu, na próxima quarta-feira, estará completamente aberto, mas o Real Madrid precisará jogar muito mais do que jogou no Etihad. Caso contrário, não seria surpresa que o City vencesse mais uma.
Escalações: desfalques no City e Rodrygo titular no Real Madrid
O técnico Pep Guardiola tinha muitos problemas para escalar o time, porque não tinha lateral direito. Kyle Walker estava machucado e João Cancelo suspenso. Assim, quem entrou em campo, no sacrifício, foi o zagueiro John Stones – que acabaria substituído ainda no primeiro tempo. Oleksandr Zinchenko foi titular na lateral esquerda e Aymeric Laporte formou dupla com Rúben Dias na zaga.
Desta vez, Guardiola escalou um time com centroavante: Gabriel Jesus foi o escolhido depois do ótimo desempenho no fim de semana com seus quatro gols diante do Watford. Ao seu lado, Phil Foden pela esquerda e Riyad Mahrez pela direita. Bernardo Silva compôs o meio-campo com Rodri, mais recuado, e Kevin De Bruyne, o craque do time.
Pelo lado do Real Madrid, Ferland Mendy estava recuperado e voltou à lateral esquerda. A mudança significativa foi no ataque. Rodrygo entrou na ponta direita e Federico Valverde, que vinha jogando por ali, foi recuado para o meio-campo ao lado de Luka Modric e Toni Kroos, já que Casemiro voltava de lesão e não tinha condições plenas para jogar.
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Primeiro tempo: ritmo frenético
Com menos de dois minutos de jogo, o City já abriu o placar. Riyad Mahrez costurou pela direita para o meio e levantou na área para encontrar Kevin De Bruyne livre, superando o lateral direito Dani Carvajal, para dar um peixinho e colocar a bola na rede logo no injício do jogo.
Com muita eficiência, o time de Guardiola chegou ao segundo gol aos 10 minutos. Lançamento longo para Phil Foden, que acionou Kevin De Bruyne. O belga cruzou para Gabriel Jesus, que dominou, girou em cima de David Alaba e bateu colocado, gol típico de centroavante: 2 a 0 para o City.
O Real Madrid assustou após um recuo de Rúben Dias para o goleiro Éderson, que acionou Kyle Walker, este pressionado Karim Benzema, que tocou na bola e fez com que ela sobrasse para Vinícius Júnior, que tocou como deu. A bola foi devagar e tocou na trave e a zaga conseguiu tirar.
Logo depois, o Manchester City teve mais uma grande chance. Em um contra-ataque Riyad Mahrez foi lançado no lado direito, com liberdade, e tinha opções de passe: De Bruyne pelo meio e Foden pelo lado esquerdo. Mahrez foi fominho, segurou e tentou o chute de pé direito, que nem é o seu melhor, e errou o alvo. Pep Guardiola levantou do banco imediatamente, cobrando uma decisão melhor do jogador.
As oportunidades se apresentavam com facilidade para o City. Mais uma vez, o time chegou em rápido contra-ataque com Gabriel Jesus acionado na direita, o brasileiro tocou de primeira para De Bruyne pelo meio e De Bruyne, também de primeira, colocou na esquerda para Foden. Ele dominou, a bola escapou um pouco, mas ele ainda finalizou cruzado, com perigo, mas errou o alvo e mandou para fora.
O jogo era aberto. Benzema recebeu a bola pelo meio e ganhou um escanteio depois de tentar cruzar. O próprio Benzema cobrou rápido para Luka Modric, recebeu de volta e cruzou para a área onde estava David Alaba. O austríaco tocou de cabeça com perigo, mas a bola foi fora.
Com o jogo lá e cá, o lance seguinte teve uma boa troca de passes do City no campo de ataque, desta vez com o Real Madrid posicionado na defesa, e Oleksandr Zinchenko arriscou de fora da área, cruzado, mas também mandou fora.
O Real Madrid não desistiu. Aos 32 minutos, Modric ganha uma bola no meio em uma dividida, a bola sobrou para Ferland Mendy na esquerda e o lateral cruzou com perfeição para Benzema, perfeitamente posicionado, se antecipar à marcação de Zinchenko e tocar de primeira de pé esquerdo, no alto, para colocar no canto esquerdo de Éderson, sem chance: 2 a 1. Os merengues estavam vivos no jogo.
Aos 35 minutos, John Stones acabou substituído por Fernandinho, aparentemente por lesão do defensor, que se recuperava de contusão para este jogo. Stones atuava como lateral, posição que Fernandinho também passou a atuar.
Segundo tempo: toma lá, dá cá
O Real Madrid voltou com uma alteração. Saiu David Alaba e entrou em campo Nacho Fernández. Logo no começo da etapa final, o Manchester City perdeu uma chance incrível de ampliar o placar. Depois de uma grande jogada de Gabriel Jesus, que tirou a marcação, tocou na saída do goleiro e viu a bola bater na trave, a bola sobrou para Phil Foden tocou e Carvajal, em cima da linha, impediu o gol. Um lance incrível.
Não demorou para a pressão inicial do segundo tempo resultar em gol. Fernandinho antecipou um passe de Ferland Menduy e recuperou a bola, recebeu pela direita e, como se fosse um lateral natural, cruzou com precisão, na cabeça de Phil Foden, livre no meio da área, com Carvajal correndo atrás. O inglês cabeceou para o fundo da rede e ampliou para 3 a 1.
Só que o Real Madrid se recusava a desistir. Vinícius Júnior deu um drible de corpo em Fernandinho na linha de mei0o-campo, quase em cima da linha da lateral esquerda, avançou até dentro da área e finalizou para marcar e diminuir: 3 a 2 para o City. O jogo continuava aberto – e de tirar o fôlego.
Com o jogo ainda em um ritmo alto, Carlo Ancelotti colocou em campo o volante Eduardo Camavinga no lugar de Rodrygo. Com isso, deslocou Valverde mais para frente, mas com mais poder de marcação do seu lado direito. Até porque o Manchester City mantinha a posse de bola, rodada de um lado a outro e seguia procurando espaço para outro gol. O Real Madrid fechava os espaços para tentar sair na velocidade dos contra-ataques, especialmente com Vinícius, e tentar um empate.
Aos 28 minutos, o Manchester City chegou ao quarto gol. Zinchenko fez a jogada pela esquerda e foi derrubado com falta. O árbitro deu a vantagem, Bernardo Silva continuou no lance, entrou na área e bateu no alto, no ângulo, e marcou: 4 a 2.
O gol fazia jus a um volume de jogo muito maior que o Real Madrid, com muitas oportunidades perdidas. E continuava assim: aos 30 minutos, Mahrez costurou dentro da área, passou pela marcação e chutou quase sem ângulo, mas a bola passou perto da linha e não entrou.
Ancelotti decidiu tirar de campo Luka Modric e colocar Dani Ceballos, em uma substituição que foi pouco compreensível, a não ser que houvesse qualquer problema físico. O croata seguia bem no jogo, ainda que a exigência física fosse alta. Ele mostrava bom desempenho por ali.
Eis que o Real Madrid ressurgiu mais uma vez. Em cruzamento de Toni Kroos, Laporte subiu junto com Benzema, com braços abertos. A bola tocou no braço aberto do zagueiro depois de raspar na cabeça, mas o braço estava acima da linha do ombro – que é uma das orientações para marcação do pênalti. Benzema patiu para a bola e cobrou com categoria: mandou ver uma cavadinha que deixou Éderson no chão e a bola entrou no alto. Mais uma vez, o Real Madrid arranca um gol para manter a vantagem no mínimo: 4 a 3.
O City mudou aos 38 minutos ao colocar em campo Raheem Sterling e sacar Gabriel. Pouco depois, Ancelotti também mudou e colocou Marco Asensio no lugar de Vinícius Júnior. Os dois times reduziram o ritmo e tentaram não se expor mais. O placar ficou mesmo 4 a 3.
A partida de volta será na próxima quarta, dia 4 de maio, no Estádio Santiago Bernabéu. O Real Madrid precisa vencer para se manter vivo. Por um gol de diferença, levará a partida à prorrogação. Por dois gols ou mais, o time avança à final. Empate ou vitória do City dá a classificação aos ingleses.



