Champions League

Bayern mostrou ao Barcelona que a reconstrução será difícil

Com um time longe dos seus melhores dias, Barcelona de Koeman não deu muito trabalho ao Bayern, mesmo no Camp Nou

Era esperado que o Barcelona não fosse um candidato ao título nesta temporada, depois de um desmanche da equipe e, principalmente, com a saída de Lionel Messi. Só que o Bayern fez mais do que isso ao visitar o Camp Nou. Diante da volta do torcedor do Barcelona em um jogo de Champions – foi permitido 40% de público no estádio –, os bávaros venceram por 3 a 0 sem nem precisar jogar um grande futebol. Venceram com a facilidade que os favoritos vencem na fase de grupos em jogos contra times menores. A diferença é que do outro lado estava o Barcelona, com toda sua história, mas claramente em um patamar inferior neste momento. Um time que não tem mais um craque espetacular como Lionel Messi, que resolvia muitos jogos por ser quem é. Agora, o time precisa ser reconstruído. E o duelo com o Bayern deixou claro que a missão será difícil.

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Os times

O técnico Ronald Koeman levou a campo uma formação com três zagueiros, algo que fez algumas vezes na temporada passada. Formou a linha defensiva com dois jovens, Ronald Araújo e Eric Garcia, com Gerard Piqué no centro.

Com muitos desfalques por causa das lesões, o ataque do time foi formado com um estreante. Luuk De Jong, que chegou do Sevilla, estreou ao lado de Memphis Depay, o craque deste time. Na ala direita, Sergi Roberto foi improvisado, com Sergio Busquets, Frenkie De Jong e Pedri. Jordi Alba fechava o lado esquerdo como ala.

Equilíbrio? Que nada

No início do jogo, o Barcelona até equilibrou as ações e dividiu a posse de bola com os bávaros. Só que o time logo se viu envolvido com a troca de passes do Bayern, que era mais efetivo indo ao ataque. O bom jogo do Barcelona naqueles primeiros minutos rapidamente ficou para trás.

Quando Joshua Kimmich e Leon Goretzka passaram a puxar as cordas no meio-campo, o Bayern colocou as coisas nos lugares e o Barcelona passou a correr atrás da bola. Não é que o time bávaro ficava trocando passes incessantes, mas conseguia, quando tinha a bola, envolver o adversário e chegar ao ataque, sem muita enrolação.

O Barcelona, por sua vez, não conseguia fazer o mesmo. Quando tinha a bola, parecia sem saber o que fazer para enfrentar a defesa dos alemães, tocando a bola em busca de uma iluminação. Foi assim que o time jogou diversas vezes na temporada passada, mas tinha uma diferença fundamental: tinha Messi, que trazia uma iluminação quase divina para resolver jogos.

Sem Messi em campo, ficou mais difícil mascarar que o Barcelona tem poucas ideias em campo e depende demais dos seus jogadores encontrarem soluções na base do talento e do improviso. Contra um time bem organizado como o Bayern, isso já seria muito difícil mesmo com Messi. Sem ele, se tornou um jogo absolutamente tranquilo para a equipe da Baviera.

Bayern abre o placar

Com 33 minutos, o Bayern marcou. Depois de uma troca de passes paciente, a bola sobrou para Thomas Müller, com espaço, chutar de fora da área. A bola desviou na defesa e matou o goleiro Marc-André ter Stegen: 1 a 0 para os alemães.

No final do primeiro tempo, os catalães tentaram, em vão, melhorar no ataque. Continuaram sem conseguirem ser efetivos. Memphis Depay recuava para armar, mas mesmo ele tinha dificuldades e foi desarmado algumas vezes, como se o ritmo dos dois times fosse diferente.

Lewandowski amplia

No início do segundo tempo, o Bayern colocou mais uma bola na rede. Eram 10 minutos quando Davies chutou forte, a bola bateu na zaga e sobrou para Musiala. O garoto arriscou de fora da área, a bola bateu na trave e Lewandowski aproveitou para colocar o pé na bola e mandar para o fundo do gol: 2 a 0.

Chama a garotada!

O ritmo do jogo era baixo. O Barcelona sofria em campo e o técnico decidiu mudar. Três minutos depois de sofrer o gol, Koeman colocou em campo o meio-campista Gavi, de 17 anos, no lugar de Sergio Busquets, e também de Yusuf Demir no lugar de Sergi Roberto.

O treinador do Barça pareceu abrir mão do jogo e colocou mais garotos em campo. Aos 21 minutos, sacou Eric Garcia e colocou Oscar Mingueza, que pode atuar também como lateral, fechando o time com uma linha de quatro.

Com Luuk de Jong fazendo uma estreia fraca, quase sem conseguir participar do jogo, Koeman também sacou o holandês e colocou em campo Philippe Coutinho. O meia teve seus primeiros minutos na temporada pelo clube catalão.

O Bayern administrava o jogo, sem se desgastar muito. Mantinha um controle do jogo, sem ceder chances ao adversário, mas também sem acelerar e forçar o ritmo. Sendo assim, os minutos passavam o Barcelona tentava com o que tinha em mãos. Coutinho tentou um chute bem característico de fora da área, vindo da esquerda para o meio, e levou algum perigo.

Quando o relógio chegou a 29 minutos, mais um garoto em campo: Jordi Alba deixou o gramado e entrou Alex Balde, lateral esquerdo que veio do Barcelona B e tem só 17 anos. Era mais um símbolo de um Barça recheado de jogadores da base e em reestruturação.

No final do jogo, o Barcelona atuava em um 4-3-3, com Frenkie De Jong centralizado no meio-campo, tentando organizar as ações, e Gavi e Pedri ao seu lado. Depay virou referência, com Demir pelo lado direito e Coutinho pela esquerda.

Afunda, afunda, afundou: Lewa faz o terceiro

O Bayern chegava com facilidade, especialmente com as mudanças feitas no segundo tempo. Jamal Musiala deu lugar a Serge Gnabry, que normalmente é titular e ficou no banco nesse jogo.

Julian Nagelsmann aproveitou para colocar mais gente em campo: Marcel Sabitzer entrou no lugar de Thomas Müller, Kingsley Coman no lugar de Leroy Sané e Josip Stanisic, de 21 anos, no lugar de Niklas Süle.

Com todos esses jogadores em campo, veio o gol derradeiro. Gnabry recebeu um belo cruzamento dentro da área e finalizou na trave. A bola voltou para Lewandowski, que teve a calma de um artilheiro preciso: driblou Piqué, que ficou caído no chão, e fuzilou com um chute forte que ainda tocou em Ter Stegen e entrou. Bayern 3 a 0, aos 40 minutos.

O jogo já tinha acabado e, na verdade, naquele momento o ponto era saber se o Barça levaria mais gols. Porque a equipe estava entregue. Sem conseguir competir com um time que é bem superior na teoria e também mostrou isso na prática.

Na atual Champions League, o Bayern de Munique é um candidato ao título. O Barcelona, como se esperava, não será. Isso não é surpreendente. O ponto aqui é o quanto Ronald Koeman conseguirá fazer para transformar o time em algo competitivo. A primeira impressão foi muito ruim, ainda mais vendo que o Bayern conseguiu o resultado sem precisar suar muito.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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