Inglaterra

‘A Premier League tem tudo, exceto atacantes do mais alto escalão do futebol’

Análise do "The Times" explica momento da principal liga do futebol

A Premier League tem sido questionada pela tendência no uso de bolas paradas, que geraram críticas até mesmo do técnico Arne Slot. Mas para além das táticas, o jornal “The Times” chamou atenção também para a ausência de “estrelas individuais no ataque”.

A saída de Mohamed Salah do Liverpool, ao final da temporada após nove anos no clube, foi um dos pontos levantados pelo jornalista James Gheerbrant. O periodista destacou que, com exceção do atacante egípcio, não há nenhum jogador em atividade entre os 25 maiores artilheiros da história da Premier League.

— É surpreendente que, excluindo Salah, não haja nenhum jogador em atividade entre os 25 maiores artilheiros da história da Premier League. Erling Haaland, com seus 107 gols, ocupa a 30ª posição (empatado com outros jogadores), chegará lá em breve, talvez até antes do fim da temporada. Mas abaixo dele, os próximos jogadores em atividade na lista são Callum Wilson, Chris Wood e Danny Welbeck — afirmou.

Gheerbrant traçou um paralelo com relação ao momento da competição, reforçando que a Premier League nunca esteve tão forte, mas parece que a oferta de atacantes entre os melhores do mundo, antes abundante no torneio, está se esgotando. 

—  O ranking de poder da Opta coloca oito times da Premier League entre os 15 melhores do mundo atualmente. Em termos de qualidade técnica geral, basta recorrer aos melhores momentos das décadas de 1990 e 2000 para perceber que o nível subiu significativamente. No entanto, parece que a oferta de atacantes do mais alto escalão está se esgotando. Desde o verão de 2023, a liga que supostamente exerce um domínio financeiro insuperável sobre o futebol de clubes perdeu Harry Kane, Kevin De Bruyne, Son Heung-min, Trent Alexander-Arnold, Michael Olise e agora Salah — pontuou o jornalista.

Mohamed Salah vai deixar o Liverpool ao fim da temporada
Mohamed Salah vai deixar o Liverpool ao fim da temporada. Foto: IMAGO / Propaganda Photo

Para além das saídas, James Gheerbrant também destacou que aqueles jogadores que pareciam mais propensos a preencher o vácuo deixado por essas transferências regrediram. Entre os exemplos está a própria disputa da Bola de Ouro.

Nas últimas edições, Salah foi o principal atacante da Premier League. O único outro atacante a figurar entre os 20 melhores na última temporada foi Cole Palmer, que desde o início da temporada anterior marcou apenas seis gols (sem contar pênaltis) e três assistências no campeonato, números bem abaixo do esperado para o que seria considerado uma superestrela. 

— Na temporada anterior, Haaland terminou em quinto, Phil Foden em 11º e Martin Odegaard em 19º. Foden, aliás, está em uma fase ainda pior que a de Palmer, a ponto de ser improvável que seja convocado para a seleção inglesa para a Copa do Mundo — afirmou o jornalista.

O que fez a Premier League “sofrer” com falta de atacantes de classe mundial?

Anthony Barry, auxiliar técnico da Inglaterra, disse em novembro que sentia que o futebol da primeira divisão inglesa havia “estagnado” porque todo mundo tem tanta informação agora e os elencos sabem como se organizar em blocos médios e blocos recuados.

— Há algumas razões óbvias para isso. Uma delas é que algumas das áreas em que a Premier League realmente se destaca são a organização coletiva sem a bola e o planejamento tático liderado pelo treinador — comentou James Gheerbrant.

Slot ainda declarou no mês passado que a posição de ponta — de grande importância na produção de superestrelas no futebol, especialmente no século XXI — se tornou a posição mais difícil de jogar, “porque os espaços são muito limitados e os jogadores que você enfrenta são dez atletas grandes e muito rápidos defendendo dentro e ao redor da área”.

Wirtz em jogo do Liverpool na Premier League
Wirtz em jogo do Liverpool na Premier League. Foto: Imago

— A Premier League tornou-se quase um complexo industrial de treinadores, e os jogadores que se destacam como seus melhores artilheiros e criadores inevitavelmente atraem um esforço proporcionalmente grande para desmistificá-los e desestabilizá-los — exemplificou Gheerbrant.

Apesar das preocupações momentâneas, vale ressaltar que o futebol é cíclico e que grandes jogadores saem e novos ídolos surgem. No entanto, é importante reforçar que essas renovações nem sempre acontecem em perfeita sincronia.

— Não é difícil identificar os atacantes que poderiam, potencialmente, dar um salto gigantesco. Florian Wirtz, Hugo Ekitike, Estêvão, Rayan Cherki e Benjamin Sesko estão todos em sua primeira temporada e mostrando sinais de que estão entendendo a função. Jérémy Doku e Amad Diallo talvez só precisem de uma daquelas temporadas como a de Ousmane Dembélé, em que tudo se encaixa. Bukayo Saka provavelmente precisa de um descanso mais do que qualquer outra coisa: é difícil prever quando ele terá essa oportunidade, mas ele também pode voltar a brilhar — destacou James Gheerbrant.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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