Lahm: ‘A escola espanhola é o modelo superior para o sucesso na Champions League’
Ex-capitão alemão defende modelo posicional da Espanha e vê riscos em retorno à marcação individual
Em uma coluna no jornal inglês “The Guardian” antes do confronto entre Real Madrid e Bayern de Munique nesta terça-feira (7), o lendário ex-lateral Philipp Lahm traçou um panorama crítico sobre os rumos táticos do futebol europeu. Para ele, a escola espanhola como o modelo dominante na atualidade.
Segundo o ex-capitão da seleção da Alemanha, há um contraste cada vez mais evidente entre a evolução do jogo na Espanha e o retrocesso observado em outras ligas. E isso pode ser visto no confronto da Champions League.
Lahm alerta para dinâmica espanhola de sucesso na Champions League
Logo de início, Lahm chama atenção para o ressurgimento de uma ideia que considera ultrapassada: a marcação individual.
“Na Alemanha, dizíamos: ‘siga seu oponente até o banheiro’. Era uma forma de defender sem precisar pensar muito”, escreveu.
Segundo ele, essa abordagem voltou a ganhar espaço após o título da Atalanta na Liga Europa em 2024. No entanto, o próprio desempenho da equipe italiana na Champions League serviria como alerta.
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“Contra um time com mais qualidade individual, você não tem chance com marcação individual”, avaliou, citando a goleada sofrida pelos italianos diante do Bayern de Munique como exemplo.
Para Lahm, esse tipo de sistema pode funcionar pontualmente, mas não como base estrutural. “Pode ser útil por pouco tempo, para surpreender. Mas um campo de futebol é grande demais para isso.”
Em contrapartida, Lahm exalta o modelo desenvolvido na Espanha, baseado em organização coletiva, inteligência posicional e controle do jogo.
“Os espanhóis seguem uma ideia clara: defesa orientada pela bola, funções bem definidas e um futebol de combinação que leva o jogo ao campo adversário”, explicou.
Na visão do alemão, trata-se de um modelo que exige mais do ponto de vista cognitivo, com jogadores constantemente envolvidos em decisões coletivas.
Os números reforçam o argumento: clubes espanhóis somam 24 títulos europeus neste século, com ampla vantagem sobre outras ligas. Além disso, a presença constante de equipes como Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid nas fases decisivas da Champions sustenta essa hegemonia.
Lahm também destaca a influência desse modelo fora da Espanha, citando treinadores como Mikel Arteta e Luis Enrique, ambos com raízes na filosofia do Pep Guardiola.
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O protagonismo dos treinadores espanhóis, Itália em declínio e alerta para Alemanha
Outro ponto levantado é a forte presença de técnicos espanhóis no cenário europeu. Lahm observa que eles dominam as principais competições e seguem exportando ideias e resultados.
Entre os exemplos citados estão Xabi Alonso, que levou o Bayer Leverkusen ao topo na Alemanha, Unai Emery, que segue competitivo com o Aston Villa, e Cesc Fàbregas, apontado como um nome em ascensão.
Além disso, Lahm cita o trabalho de Luis de la Fuente, responsável por consolidar o sucesso recente da Seleção Espanhola, campeã da Eurocopa de 2024.
⚪🆚🔴 pic.twitter.com/nZ5swhSlkt
— Real Madrid C.F. (@realmadrid) April 7, 2026
Se a Espanha representa o modelo a ser seguido, a Itália surge como contraponto negativo na análise de Lahm. O ex-jogador afirma que o país perdeu competitividade ao não acompanhar a evolução do jogo.
“Falta intensidade, dinamismo e iniciativa. Por isso não há mais tantos jogadores de classe mundial”, escreveu.
A ausência de clubes italianos nas fases finais da Champions e as recentes eliminações da Seleção Italiana reforçam esse diagnóstico. Para Lahm, o cenário serve como um aviso direto à Alemanha.
Ele demonstra preocupação com o retorno da marcação individual na Bundesliga, inclusive em equipes como o Bayern, atualmente comandado por Vincent Kompany.
“Se seguirmos esse caminho, pode acontecer o mesmo conosco”, alertou.
O alemão ainda observa que, embora a abordagem possa funcionar em contextos específicos, ela tende a ser exposta em níveis mais altos de exigência, como ocorreu diante do Arsenal em competições europeias.
A análise de Lahm vai além de uma crítica tática. Trata-se de um diagnóstico sobre identidade, evolução e adaptação, elementos que, segundo ele, explicam por que a Espanha dita o ritmo do futebol europeu atual.