Champions League

Irreconhecível: os números que ressaltam a partida muito abaixo da média do Atlético de Madrid

Por Felipe Lobo

O Real Madrid vencer o Atlético de Madrid era até esperado no primeiro jogo da semifinal da Champions League. Só que imaginar o time de Diego Simeone tomando um 3 a 0, mesmo atuando no estádio Santiago Bernabéu, era bem difícil. Foi um Atlético incomum na casa do rival. Só duas vezes na temporada o time tinha perdido por três gols de diferença. Uma delas justamente para o Real Madrid, só que no estádio Vicente Calderón. O jogo que se viu nesta noite de terça-feira foi absolutamente incomum para o Atlético de Madrid, tanto defensiva quanto ofensivamente.

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No dia 19 de novembro, o Real Madrid passou por cima do Atlético em pleno Calderón em jogo pelo Campeonato Espanhol. O placar de 3 a 0 foi dolorido para os torcedores porque, àquela altura, se imaginava que poderia ser o último clássico contra o rival no estádio. Não foi, mas a sensação de jogar novamente com o Real Madrid na próxima quarta-feira também não é das melhores.

Ao menos significa uma chance de mudar o último clássico para uma vitória. Só que para transformar em uma classificação será muito mais difícil. Será preciso um 3 a 0, no mínimo, para levar à prorrogação; ou uma vitória por quatro gols de diferença para avançar à final. Uma missão muito difícil.

Além do jogo contra o Real Madrid em novembro, o Atlético de Madrid perdeu por três gols de diferença no dia 12 de dezembro, no Estadio de la Cerámica. O placar foi o mesmo desta terça-feira: 3 a 0 para o Villarreal. Foram as duas derrotas pela mesma diferença que vimos neste jogo de ida da semifinal.

Não é só a diferença de gols que assusta, mas o número de gols sofridos. O Atlético é conhecido pela sua defesa sempre muito forte. Além dos dois jogos citados, dois 3 a 0 sofridos pelos Colchoneros, em só mais um jogo na temporada toda a equipe sofreu três gols: perdeu por 3 a 2 no Calderón para o Las Palmas. Só que a derrota pouco afetou o time, que já tinha vencido por 2 a 0 na casa do adversário. Portanto, foi uma derrota que acabou comemorada.

O Atlético é muito mais conhecido pela sua força defensiva, mas ofensivamente o time também ficou devendo muito em termos ofensivos. Contando apenas jogos da Champions League, os Colchoneros têm média de 12,8 chutes a gol por jogo. Nesta partida contra o Real Madrid, foram apenas quatro. Se contarmos chutes que acertam o gol, o Atlético acerta em média 4,4. Nesta partida, só acertou um. E esse chute foi já no final do segundo tempo.

Mesmo sem ter um dos melhores ataques da Europa, raramente o Atlético passa uma partida em branco. De todos os 54 jogos, só em 11 o time ficou sem marcar gols (20% do total). Tudo isso só mostra que o time fez uma partida muito abaixo do seu padrão técnico. O problema disso é que terá que fazer o contrário no jogo de volta: precisa de um jogo muito acima da sua média para avançar. Só 11 vezes o Atlético venceu por ao menos três gols de diferença. Destas, 9 delas dariam o placar que o time precisa – ao menos 3 a 0 para levar à prorrogação, ou vitória por quatro gols de diferença.

A missão do Atlético na próxima semana é muito difícil. Não é impossível, mas o time precisará ter um desempenho muito melhor do que o seu próprio padrão tanto na defesa quanto no ataque. Até porque o Real Madrid continuará com um ataque avassalador. Uma missão e tanto para Diego Simeone e seus comandados.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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