Champions League

Reservas decidem para o Barcelona, e PSG vê Donnarumma falhar de novo na Champions

Outro grande jogo nas quartas de final da Champions: Barcelona vence PSG por 3 a 2 em Paris e sai na frente do confronto

A leitura de um treinador sobre o que acontece na partida é essencial para fazer as substituições necessárias no meio do jogo. E foi exatamente isso que definiu a ida das quartas de final da Champions League nesta quarta-feira (10), no Parque dos Príncipes, onde o Barcelona venceu o Paris Saint Germain por 3 a 2 em outro jogaço desta fase.

O resultado só aconteceu por uma virada na etapa final — e também pela participação essencial do goleiro do PSG. Quando estava 2 a 1 para os franceses, Xavi Hernández colocou Pedri no lugar de Sergi Roberto aos 15 do segundo tempo. Com um minuto em campo, o meia tirou da cartola um passe espetacular para Raphinha pegar de primeira dentro da área e deixar tudo igual. A jogada só foi possível porque a pressão catalã forçou Gianluigi Donnarumma a dar um chutão nem tão forte, que ainda deixou a bola no campo de ataque.

Aos 20, o técnico do Barça trocou de novo: dessa vez, Andreas Christensen entrou na vaga de Frenkie de Jong. O que aconteceu um minuto depois? O terceiro dos Culés. Em cobrança de escanteio perfeita de İlkay Gündoğan, o defensor dinamarquês subiu mais do que todo mundo para confirmar a vantagem de um gol para o Barcelona.

O dedo do treinador não foi essencial só no time visitante. No intervalo do jogo, vendo o rival vencer por 1 a 0 em outra falha de Donnaruma que resultou em gol de Raphinha, Luis Enrique inverteu Marquinhos e Lucas Hernández, com o francês virando lateral-direito, e colocou Bradley Barcola na vaga de Marco Asensio. Com isso, Ousmane Dembélé virou falso nove e o jovem francês era o ponta na direita.

Tudo isso fez o PSG voltar em outra rotação para o segundo tempo, quando precisou de só cinco minutos para virar. Primeiro, utilizando a “Lei do Ex” com Dembélé, que cortou da direita para esquerda e fuzilou as redes do adversário, e depois em bonita troca de passes finalizada com Vitinha em chute cruzado na área. O clube de Paris foi melhor nesse segundo tempo, mas o Barça foi inteligente para matar o jogo quando pôde e vai decidir tudo já na próxima terça (16), no Olímpico de Montjuïc.

Raphinha jogou muito na vitória do Barcelona (Foto: Divulgação/Barcelona)

Como PSG e Barcelona foram montados taticamente?

O PSG hoje utilizou Marquinhos como lateral-direito, mas que, na verdade, era um terceiro zagueiro na saída de bola ao lado de Lucas Hernández e Beraldo. Com isso, Nuno Mendes tinha liberdade para subir e ser praticamente um ponta, deixando Mbappé à vontade para flutuar no campo. Por dentro, Vitinha era o volante mais recuado, tendo à esquerda Fabian Ruiz, enquanto Kang-in Lee era outro atacante em uma linha que tinha cinco jogadores. Marco Asensio jogava de falso nove, e Ousmane Dembélé como ponta fixo na direita.

O Barça, que no início só se defendia no 4-4-2, utilizava a mesma estrutura do adversário no momento com bola. O 3-2-5 tinha jogadores de funções idênticas: o lateral-direito (Jules Koundé) era um terceiro zagueiro na saída, o esquerdo (João Cancelo) como um ponta, um dos meias (İlkay Gündoğan) jogava na última linha de ataque e o atacante pela direita (Lamine Yamal) ficava colado à linha lateral.

1º tempo tem Donnarumma colocando Barcelona no jogo e Raphinha inspirado

O PSG até comandou mais o primeiro tempo. Começou como protagonista, pressionando e finalizando mais, tentava em posses longas ou em ataques verticais. A dobradinha pela esquerda Nuno-Mbappé era bem interessante, com o atacante puxando Koundé para dentro e abrindo o corredor para o lateral passar. Yamal pecava na recomposição, mas melhorou nesse aspecto do meio para o fim da etapa inicial.

Mesmo com a bola, o clube parisiense não incomodou muito Marc-André ter Stegen, que só trabalhou em chutes no meio do gol de Lee e Asensio. Faltou criar algo dentro da área, onde o Mbappé não se criou nos 45 iniciais.

Esse domínio absolutos dos franceses foi até metade do primeiro tempo. Eis que Raphinha, hoje pela esquerda (onde assume que não gosta de jogar), consegue um escanteio para o Barça em contra-ataque. Na cobrança do corner, Donnarumma dá indícios do que viria pela frente ao sair todo desajeitado e um toque “sem querer” de Robert Lewandowski não entrar porque Nuno Mendes apareceu em cima da linha para tirar.

O lance acordou os Culés. Em transição perfeita da defesa ao ataque, Robert Lewandowski carregou por dentro, acionou Lamine Yamal pela direita, que cruzou fraco e Donnarumma decidiu sair do gol. O goleiro deu um soco torto, a bola voltou para Rapinha dentro da área, onde mandou de canhota para as redes.

Antes dos acréscimos, Raphinha deu outra escapada pela esquerda e o gol só não saiu por conta de Yamal, que chutou torto após passe do colega.

PSG até merecia empate pelo que fez no 2º tempo

Até quando o Barça marcou os gols da virada, o PSG era melhor na partida. Chegou, além dos dois gols, com duas bolas na trave de Barcola e Dembélé. Faltou sorte, e a pressão final foi um tanto afobada.

O Barcelona não teve nada a ver com isso e também soube, como já contamos aqui na Trivela, se adaptar a jogar sem a bola. É uma evolução tardia no trabalho de Xavi, que deixará o clube ao término da temporada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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