Investigação do Senado francês detona organizadores da final da Champions e conclui que culpar torcedores é injusto
Em um relatório que não alivia para autoridades governamentais e nem da Uefa, o Senado francês criticou a forma como o jogo foi organizado
A investigação estabelecida pelo Senado francês em relação ao caos que aconteceu na final da Champions League trouxe críticas bastante duras aos organizadores do evento, incluindo o governo local e a Uefa. Além de desmentir a versão inicial dada por eles culpando os torcedores do Liverpool pelo atraso do jogo, ainda cobra uma melhora na forma de organizar, inclusive a Uefa e a sua gestão fracassada de ingressos.
Autoridades francesas e a própria Uefa se apressaram em culpar os torcedores ingleses quando houve problemas, falando em chegada em cima da hora no Stade de France e uma “escala industrial de ingressos falsos”. Tudo isso caiu por terra na apuração do legislativo francês, que diz que os organizadores culparam os torcedores do Liverpool injustamente para desviar a atenção da culpa deles mesmos.
No dia da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid, no dia 28 de maio, os torcedores, especialmente do Liverpool, tiveram que formar filas imensas para poderem entrar no estádio. Em meio à confusão, acabaram tendo que lidar com o despreparo dos organizadores, incluindo o uso de gás de pimenta para dispersar as confusões que surgiram. O jogo foi atrasado em mais de meia hora.
O ministro do interior da França, Gerald Darmanin, inicialmente jogou a culpa do atraso no jogo aos torcedores do Liverpool que estavam sem ingressos nos portões do estádio. Depois de apuração junto a torcedores, à polícia francesa, integrantes do governo e do diretor de eventos da Uefa, Martin Kallen, o senado francês publicou um relatório provisório sobre o assunto e desmentiu aquela versão inicial.
“É injusto querer responsabilizar os torcedores do time do Liverpool pelos distúrbios ocorridos, como o ministro do Interior fez para desviar a atenção da incapacidade do estado de gerenciar adequadamente as multidões presentes e coibir a ação de várias centenas de infratores violentos e coordenados”, diz o documento.
Ainda segundo o relatório, o caos foi causado por “uma cadeia de eventos e problemas” nos dias e horas que antecederam o jogo. “Os sistemas implantados apresentavam grandes deficiências no que diz respeito à inteligência (ausência de hooligans, mas presença em grande número de delinquentes), às vias de transporte para torcedores (retirada de uma via de desembarque no entorno do estádio) e comunicação insuficiente”, diz o relatório.
“Não é só na execução que surgiram os problemas. A montante, os cenários de crise foram pouco trabalhados e não demonstraram a flexibilidade necessária diante de tantos imprevistos”, diz ainda o texto, bastante duro com os organizadores.
O senado insistiu que as autoridades francesas aprendam as lições do acontecimento que descreveram como “uma falha coletiva grave”, além de descrever a gestão de ingressos da Uefa como “inadequada”, recomendando um sistema antifraude e uma melhor coordenação entre os funcionários do estádio e a polícia.
É bom lembrar que a Uefa instaurou uma investigação independente para apurar o caso. O que se viu com esse relatório é um tapa bem dado pelo senado francês, que desmontou essa pressa das autoridades locais e da Uefa em tirar sua responsabilidade do ocorrido.
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