Uefa tem grande responsabilidade nos tumultos que atrasaram o início da final da Champions
Organização confusa poderia ter causado uma nova tragédia com torcedores antes de Liverpool x Real Madrid
A final da Liga dos Campeões disputada no último sábado (28) teve seu início atrasado em mais de 30 minutos, por conta de tumultos fora do estádio. Embora a primeira versão sobre os acontecimentos tenha sido a de que “torcedores do Liverpool estavam atrasados”, logo novos fatos emergiram e evidenciaram os problemas na organização do evento: muitos ingleses com ingressos não conseguiram entrar no Stade de France em tempo para a decisão.
Não bastasse a confusão e a aglomeração nas grades ao lado do estádio, a polícia parisiense agiu com alguma truculência, tentando dispersar a multidão utilizando bombas de gás de pimenta. A ação afetou diretamente as equipes de transmissão que estavam posicionadas do lado de fora, e criou uma tensão desnecessária. Tudo isso tem uma explicação mais simples do que parece: a dinâmica de acesso das pessoas com ingresso foi mais demorada do que o normal, o que aumentou filas e a pressa pela entrada.
Ainda que houvesse um tempo considerável para a Uefa organizar a final em Saint-Denis, com pelo menos três meses de preparo para um único jogo, aparentemente a checagem de credenciais dos ingressos não transcorreu com a eficiência desejada. Conforme o público ficava impaciente com a demora, alguns torcedores decidiram pular a grade e a resposta da segurança foi a pior possível, afetando também pessoas que não estavam envolvidas na questão.
Como o procedimento de abertura dos portões não foi feito com maior antecedência, horas antes da partida, não foi possível escoar as filas de torcedores. Não é possível que não se tenha aprendido com algumas das maiores tragédias em estádios de futebol, no sentido de facilitar acesso e evitar muita aglomeração em um só ponto do estádio. Assim como os tumultos recentes na final da Eurocopa ou mesmo da Conference League parecem não ter deixado qualquer lição.
O atraso prejudicou não só a experiência de quem pagou caro para ver a partida, mas também a de quem sequer participou da invasão e acabou punido por tabela – seja pela ação da polícia ou pela bagunça da Uefa. A quem brada que só no “terceiro mundo” a organização toma medidas pouco inteligentes, os eventos em Saint-Denis mostram que é uma questão internacional a falta de preparo. E a Uefa precisa de respostas a quem sofreu diretamente as consequências de seu despreparo.



